Destaque
MT: O único estado brasileiro onde homens são maioria entre solteiros
Impulsionado pela força do agronegócio e pela migração de trabalhadores de várias regiões do país, Mato Grosso registra 102,5 solteiros para cada 100 solteiras, segundo o Censo 2022.
Por Globo Repórter
Mato Grosso ocupa uma posição única no mapa demográfico brasileiro. Segundo dados do Censo 2022, é o único estado do país onde há mais homens solteiros do que mulheres solteiras: são 102,5 solteiros para cada 100 solteiras.
A explicação passa pela forte expansão do agronegócio. O estado atrai trabalhadores de diferentes partes do Brasil para atuar nas lavouras de soja, milho e algodão, gerando uma migração predominantemente masculina em busca de oportunidades profissionais.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/7/K/OnooWVTBAv789CCrqQWg/bloco-2-reprise-vale-frame-at-3m58s.jpg)
Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE — Foto: Reprodução/TV Globo
Migração e trabalho no campo
Nas fazendas mato-grossenses, histórias parecidas ajudam a explicar os números. Muitos trabalhadores deixam suas cidades de origem ainda jovens para buscar crescimento profissional.
É o caso de Alan Augusto da Silva Weinch, de 20 anos, operador de máquinas agrícolas. Natural de Novo Machado (RS), ele deixou a casa dos pais para trabalhar no estado.
“Foi preciso coragem, né? Bastante coragem. Se não tem coragem, não vem não”, contou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/c/s/Yu6MmcSzGpLt14ABGghQ/bloco-2-reprise-vale-frame-at-2m7s.jpg)
Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE — Foto: Reprodução/TV Globo
Casamento ficou para depois
A trajetória dos trabalhadores do campo acompanha uma tendência observada em todo o país: os brasileiros estão se casando mais tarde.
Segundo dados do IBGE citados na reportagem, as mulheres se casam, em média, aos 29 anos, enquanto os homens chegam ao casamento aos 31.
Willian Balen, técnico em agropecuária vindo de Santa Catarina, também priorizou a carreira. Aos 27 anos, ele afirma que a meta de formar uma família ficou para mais tarde.
“Meu foco principal é o agro, o trabalho”, disse. “Minha meta é ter um casamento a partir dos 30 anos.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/3/x/Wf60bJR1GkvQxLKJ5Xtw/bloco-2-reprise-vale-frame-at-4m55s.jpg)
Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE — Foto: Reprodução/TV Globo
Entre a liberdade e a solidão
Para muitos dos trabalhadores que vivem longe da família, a solteirice é marcada por sentimentos contraditórios.
Ao ser questionado sobre as vantagens de não estar em um relacionamento, Willian citou a autonomia: “Sai a hora que quer, volta a hora que quer e não depende de ninguém”.
Já Erisom Marinho de Barros, operador de máquina agrícola que deixou Alagoas para trabalhar em Mato Grosso, afirma que a busca por melhores condições de vida teve um custo emocional.
“Abri mão de muita coisa”, disse. “De estar perto da minha família, da minha filha, para estar em busca da realização dos sonhos.”
Mesmo assim, ele não desistiu da vida amorosa. No ritmo das safras, acredita que os relacionamentos podem surgir nos períodos de entressafra, quando há mais tempo para sair e conhecer pessoas.
Retrato raro no país
O caso de Mato Grosso chama atenção porque vai na contramão da realidade nacional. A população brasileira tem mais mulheres do que homens, resultado de uma mortalidade masculina mais elevada ao longo da vida, segundo especialistas ouvidos pelo programa.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/C/8/dPBgw1Tduwf7QOWZFVOQ/bloco-2-reprise-vale-frame-at-3m12s.jpg)
O novo retrato dos solteiros no Brasil — Foto: Reprodução/TV Globo
Cáceres e Região
Cáceres: TJMT especializa vara em planos de saúde após alta de 95,59% nos processos
Os casos novos cresceram 95,59% em dois anos e se concentram em Cuiabá e Várzea Grande, mas a comarca escolhida responde por 1,2% do acervo estadual
Por: Rojane Marta/Fatos de MT
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso aprovou por unanimidade a especialização da 2ª Vara Cível de Cáceres para processar e julgar as ações de saúde suplementar, aquelas em que consumidores discutem com planos e seguros de saúde negativas de cobertura, reajustes e descredenciamentos. A decisão, relatada pelo presidente do tribunal, desembargador José Zuquim Nogueira, foi publicada nesta quinta-feira (6) no Diário da Justiça Eletrônico e cria um projeto-piloto, sem abertura imediata de cargos, com competência limitada aos processos novos.
Os números que sustentam a medida são expressivos. Segundo o acórdão, os casos novos de saúde suplementar cresceram 95,59% em Mato Grosso entre 2023 e 2025, e a projeção é de 6.540 novas ações até o fim deste ano. O levantamento feito pelo departamento de apoio ao primeiro grau do tribunal mostrou que o acervo se concentra em Cuiabá e em Várzea Grande.
Cáceres não aparece entre esses polos. A comarca responde por 1,2% dos processos da matéria em todo o estado, e foi exatamente por isso que a Corregedoria-Geral da Justiça a indicou. O raciocínio está escrito na decisão: o volume reduzido minimiza o impacto operacional da mudança, e a unidade escolhida não acumula nenhuma outra especialização além da matéria cível geral. Em outras palavras, o tribunal preferiu testar o modelo onde ele mexe menos na rotina existente, e não onde a demanda se acumula.
A decisão também explica por que a matéria não foi entregue à unidade que já cuida de saúde pública. Para o Órgão Especial, as ações contra planos de saúde têm natureza predominantemente privada, contratual e de consumo, regidas pela lei federal de 1998 que disciplina o setor, o que as distingue das demandas contra o poder público por medicamentos, cirurgias e internações.
