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Projeto de Lei de Pastorello quer barrar condenados por maus-tratos a animais em cargos públicos em Cáceres

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Por Assessoria

Cáceres, 10.08 – Quem comete crimes contra animais não pode cuidar da coisa pública. Esse é o pilar do novo Projeto de Lei apresentado nesta segunda-feira (10/08/2026) pelo vereador Cézare Pastorello (PT) na Câmara Municipal de Cáceres. Encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a proposta busca alterar a Lei da Ficha Limpa Municipal (Lei nº 2.337/2012) para impedir a nomeação de pessoas condenadas por maus-tratos contra a fauna e fechar uma brecha histórica no serviço público: a contratação de terceirizados com histórico criminal.

A iniciativa não surge ao acaso. Desde 2017, Pastorello tem se consolidado como a principal voz parlamentar na cobrança de políticas públicas para a causa animal em Cáceres. Autor da Lei Municipal nº 2.773/2019, norma fundamental de bem-estar animal, o parlamentar vem travando embates constantes com o Poder Executivo para que as leis existentes deixem de ser “letra morta”. Recentemente, o vereador também chamou a atenção ao propor medidas drásticas frente ao iminente despejo da Associação Amigos dos Animais de Cáceres (AAAC), exigindo responsabilidade objetiva da prefeitura para evitar um colapso sanitário na cidade.

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O novo projeto traz duas inovações centrais. A primeira é enquadrar expressamente os crimes ambientais contra a fauna e os maus-tratos no rol de proibições da Ficha Limpa local, em consonância com o rigor da federal “Lei Sansão” (Lei nº 14.064/2020).
A segunda mudança, estende essas exigências aos funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviço para os Poderes Executivo e Legislativo. Na prática, as empresas contratadas pelo município serão obrigadas a apresentar certidões negativas de seus trabalhadores antes que atuem nas repartições públicas. Caso seja identificada alguma irregularidade, a empresa terá até 5 dias úteis para fazer a substituição, sob pena de sanções contratuais.

“O cidadão que chega a uma repartição pública não quer saber se quem o atende é servidor estatutário, comissionado ou terceirizado. Para a população, aquela pessoa representa o Estado. Não podemos admitir que o dinheiro dos impostos sirva para pagar quem comete violência contra seres indefesos”, defende o parlamentar na justificativa da proposta.

Segurança jurídica e jurisprudência

Para evitar questionamentos de inconstitucionalidade e garantir que a proposta vire realidade, a matéria foi desenhada com rigor técnico, fundamentada no recente entendimento do Supremo Tribunal Federal (Tema 1044 de Repercussão Geral), que valida a competência do Legislativo para fixar critérios de moralidade administrativa. Além disso, a regra se alinha às exigências da Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021).
Após a análise e emissão de parecer pela CCJ, o texto seguirá para deliberação em plenário. Com a urgência que o tema exige, a expectativa é que a matéria movimente os debates na Câmara nos próximos dias, cobrando uma posição clara do parlamento cacerense sobre a proteção animal e a ética na administração pública.

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Leia a propositura aqui:
https://sapl.caceres.mt.leg.br/media/sapl/public/materialegislativa/2026/11634/pl_-_2026_10_-_ficha_limpa_-_maus_tratos_animais.pdf

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Câmara aprova crédito de R$ 800 mil para Infraestrutura e institui Programa de Integridade

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Sessão ordinária desta segunda-feira (10/08) também analisou projetos do Executivo, indicações e requerimentos dos vereadores

Por Marcio Camilo da Cruz

A Câmara de Cáceres aprovou, na manhã desta segunda-feira (10/08), durante sessão ordinária no plenário da Casa, dois projetos de lei: o Projeto de Lei nº 22/26, do Executivo, que autoriza abertura de crédito adicional suplementar de R$ 800 mil para a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Logística (SMIL); e o Projeto de Resolução nº 05/26, da Mesa Diretora, que institui o Programa de Integridade da Câmara.

CRÉDITO PARA INFRAESTRURA 

O PL nº 22/26 autoriza a abertura de Crédito Adicional Suplementar no valor de R$ 800 mil em favor da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Logística.

