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Apuração até 5 horas – Seis votos, filas e chuva podem atrasar apuração em Mato Grosso

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Da Redação

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) trabalha para concluir a apuração dos votos do estado em até 5 horas do fechamento das urnas deste domingo (4), e já admite que o resultado pode demorar mais do que nas eleições municipais de 2024. A diferença está principalmente na quantidade de cargos em disputa: enquanto o eleitor votou para prefeito e vereador na última eleição, neste ano serão seis escolhas nas urnas: deputado federal, estadual, dois senadores, governador e presidente.

A avaliação é do diretor-geral do TRE-MT, Mauro Sérgio Rodrigues Diogo. Segundo ele, não é possível utilizar diretamente a média registrada em 2024, próximo a uma hora e trinta minutos de apuração, justamente porque a quantidade de votos por eleitor será maior. Além do maior número de escolhas, o órgão considera a possibilidade de formação de filas nos locais de votação. A votação termina oficialmente às 16h, mas quem estiver na fila até 15h59 receberá senha e terá o direito de votar, o que pode prolongar o encerramento dos trabalhos nas seções.

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      “Na última eleição, foi uma eleição municipal. Então, votos só para prefeito e só para vereador, dois votos. Esse ano, nós temos seis votos. Logicamente, a tendência é que o eleitor fique mais tempo no local de votação. Sabemos que a votação encerra às 16 horas, mas é como um vestibular. Quem estiver na fila até 15h59 vai receber uma senha e vai votar. Então, isso pode gerar um atraso”, afirmou.

Outro fator levado em consideração pela Justiça Eleitoral é a possibilidade de chuvas no domingo. De acordo com Mauro Sérgio, as condições climáticas podem dificultar o deslocamento de veículos e até de aeronaves, principalmente para regiões mais distantes de Mato Grosso. “Outro fator também que a gente está considerando aqui em Mato Grosso: chuvas. Isso, eventualmente, pode atrapalhar o transporte de veículos, de aviões, enfim”, disse.

Apesar das variáveis, o diretor-geral afirmou que a estrutura está sendo preparada para que os números sejam conhecidos ainda no domingo. “Agora, nós trabalhamos para que, na noite de domingo, com certeza, nós iremos dar o resultado. Não posso garantir se vai ser às nove, nove e meia, dez horas da noite. Mas estamos trabalhando para isso”, afirmou.

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Votos de áreas remotas

Uma das novidades deste ano está na tecnologia utilizada para transmissão dos resultados de locais de votação de difícil acesso, incluindo aldeias indígenas. O TRE-MT já utiliza transmissão via satélite nessas regiões, mas adotou uma nova ferramenta para a eleição de 2026, por meio da Star Link.

O diretor-geral destacou ainda uma particularidade da apuração em Mato Grosso: apesar da distância, os votos dessas localidades costumam estar entre os primeiros a chegar ao tribunal. “Sempre esses votos dos locais mais distantes são os primeiros a chegar. Então, nós temos 119, salvo engano, locais de transmissão via satélite. Geralmente, eles são os primeiros a serem recebidos pelo tribunal”, afirmou.

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Francis Maris é tema de reportagem nacional da Revista Exame

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Grupo Cometa nasceu com uma pequena loja de autopeças, avançou pelo interior do Norte e Centro-Oeste e agora investe mais de 10 milhões de reais no primeiro free shop de Mato Grosso

Francis Maris Cruz: o ex-vendedor de pastéis que criou um império de R$ 1,6 bilhão nos rincões do Brasil (Derick Zattar Lira / Divulgação)

Daniel Giussani | Repórter de Negócios – EXAME

Na década de 1970, Francis Maris Cruz tinha uma espécie de escritório improvisado na Praça da Sé, no centro de São Paulo.

Quando vinha à capital atrás de fornecedores para a pequena loja de autopeças que havia aberto em Mato Grosso, ficava na casa de uma tia, comprava um punhado de fichas de orelhão e começava a telefonar para fábricas.

