Economia
Volta da guerra EUA x Irã ameaça abastecimento de fertilizantes no Brasil
A disparada dos preços do petróleo nas bolsas internacionais, provocada pelo recrudescimento das tensões entre Estados Unidos e Irã nos últimos dias, trouxe de volta um temor crítico para o agronegócio brasileiro: o risco de desabastecimento de fertilizantes. O Estreito de Ormuz, ponto crucial para o escoamento global de energia, é também um gargalo logístico vital para a importação de insumos essenciais. Qualquer interrupção na passagem marítima ameaça não apenas o preço, mas a disponibilidade dos produtos que sustentam a produtividade da safra 2026/27.
O sinal de alerta para o campo é sustentado por números que revelam uma fragilidade logística crescente. Dados de mercado indicam que as importações brasileiras de MAP (fosfato monoamônico) entre janeiro e junho de 2026 ficaram 24% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano passado. O quadro é agravado pela escassez de enxofre, matéria-prima indispensável para a produção de fertilizantes fosfatados: as importações do insumo recuaram 42% no primeiro semestre, enquanto o custo do produto no mercado brasileiro saltou 127% desde fevereiro, superando a marca de US$ 1.000 por tonelada.
A combinação de oferta restrita e custos elevados já força a indústria a reajustar suas operações. Fabricantes de fertilizantes no Brasil e no exterior têm reduzido as taxas de utilização industrial ou suspendido linhas de produção, um movimento que limita a oferta interna em um momento de demanda sazonal crescente. Diferente do mercado de fertilizantes nitrogenados, que enfrenta queda de preços por questões de demanda, o segmento de fosfatados opera com estoques ajustados, o que torna qualquer soluço na cadeia de suprimentos global um fator de pressão imediata sobre as cotações.
Para o produtor rural e as cooperativas, o cenário exige uma mudança de postura na gestão de insumos. A orientação técnica é de que a antecipação do planejamento de compras não é mais apenas uma estratégia de redução de custos, mas uma medida de segurança operacional. Com o Oriente Médio no centro de incertezas geopolíticas e o fluxo marítimo sob risco, a estratégia de “comprar na boca do plantio” torna-se um risco elevado. A gestão antecipada da carteira de insumos passou a ser, neste segundo semestre, o principal mecanismo de defesa contra a volatilidade que ameaça as margens da próxima colheita.
Fonte: Pensar Agro
Economia
Grupo chinês avalia instalar usina para transformar lixo em energia em Mato Grosso
Uma comitiva do Grupo Zhongtuo, conglomerado chinês ligado a grandes estatais dos setores de infraestrutura e energia da Província de Sichuan, iniciou nesta segunda-feira (1º.6) uma agenda de reuniões em Mato Grosso para avaliar oportunidades de investimento no setor energético. Entre os projetos em análise está a implantação de uma usina de tratamento de resíduos sólidos com geração de energia, empreendimento estimado em cerca de R$ 2 milhões.
Os empresários foram recebidos pela equipe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e da Invest MT, onde apresentaram tecnologias voltadas à transição energética e ao aproveitamento econômico dos resíduos urbanos e industriais. A missão permanece no estado até o dia 4 de junho, quando participa da FIT Pantanal Business Meeting 2026, fórum de negócios que integra a programação da FIT Pantanal, que será realizada de 4 a 7 de junho, no Centro de Eventos do Pantanal.
Durante a reunião, os investidores chineses discutiram com a equipe técnica do governo estadual a possibilidade de incentivos fiscais para viabilizar o empreendimento. Também foram debatidas alternativas para produção de biometano a partir do lixo urbano e sua posterior conversão em energia elétrica, ampliando o aproveitamento energético dos resíduos gerados nos municípios mato-grossenses.
O Grupo Zhongtuo demonstrou interesse em tecnologias conhecidas como Waste-to-Energy (WTE), utilizadas para transformar resíduos sólidos em energia limpa por meio de processos térmicos controlados. Além disso, a corporação também avalia oportunidades nas cadeias de biomassa, gás natural liquefeito (GNL) e biometano.
Segundo representantes da comitiva, Mato Grosso apresenta um ambiente favorável para investimentos em energia e sustentabilidade. Os empresários destacaram que as políticas de incentivo existentes no estado tornam o projeto mais atrativo, mas ressaltaram que a viabilidade da iniciativa dependerá do alinhamento com o poder público e da construção de parcerias institucionais.
Do lado do governo estadual, a avaliação é de que a proposta pode contribuir para enfrentar um dos principais desafios dos municípios: a destinação adequada dos resíduos sólidos urbanos.
Durante o encontro, integrantes da Sedec destacaram que a questão do lixo é um problema comum a praticamente todos os municípios mato-grossenses e que a chegada de novas tecnologias pode ajudar a reduzir impactos ambientais, ao mesmo tempo em que gera energia e oportunidades econômicas.
“Além dos resíduos urbanos, também foi discutido o potencial futuro de aproveitamento de resíduos oriundos das atividades agropecuárias, segmento em que Mato Grosso concentra uma das maiores produções do país”, comentou a secretária adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia, Linacis Vogel Lisboa.
Após o encontro na Sedec, os chineses tiveram agenda na Prefeitura de Cuiabá.
Fonte: Governo MT – MT
Cáceres e Região
Cesta básica estabiliza em Cáceres no mês de maio, com leve queda de 0,09% nos preços
Redução nos preços de higiene e limpeza compensou a alta contínua da batata, aponta pesquisa da Unemat
Por Nataniel Zanferrari
O custo médio da cesta básica em Cáceres interrompeu a tendência de alta dos meses anteriores e registrou uma deflação sutil de 0,09% em maio. O valor do conjunto de 31 produtos passou de R$ 1.054,83 em abril para R$ 1.053,88. O monitoramento é do projeto de Estudos e Pesquisas em Estatísticas Sociais (Epes) da Unemat.
A estabilização do índice geral foi garantida pelas retrações de 1,63% e de 0,44% nos grupos de higiene pessoal e de limpeza, respectivamente. Em contrapartida, o setor de alimentação seguiu em ascensão, subindo 0,15%. O principal impacto veio da batata, que manteve sua trajetória de encarecimento e subiu mais 25,17% no período.
No grupo de limpeza, composto por quatro produtos, apenas o detergente, avaliado na opção de 500 ml, apresentou elevação, com aumento de 3,22%. Em contrapartida, a água sanitária registrou a maior redução do setor, com queda de 1,66%. No grupo de higiene pessoal, composto por cinco produtos, o grande destaque foi a redução de preços do absorvente aderente, que recuou 24,01%.
O cenário atual consolida uma inversão em relação ao primeiro trimestre: em janeiro, o grupo de alimentação puxava o índice para baixo devido à queda das carnes, enquanto higiene e limpeza acumulavam as maiores altas. O preço da cesta agora opera em patamar próximo ao registrado na abertura do ano, quando custava R$ 1.051,41.
Para o coordenador do Epes, Luiz Fernando Jorge da Cunha, a pressão sobre o setor alimentar decorre do mercado externo e do clima. “O panorama energético mundial e a instabilidade no Oriente Médio encarecem o frete e os insumos, afetando diretamente a cadeia de suprimentos e a produção agropecuária local”, explica o pesquisador.
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