Conforme o projeto, o recurso será usado para a cobertura de despesas da pasta, como:

– locação de maquinários e caminhões;
– manutenção de caminhões e maquinários destinados ao atendimento das demandas operacionais.

O Executivo justifica que o valor é necessário para a manutenção e a continuidade dos serviços essenciais executados pela secretaria, especialmente os relacionados à recuperação e conservação de vias urbanas e rurais, transporte de materiais e apoio às frentes de trabalho.

O valor de R$ 800 mil é um recurso da Câmara, integrante do seu duodécimo, que foi devolvido ao Executivo.

Diante disso, os parlamentares elogiaram a administração do Poder Legislativo, por meio da Mesa Diretora, pela devolução do valor, que será “de extrema importância para realização de obras de infraestrutura na cidade”.

A medida foi a aprovada pela grande maioria dos parlamentares, contando apenas com a abstenção do vereador Marcos Ribeiro (PSD).

Ele justificou a abstenção ao destacar que estava com dúvidas em relação à devolução de valores do Legislativo ao Executivo. Para ele, a devolução “está direcionada” a uma secretaria específica, situação que é proibida pela legislação.

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Vereadores como Rubens Macedo (União Brasil) contra-argumentaram dizendo que não se trata de uma devolução direcionada, e que esse tipo de medida é muito comum entre os Poderes. Dessa forma, a gestão da Câmara pode devolver valores do duodécimo ao Executivo sempre que entender viável ou de acordo com o seu planejamento financeiro.

Como o projeto é de autoria do Executivo, para entrar em vigor ele depende da sanção da prefeita Eliene Liberato e da publicação no Diário Oficial dos Municípios de Mato Grosso.

Programa de Integridade

70ª Ordinária da 2ª Sessão Legislativa da 20ª Legislatura (10/08/26)_Cred_Derick_Henrique_Imprensa-CMC

Já o Projeto de Resolução nº 05/26, de autoria da Mesa Diretora da Câmara, institui o Programa de Integridade da Câmara Municipal de Cáceres.

A norma estabelece a governança, os instrumentos, as etapas de implementação, o monitoramento e a avaliação do programa.

O Programa de Integridade é um conjunto de princípios, instâncias, instrumentos, processos e ações voltados à prevenção, detecção, punição e correção de desvios éticos, fraudes, conflitos de interesses e outras condutas incompatíveis com o interesse público.

Entre os objetivos do programa estão:

– fortalecer a cultura institucional orientada pela ética, probidade e responsabilidade pública;

– prevenir a ocorrência de fraudes, corrupção, conflitos de interesses e assédio;

– ampliar a transparência ativa, o controle social e a confiança da sociedade no Poder Legislativo.

Por se tratar de matéria administrativa interna do Legislativo, a resolução não depende do crivo do Executivo.

Após a aprovação em sessão, basta a Secretaria Legislativa da Câmara publicar a norma no Diário Oficial dos Municípios para que entre em vigor.

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OUTROS ITENS DA PAUTA

A sessão também analisou outras proposituras. Entre os destaques do Pequeno Expediente estavam projetos do Executivo que seguem em tramitação nas comissões da Casa, como o PL nº 16/26, que trata do Programa de Autonomia Financeira (PAF) das escolas da rede municipal; o PL nº 20/26, que autoriza crédito adicional suplementar de R$ 200 mil para a SMIL; e o PL nº 25/26, que altera dispositivo da Lei Municipal que dispõe sobre a Política Pública de Assistência Social (SUAS).

No mesmo expediente, foi apresentado ainda o Projeto de Decreto Legislativo nº 51/26, que trata da aprovação das Contas Anuais de Governo do Exercício de 2024 da Prefeitura de Cáceres, com votação prevista em dois turnos.

Durante o Grande Expediente, os vereadores apresentaram diversas indicações ao Executivo, entre elas pedidos de patrolamento e cascalhamento em bairros como Espírito Santo e Distrito Nova Cáceres, recuperação de vias como a Rua dos Kishi e a Rua das Graúnas, além de melhorias no Campo de Futebol do Bairro Santos Dumont, arborização urbana e regularização fundiária no Bairro Jardim Marajoara.