Descobria o endereço, perguntava qual ônibus deveria pegar e seguia pessoalmente para tentar abrir portas. Naquele momento, não tinha experiência, crédito, capital nem fornecedores.

Mais de 50 anos depois, aquela Auto Peças Cometa deu origem ao Grupo Cometa, companhia que fatura 1,6 bilhão de reais e que construiu boa parte de seus negócios longe das capitais.

Hoje, são operações de motos Honda, automóveis Hyundai e Volkswagen, agronegócio e outros negócios espalhados por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Amazonas e Pará. O grupo tem 1.400 funcionários e alcança 356 municípios.

Agora, Francis está colocando o grupo em um negócio distante das concessionárias, principalmente de motos (ele vende 3.500 por mês) que sustentaram sua expansão.

Em 19 de outubro, a companhia inaugurá em Cáceres, no coração do Pantanal e na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia, o Pantanal Free Shop, uma loja franca terrestre de 590 metros quadrados. O investimento já supera 10 milhões de reais.

Segundo o grupo, será o primeiro free shop do estado.

“O objetivo do free shop é trazer o turismo para Cáceres. Queremos trazer o turista para fazer a compra e aproveitar para conhecer o Pantanal, fazer um passeio de barco, pescar, tirar fotografias. É unir e criar uma sinergia com o turismo”, diz Francis.

A diversificação não deve parar aí. O planejamento do Grupo Cometa inclui uma nova concessionária Hyundai em Cacoal, em Rondônia, outra operação em Cáceres e mais lojas de seminovos.

Também estão nos planos novas unidades da Box 73, voltada a oficinas e peças para motos, e a expansão do braço de pecuária, com a genética Nelore Cometa.

Da venda de pastel às primeiras motos

A trajetória empresarial de Francis começou antes da Cometa.

Em 1961, sua família se mudou para Vicentina, em Mato Grosso do Sul. O pai trabalhava como motorista de caminhão e de ônibus. Quando o dono do veículo em que trabalhava decidiu vendê-lo, ficou desempregado.

A renda passou a vir de pequenos negócios. A mãe fazia coxinhas e pastéis para vender. A família chegou a comprar um bar em uma época em que, segundo Francis, não havia água encanada nem energia elétrica regular no local. A geladeira funcionava a querosene.

Depois veio a mudança para Mirassol D’Oeste, em Mato Grosso. Em 1973, Francis abriu a Auto Peças Cometa. Foi daí que surgiu o nome mantido pelo grupo até hoje.

“No início foi muito difícil. Eu não tinha experiência, não tinha crédito, não tinha capital, não tinha fornecedores”, diz.

A virada para as motos começou na década seguinte. A primeira concessionária Honda foi aberta em Vilhena, em Rondônia, em meados dos anos 1980. Em seguida vieram Cáceres, Ji-Paraná e novas cidades.

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A estratégia que se formou ao longo dos anos tem uma característica: ir para onde as grandes redes nem sempre chegam.

Hoje, o grupo possui concessionárias e pontos de atendimento em cidades pequenas do interior e também em regiões de acesso mais complexo. Francis cita São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, município próximo ao Pico da Neblina ao qual não há ligação rodoviária com o restante do estado. “Você só vai de avião ou de barco”, diz.

A rede criou formatos menores para atender municípios que não comportariam uma concessionária completa. Em algumas cidades, mantém pontos de venda e envia mecânicos periodicamente. A estrutura administrativa, por outro lado, foi centralizada em Cáceres.

Segundo Francis, processos como contabilidade, cadastro, pedidos e pagamentos são acompanhados da sede. O grupo afirma utilizar 78 robôs de software para tarefas administrativas.

Essa capilaridade ajuda a explicar o peso das motos dentro da operação.