Entre os fundamentos citados pelo tribunal está a Portaria 471/2025 da Presidência do Conselho Nacional de Justiça. Esse ato não trata de organização judiciária: é o regulamento do Prêmio CNJ de Qualidade para 2026 e 2027. No item que avalia a judicialização da saúde, o regulamento distribui até 50 pontos aos tribunais e reserva parte deles a quem possui unidade judiciária especializada, com dez pontos para unidade de saúde pública, dez para unidade de saúde suplementar e vinte para unidade que reúna as duas competências. A verificação desse requisito, na edição de 2026, considera a situação em 31 de julho, seis dias antes de o Órgão Especial aprovar a proposta.
O acórdão cita ainda a resolução do CNJ de 2023 que instituiu a política nacional de tratamento das demandas de saúde e estimula a criação de unidades especializadas, além da resolução de 2016 sobre o tema. Mato Grosso não é o primeiro estado a seguir esse caminho: em abril do ano passado, o Tribunal de Justiça do Maranhão instalou em São Luís a primeira vara de saúde suplementar do país, criada por lei complementar estadual.
O modelo aprovado em Mato Grosso é diferente. Não há criação de vara nem de cargos, e sim atribuição de competência cumulativa a uma unidade que continua julgando as demais causas cíveis. Os processos já em andamento permanecem onde estão, e a competência das outras unidades judiciárias do estado segue inalterada. A implementação depende agora da edição da resolução aprovada na sessão.
Cáceres e Região
Força Nacional atuará por 180 dias na TI Sararé, atingida por garimpo e facção criminosa

A Força Nacional de Segurança Pública vai atuar por 180 dias na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, território que se tornou um dos principais focos das operações federais contra o garimpo ilegal e a atuação do crime organizado no estado.
Segundo a Portaria MJSP nº 1.274, de 5 de agosto de 2026, os agentes serão empregados em atividades consideradas imprescindíveis para a preservação da ordem pública e da segurança das pessoas e do patrimônio, em caráter episódico e planejado.
De acordo com a investigação, a facção teria começado a atuar na região em 2023 oferecendo proteção armada aos garimpeiros e, posteriormente, ampliado o domínio sobre áreas de mineração. A suspeita é de que o ouro extraído ilegalmente seja utilizado para financiar outras atividades criminosas.
(foto reprodução)
Garimpo chegou a formar uma ‘vila’
A dimensão da atividade ilegal chamou a atenção das forças de segurança, isso porque mais de 2 mil pessoas estavam dentro do território extraindo ouro ilegalmente até poucos meses antes.
A estrutura montada pelos garimpeiros chegou a ser comparada a uma pequena “vila”, com comércio, bar e até farmácia. Naquele momento, a Terra Indígena Sararé, que possui cerca de 67 mil hectares, tinha 1.117 pontos de garimpo identificados.
As forças de segurança também encontraram túneis subterrâneos utilizados na estrutura da mineração e, segundo a Polícia Federal, para esconder armas e munições.
Até o fim de junho, a operação federal que atuava na região havia prendido mais de 70 pessoas, apreendido mais de 42 mil litros de óleo diesel e 153 quilos de ouro, além de destruir 33 túneis. As equipes também localizaram quase quatro toneladas de explosivos, cerca de 200 acampamentos, mais de 800 motores e 31 máquinas de escavação.
Meses antes, outra etapa da força-tarefa já havia provocado prejuízo estimado em R$ 83,6 milhões ao garimpo ilegal. Em oito semanas, foram realizadas 897 ações de fiscalização, com 4.533 pessoas abordadas e 41 prisões em flagrante.
(foto reprodução)
Devastação provocada pelo garimpo
A Terra Indígena Sararé, localizada na região oeste de Mato Grosso, já teve cerca de 4,2 mil hectares – o equivalente a mais de 4 mil campos de futebol – devastados pelos garimpos ilegais que avançam na região, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama).
A Terra Indígena Sararé é território do povo Nambikwara e foi demarcada em 1985. A região está localizada no oeste de Mato Grosso e há anos é alvo de operações para retirada de invasores e combate à extração clandestina de ouro.
Força Nacional já atuou na região
(foto reprodução) – Esta não é a primeira autorização para emprego da Força Nacional na Sararé em 2026. Em janeiro, o Ministério da Justiça havia autorizado a atuação dos agentes por 90 dias, também em apoio à Funai e dentro das diretrizes do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas). Agora, a nova portaria estabelece um período de 180 dias.
A Funai ficará responsável por oferecer a infraestrutura e o apoio logístico necessários à operação. O número de agentes que será enviado não foi divulgado e deverá obedecer ao planejamento da Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública.
-
Cáceres e Região6 dias agoMinistro da Defesa da Bolívia anuncia a chegada da Polícia Federal brasileira à Bolívia para ajudar no combate ao crime em San Matías
-
Cáceres e Região6 dias agoEm retomada pós-recesso, Câmara de Cáceres aprova três projetos e encaminha proposta de empréstimo para hospital municipal
-
Cáceres e Região6 dias agoIFMT Cáceres leva Mato Grosso ao maior evento científico do país
-
Cáceres e Região6 dias agoPF se irrita com Receita por ‘apreensão’ de madeira sem droga em MT e MS
-
Cáceres e Região5 dias agoPeixe popular no Brasil entra em risco de extinção e pode ter venda proibida
-
Política6 dias agoMato Grosso cria cadastro estadual de pessoas condenadas por crime de estupro
-
Cáceres e Região5 dias agoPolicial é morto a tiros durante aula de jiu-jitsu em VG
-
Cáceres e Região4 dias agoPresos brasileiros fugiram da prisão de Boliviana por uma brecha na vigilância