Também foram apresentados requerimentos solicitando informações ao Executivo sobre o auxílio funeral, o contrato de transporte intermunicipal de pacientes em UTI móvel e o cronograma de patrolamento e cascalhamento no município.

As indicações e requerimentos foram encaminhados para análise do Poder Executivo.

A prefeitura tem o prazo de 30 dias para responder se acatará ou não as indicações e requerimentos dos vereadores e vereadoras. Se não acatar, o Executivo deve explicar os motivos da recusa.

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Cáceres: TJMT especializa vara em planos de saúde após alta de 95,59% nos processos

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Os casos novos cresceram 95,59% em dois anos e se concentram em Cuiabá e Várzea Grande, mas a comarca escolhida responde por 1,2% do acervo estadual

Por: Rojane Marta/Fatos de MT

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso aprovou por unanimidade a especialização da 2ª Vara Cível de Cáceres para processar e julgar as ações de saúde suplementar, aquelas em que consumidores discutem com planos e seguros de saúde negativas de cobertura, reajustes e descredenciamentos. A decisão, relatada pelo presidente do tribunal, desembargador José Zuquim Nogueira, foi publicada nesta quinta-feira (6) no Diário da Justiça Eletrônico e cria um projeto-piloto, sem abertura imediata de cargos, com competência limitada aos processos novos.

Os números que sustentam a medida são expressivos. Segundo o acórdão, os casos novos de saúde suplementar cresceram 95,59% em Mato Grosso entre 2023 e 2025, e a projeção é de 6.540 novas ações até o fim deste ano. O levantamento feito pelo departamento de apoio ao primeiro grau do tribunal mostrou que o acervo se concentra em Cuiabá e em Várzea Grande.

Cáceres não aparece entre esses polos. A comarca responde por 1,2% dos processos da matéria em todo o estado, e foi exatamente por isso que a Corregedoria-Geral da Justiça a indicou. O raciocínio está escrito na decisão: o volume reduzido minimiza o impacto operacional da mudança, e a unidade escolhida não acumula nenhuma outra especialização além da matéria cível geral. Em outras palavras, o tribunal preferiu testar o modelo onde ele mexe menos na rotina existente, e não onde a demanda se acumula.

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A decisão também explica por que a matéria não foi entregue à unidade que já cuida de saúde pública. Para o Órgão Especial, as ações contra planos de saúde têm natureza predominantemente privada, contratual e de consumo, regidas pela lei federal de 1998 que disciplina o setor, o que as distingue das demandas contra o poder público por medicamentos, cirurgias e internações.

Entre os fundamentos citados pelo tribunal está a Portaria 471/2025 da Presidência do Conselho Nacional de Justiça. Esse ato não trata de organização judiciária: é o regulamento do Prêmio CNJ de Qualidade para 2026 e 2027. No item que avalia a judicialização da saúde, o regulamento distribui até 50 pontos aos tribunais e reserva parte deles a quem possui unidade judiciária especializada, com dez pontos para unidade de saúde pública, dez para unidade de saúde suplementar e vinte para unidade que reúna as duas competências. A verificação desse requisito, na edição de 2026, considera a situação em 31 de julho, seis dias antes de o Órgão Especial aprovar a proposta.

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O acórdão cita ainda a resolução do CNJ de 2023 que instituiu a política nacional de tratamento das demandas de saúde e estimula a criação de unidades especializadas, além da resolução de 2016 sobre o tema. Mato Grosso não é o primeiro estado a seguir esse caminho: em abril do ano passado, o Tribunal de Justiça do Maranhão instalou em São Luís a primeira vara de saúde suplementar do país, criada por lei complementar estadual.

O modelo aprovado em Mato Grosso é diferente. Não há criação de vara nem de cargos, e sim atribuição de competência cumulativa a uma unidade que continua julgando as demais causas cíveis. Os processos já em andamento permanecem onde estão, e a competência das outras unidades judiciárias do estado segue inalterada. A implementação depende agora da edição da resolução aprovada na sessão.

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