De acordo com números fornecidos pela empresa, são 40.440 motocicletas Honda comercializadas por ano, além de 10.000 consórcios contemplados. O grupo também vende 2.640 carros Hyundai e Volkswagen e realiza cerca de 135.000 atendimentos anuais em suas oficinas.

Por que um grupo de concessionárias decidiu abrir um free shop

O Pantanal Free Shop nasceu de uma combinação de geografia e legislação.

Lojas francas terrestres, os chamados free shops, operam sob um regime tributário específico e precisam cumprir as regras federais destinadas a municípios de fronteira enquadrados para esse tipo de operação.

Francis afirma que a discussão entrou em seu radar quando era prefeito de Cáceres. Ele comandou o município entre 2013 e 2020.

Segundo o empresário, durante sua passagem pela prefeitura houve uma mobilização, com participação da Universidade do Estado de Mato Grosso, para demonstrar os vínculos econômicos, culturais e sociais da região de Cáceres com a Bolívia e viabilizar o enquadramento necessário para receber uma loja franca terrestre.

Anos depois, já fora da prefeitura, foi o próprio Grupo Cometa que decidiu entrar no negócio.

A ideia também parte de uma característica da cidade. Cáceres fica às margens do rio Paraguai e funciona como uma das portas de entrada para o Pantanal mato-grossense. Pesca, passeios de barco e observação de animais já levam visitantes à região.

O plano de Francis é acrescentar a esse fluxo o turismo de compras.

A empresa mira não apenas os cerca de 320.000 moradores de Cáceres e cidades próximas citados pelo fundador. Cuiabá fica a aproximadamente 200 quilômetros. A BR-364 também coloca a cidade na rota de viajantes de outros estados.

Dentro da loja haverá 12 linhas de produtos. A lista inclui perfumes, cosméticos, bebidas, roupas, calçados, eletrônicos, alimentos, relógios, óculos, suplementos e itens para pesca.

Essa última categoria foi escolhida justamente pela localização.

“Vamos ter uma demanda muito grande para material de pesca porque estamos aqui no Pantanal”, diz Francis.

Quais são os desafios

Entrar no varejo de produtos importados também coloca o Grupo Cometa diante de uma operação diferente daquela que conhece nas concessionárias.

Uma moto ou um automóvel chegam por cadeias logísticas estruturadas pelas próprias montadoras. No free shop, o grupo precisou aprender desde a negociação internacional até o calendário de compras.

Antes mesmo de inaugurar, Francis diz que alguns fornecedores já exigiam pedidos com meses de antecedência.

“É totalmente diferente do setor de motocicleta e de carro. É novidade para nós”, diz.

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Há ainda uma barreira geográfica: Cáceres está a mais de 3.000 quilômetros de alguns dos principais portos usados para trazer mercadorias do projeto.

Para reduzir o impacto do frete sobre o preço dos produtos, a operação pretende consolidar cargas, reunir pedidos e avaliar o modal mais adequado em cada compra.

O empreendimento começa com mais de 40 empregos diretos, distribuídos entre vendas, caixas, estoque, administração, segurança, limpeza e gestão.

A aposta da empresa é que o efeito não fique restrito à loja. A expectativa é gerar demanda também para hotéis, restaurantes, transporte e outros serviços de Cáceres.

Uma biblioteca no meio das concessionárias

Há outra peculiaridade na expansão do Grupo Cometa que Francis faz questão de mencionar: livro também entra na conta da remuneração dos funcionários.

Há cerca de 20 anos, a companhia mantém o Cometa Leitura. O projeto reúne mais de 11.000 livros em acervos físicos e digitais. As concessionárias possuem bibliotecas e a empresa investe cerca de 65.000 reais por ano no programa.

A leitura está ligada à participação nos resultados.

Segundo Francis, o funcionário precisa ler ao menos um livro por mês, com mínimo de 200 páginas, e entregar um resumo ao RH. Ao final de um ano, são pelo menos 2.400 páginas.

O cumprimento da regra, junto das metas da companhia e de desempenho, é um dos critérios para participar da PLR, a participação nos lucros e resultados.

