Agronegócio
Produtores podem quitar multas do Ibama com desconto de até 50%
Produtores rurais enquadrados como pessoas físicas, microempresas ou empresas de pequeno porte podem negociar multas e outros débitos não tributários inscritos em dívida ativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O programa oferece descontos de até 50% e permite o parcelamento do valor devido em até 60 meses.
O requerimento deve ser apresentado até 31 de agosto, exclusivamente pela plataforma Resolve Dívidas AGU. Depois da análise da Procuradoria-Geral Federal (PGF), o devedor habilitado terá até 30 de setembro de 2026 para concluir a adesão.
A negociação foi aberta pelo Edital de Transação por Adesão nº 2/2026, publicado pela PGF, órgão da Advocacia-Geral da União (AGU) responsável pela cobrança dos créditos de autarquias e fundações federais.
Podem ser incluídos créditos não tributários registrados no Sistema de Cadastro, Arrecadação e Fiscalização (Sicafi) e inscritos em dívida ativa até 1º de junho de 2025. Cada crédito, considerado isoladamente, deve ter valor consolidado igual ou inferior a 60 salários mínimos.
Como o salário mínimo vigente em 2026 é de R$ 1.621, o limite corresponde a R$ 97.260. O valor foi estabelecido pelo Decreto nº 12.797, em vigor desde 1º de janeiro.
O maior abatimento, de 50%, será concedido para a quitação à vista. Quem optar pelo parcelamento terá desconto de 40% para pagamento em até 20 meses, de 30% em até 40 meses e de 20% em até 60 meses.
Os descontos incidem sobre o valor consolidado do crédito, incluindo principal, juros, multas e encargos legais. O valor mínimo de cada prestação é de R$ 100. A adesão somente será efetivada depois do pagamento da parcela única ou da primeira prestação, conforme a modalidade escolhida.
Os pagamentos serão feitos por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU) emitida pelo sistema. Nas modalidades parceladas, as prestações serão atualizadas pela taxa Selic, acumulada a partir do mês seguinte ao da adesão, com acréscimo de 1% no mês do pagamento.
Embora possa beneficiar produtores rurais, o programa não é exclusivo do agronegócio. A transação está aberta a qualquer pessoa física, microempresa ou empresa de pequeno porte que atenda aos critérios definidos no edital.
Não podem ser negociados créditos que já tenham sido parcelados ou incluídos em transações anteriores. Também estão fora da modalidade as dívidas com exigibilidade suspensa por decisão judicial, depósito integral, seguro-garantia ou fiança bancária. Devedores considerados contumazes e aqueles que tiveram uma transação rescindida nos dois anos anteriores à publicação do edital também não poderão aderir.
A adesão exige o reconhecimento dos débitos incluídos no acordo. Caso haja ação judicial, impugnação ou recurso administrativo contra a cobrança, o interessado deverá formalizar a desistência da contestação.
A Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA) não está abrangida pelo edital, ainda que tenha sido inscrita em dívida ativa. A cobrança tem natureza tributária, enquanto a transação aberta pela PGF alcança exclusivamente créditos não tributários, como multas ambientais.
Os contribuintes com débitos de TCFA devem consultar as modalidades próprias de regularização. O serviço de parcelamento do Ibama atende pessoas físicas e jurídicas, mas segue condições diferentes das previstas na nova transação.
Para solicitar a negociação, o interessado deve acessar a plataforma Resolve Dívidas AGU, disponível no sistema Super Sapiens. O ingresso é feito com conta Gov.br de nível prata ou ouro. Antes da adesão, o devedor pode verificar se possui créditos elegíveis no sistema de consulta da PGF.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócio
Parceria entre UNEMAT e CONSUBE impulsiona inovação e rentabilidade no campo em Cáceres (MT)

Por Assessoria
A busca por soluções técnicas que conciliem produtividade, redução de custos e sustentabilidade tem aproximado cada vez mais o setor público da iniciativa privada no agronegócio brasileiro. Em Cáceres, no oeste de Mato Grosso, essa integração ganha destaque por meio da parceria entre a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e a CONSUBE Agropecuária LTDA, voltada ao desenvolvimento e validação de tecnologias adaptadas à realidade dos agropecuaristas da região.
Inserido na mesorregião do Sudoeste Mato-grossense, o município de Cáceres possui forte vocação para a pecuária e para a produção de grãos. No entanto, produtores rurais enfrentam desafios crescentes relacionados ao aumento dos custos de insumos, logística e necessidade de maior eficiência produtiva. É nesse cenário que a parceria público-privada se consolida como uma ferramenta estratégica para o fortalecimento do setor.
A iniciativa tem como foco principal a validação de práticas agronômicas em condições reais de campo, com testes de produtos, ajustes de doses e definição do melhor momento de aplicação. Segundo o professor Cassiano Cremon, integrante da equipe responsável pelos estudos, a região concentra a quarta maior área de pecuária do Brasil e a maior do estado de Mato Grosso. “Qualquer prática com bom custo-benefício que contribua para a melhoria da qualidade físico-química dos solos impacta diretamente nos rendimentos produtivos”, destaca.