“Todos os nossos funcionários têm que ler um livro por mês e entregar um resumo ao RH. O funcionário que lê participa da PLR, ganhando décimo quarto ou décimo quinto salário, dependendo do resultado da empresa”, diz.

Até a chegada da inteligência artificial obrigou o programa a mudar. Francis afirma que a companhia passou a usar um software para tentar identificar resumos produzidos com ferramentas como o ChatGPT.

A política de formação também aparece na escolha dos gestores. O CEO, Cristinei Rodrigues Melo, entrou na empresa ainda adolescente e acumula 35 anos no grupo. Segundo Francis, começou em uma função semelhante à de office boy, profissional responsável por tarefas administrativas de apoio.

Outros diretores começaram como vendedor de consórcio ou em funções de entrada na companhia.

“Quando tem uma vaga de gerente, primeiro eu procuro internamente. Quando não encontramos essa pessoa preparada, aí vamos para o mercado”, diz.

Mais concessionárias, oficinas e gado

Embora o free shop represente uma mudança relevante de setor, o plano do Grupo Cometa continua concentrado também nos negócios que construíram sua escala.

Uma concessionária Hyundai está sendo preparada em Cacoal. Cáceres também deve receber uma unidade da marca. No negócio de veículos seminovos, operado pela marca Amado Car, Francis fala em cinco novas lojas previstas para 2027, com cidades como Rio Verde, Primavera do Leste e Barra do Garças no radar.

Há ainda planos para ampliar a Box 73, negócio de oficinas e peças de motocicletas fora da rede tradicional de concessionárias.

No campo, a aposta é no Nelore Cometa. O grupo trabalha com seleção genética e comercialização de animais e material genético.

Francis reconhece que juros altos, mudanças tributárias e incertezas econômicas pesam nas decisões de investimento. Mas, aos 50 anos de grupo, não sinaliza uma desaceleração. “Apesar das dúvidas, apesar dos problemas, estamos acreditando, estamos trabalhando e pretendemos crescer”, diz.

É uma frase que conecta o atual grupo bilionário ao empresário que, cinco décadas atrás, precisava descobrir em um orelhão da Praça da Sé qual ônibus tomar para chegar ao próximo fornecedor.

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Homem morre após ser baleado durante confronto com o Gefron na região de Cáceres

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Um homem identificado como Wender Santos, conhecido pelo apelido de “Play Boy”, morreu na noite desta sexta-feira (2) após ser baleado durante uma troca de tiros com policiais do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), na região de Cáceres, a 220 km de Cuiabá.

Segundo as informações repassadas sobre a ocorrência, o confronto aconteceu na BR-070. Após ser atingido pelos disparos, Wender foi socorrido pelos próprios policiais e encaminhado ao Hospital Regional de Cáceres.

Apesar das tentativas de atendimento, ele não resistiu aos ferimentos e morreu no box de emergência da unidade hospitalar.

Ainda conforme as informações da ocorrência, Wender estava em um Fiat Palio que, segundo os policiais, transportava uma quantidade significativa de entorpecentes. O material apreendido teria características de supermaconha.

Os tabletes encontrados no veículo apresentavam inscrições como “CHAPURY, fique rico ou morra tentando”.

Antecedentes

Conforme informações repassadas à reportagem, havia registros de diversas ocorrências envolvendo Wender. Entre os apontamentos estão posse irregular de arma de fogo de uso permitido, associação para o tráfico de drogas, corrupção de menores, homicídio, quadrilha ou bando armado e sequestro e cárcere privado.

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A ocorrência deverá ser investigada pelas autoridades competentes para esclarecer as circunstâncias do confronto e a origem e destino dos entorpecentes apreendidos.

A reportagem não teve acesso, até o momento, ao boletim de ocorrência completo nem a uma manifestação oficial detalhada do Gefron sobre a dinâmica dos disparos.

Por: Página Press

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