O objetivo central do trabalho é tornar sistemas produtivos — como pastagens e áreas destinadas ao cultivo de milho para silagem — mais eficientes e econômicos, sem perda de produtividade. Na prática, isso se traduz em maior rentabilidade ao produtor rural, que passa a obter mais resultados com melhor uso dos recursos técnicos disponíveis.
A coordenação científica pela UNEMAT está a cargo de uma equipe multidisciplinar do Grupo de Pesquisa em Solos e Fitotecnia, em conjunto com o Laboratório de Solos e Nutrição de Plantas. Os pesquisadores atuam há vários anos no desenvolvimento de métodos voltados à melhoria da fertilidade e do manejo dos solos em Mato Grosso.
Entre as ações em andamento, destacam-se os campos experimentais com aplicação de gesso agrícola em milho já emergido, inclusive com aplicação direta sobre as folhas — uma prática ainda pouco difundida no campo. Os resultados preliminares indicam diversos benefícios agronômicos, como o fornecimento imediato de cálcio à cultura, maior eficiência no aproveitamento da ureia, incremento na produção de massa verde e de grãos, além da redução da dependência da janela de alta dos fretes, ao permitir aplicações em momentos mais estratégicos.

Outro ponto relevante é que o uso do gesso contribui para a construção antecipada do perfil do solo, preparando-o para o cultivo da soja no período de verão. Esse efeito favorece o aprofundamento do sistema radicular e melhora o aproveitamento dos nutrientes. De acordo com o professor Cassiano Cremon, além da melhoria química na subsuperfície, o gesso tem se mostrado um importante condicionador físico em profundidade, contribuindo para a conservação dos solos e para maior exploração do perfil pelas raízes.
Paralelamente, a parceria também avalia o uso de fosfatos de baixa concentração, que vêm demonstrando potencial para elevar a eficiência da adubação com custos significativamente menores, especialmente em sistemas integrados de produção. Essa estratégia permite ao produtor manter níveis adequados de fertilidade do solo, preservando a sustentabilidade econômica da atividade.

Ao unir o conhecimento técnico-científico da universidade com a experiência prática e a capilaridade da iniciativa privada, a parceria entre UNEMAT e CONSUBE reforça a importância de modelos colaborativos para o desenvolvimento sustentável da agricultura e da pecuária regional. Mais do que inovação, as ações entregam competitividade, garantindo que o produtor rural tenha acesso a tecnologias viáveis, ajustadas à sua realidade e com impacto direto nos resultados econômicos da propriedade.
Agronegócio
Carne bovina de Mato Grosso chega a mais de 90 países em 2025

Por Assessoria
A carne bovina de Mato Grosso chegou a mais de 90 países em 2025. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), foram exportadas 978,4 mil toneladas da proteína, com uma receita de US$ 4,1 bilhões, consolidando o estado como um dos principais players globais do setor.
Em um ano histórico, no qual Mato Grosso bateu seu próprio recorde de exportação de carne bovina, foram abatidas 7,4 milhões de cabeças de gado. Com um produto cada vez mais competitivo no mercado internacional, o estado tem se beneficiado tanto da abertura de novos mercados — como o Marrocos, em 2024 — quanto do crescimento da demanda de mercados já consolidados, especialmente na Ásia.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números refletem um trabalho consistente de toda a cadeia produtiva. “Mato Grosso vem colhendo os resultados de anos de investimentos em sanidade, qualidade e profissionalização da pecuária. Estamos preparados para atender mercados cada vez mais exigentes, com volume, eficiência e responsabilidade”.
A China segue como o maior comprador da carne bovina mato-grossense e importou, em 2025, 536,9 mil toneladas da proteína, o que corresponde a 54,8% do total exportado. Em segundo lugar aparece a Rússia, com 58,8 mil toneladas, representando 6% das vendas externas do estado.
A lista dos dez países que mais importaram carne bovina de Mato Grosso em 2025 inclui ainda Chile, Estados Unidos, Filipinas, Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Itália e Holanda, demonstrando a diversificação dos destinos e a presença da proteína mato-grossense em mercados estratégicos da Europa, Oriente Médio, América e Ásia.
De acordo com o diretor do Imac, a tendência é de manutenção desse ritmo de crescimento. “A diversificação de mercados é fundamental para dar segurança ao setor. Quanto mais destinos abertos, menor a dependência e maior a estabilidade para o produtor, para a indústria e para a economia do estado”.
Para 2026, as perspectivas seguem positivas, impulsionadas especialmente pela abertura de novos mercados, como o da Guatemala, em dezembro. Com cerca de 18 milhões de habitantes, o país da América Central vem ampliando sua demanda por proteína bovina, o que reforça o potencial de expansão das exportações mato-grossenses nos próximos anos e consolida Mato Grosso como referência mundial na produção de carne bovina.
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