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Projeto que tiraria a Padroeira do Brasil de lei é de ex-deputado de MT

Um Projeto de Lei apresentado há quase duas décadas pelo ex-deputado federal Victório Galli (Podemos) foi resgatado nas redes sociais para municiar uma onda de ataques contra a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
(reprodução) – Em uma das publicações distorcidas, afirmava falsamente que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro seria o autor de uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira oficial do Brasil. Ele não é o autor desse projeto.
A fake news ganhou escala no início da semana e provocou forte reação de eleitores católicos e evangélicos. Diante da repercussão, o próprio senador gravou um vídeo em suas redes sociais para desmentir o boato.
“Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”, declarou Flávio, atribuindo a autoria da desinformação a adversários políticos e reforçando que respeita “todas as religiões e também quem não tem religião”. A informação falsa chegou a ser veiculada na televisão por assinatura, mas o canal reconheceu o erro e retratou-se publicamente no ar.
O texto original que fundamentou a desinformação é o Projeto de Lei nº 2.623, protocolado por Galli em dezembro de 2007. À época, em seu primeiro mandato, assumido temporariamente como suplente, o parlamentar mato-grossense integrava o então MDB e atuava distante do ecossistema político da família Bolsonaro, diferente do seu posicionamento atual.
No projeto, Galli sugeria alterar a Lei nº 6.802/1980. Ele propunha redefinir o 12 de outubro não como culto à padroeira do país, mas como “homenagem oficial a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Em sua justificativa, Galli argumentava que o Estado laico não deveria oficializar um símbolo de uma única fé.
“Ao distinguir ‘brasileiros católicos romanos’ e ‘homenagem’, a alteração aproxima mais do espírito constitucional, deixando de obrigar, por força de lei, que todos os brasileiros sejam praticantes do culto”, escreveu o ex-deputado no texto. “A alteração tira o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, que, diga-se de passagem, não deve ter este ou aquele padroeiro por ser um Estado laico”, segue o projeto.
(foto reprodução) – A tramitação da proposta, contudo, teve vida curta na Câmara dos Deputados. Na Comissão de Educação e Cultura (CEC), o relator, ex-deputado Átila Lira, apresentou parecer contrário. No voto, Lira destacou que a mudança sugerida “pode ensejar ou acirrar divisões entre cristãos católicos e não-católicos” e que o texto permanecia ferindo a laicidade estatal. Rejeitado no mérito pela comissão, o PL acabou definitivamente arquivado em fevereiro de 2009.
A trajetória política do autor do projeto passou por profundas transformações ao longo dos anos. Após atuar pelo campo progressista e disputar eleições por siglas de centro e esquerda, Victório Galli mudou seu perfil ao se eleger deputado federal pelo PSC em 2014, aproximando-se da pauta conservadora e da bancada evangélica.
Com a ascensão de Jair Bolsonaro no cenário nacional a partir de 2018, Galli converteu-se em bolsonarista convicto e migrou para o PSL. Embora não tenha conseguido a reeleição naquele ano, manteve forte alinhamento com a família presidencial e ocupou cargo comissionado no governo federal em Brasília durante a gestão Bolsonaro.
Após reconfigurações no PL e a perda de espaço na legenda após 2022, Galli migrou para o Podemos, sigla pela qual tenta construir seu retorno à Câmara Federal.
Por: Gazeta Digital
Cáceres e Região
Grupo Juba doa instrumentos de percussão para projeto de Fanfarra da Escola Frei Ambrósio
O Grupo Juba realizou, nesta sexta-feira (25), a entrega de instrumentos de percussão à Escola Estadual Cívico-Militar Frei Ambrósio, em Cáceres. A doação vai contribuir para a implantação e o desenvolvimento do projeto de Fanfarra da instituição, com previsão de início das atividades já no ano letivo de 2027.

(foto reprodução) – A solenidade de entrega aconteceu no pátio da escola e reuniu representantes da comunidade escolar, profissionais da instituição e do Grupo Juba. A iniciativa reforça a parceria entre a empresa e a escola, contribuindo para ampliar as oportunidades de participação dos estudantes em atividades culturais, musicais e de formação cidadã.
A gestora da unidade, Patrícia Sena, agradeceu ao fundador do Grupo Juba, Manuel Jorge Ribeiro, pelo apoio e incentivo destinados à educação e ao esporte. Em mensagem de agradecimento, a escola destacou que iniciativas como essa ajudam a transformar a realidade de crianças e jovens, além de abrir novas possibilidades para o desenvolvimento social e humano.

Durante a solenidade, o monitor escolar marinheiro e jornalista João Arruda ressaltou a importância da doação para as atividades desenvolvidas pela escola. Segundo ele, os instrumentos representam um importante incentivo à participação dos alunos em projetos que trabalham, além da música, valores como disciplina, convivência, responsabilidade e trabalho em equipe.
Representando o Grupo Juba, a gerente da loja, Girlaine Matos, participou da entrega e destacou a satisfação em representar Manuel Jorge Ribeiro neste momento. Egressa da própria instituição, Girlaine também lembrou que seus filhos estudaram na escola. “É uma felicidade muito grande estar aqui representando o senhor Manuel e poder participar deste momento. Como ex-aluna e mãe de alunos que também estudaram aqui, ver essa entrega tem um significado ainda mais especial”, destacou Girlaine.
O responsável pelo marketing do Juba, Victor Guilherme e os militares que atuam na escola, o capitão de Fragata Claudenilson Viana, sargentos Milton e Aurizeth e cabo Amarildo Artiaga também acompanharam a entrega.
Por: Esdras Crepaldi
Cáceres e Região
Morre aos 91 anos Osires Fanaia, o tintureiro que pedalava pela história de Cáceres
Cáceres se despede neste sábado (26) de mais um pedaço viva da sua memória. Morreu na noite desta sexta-feira (25), por volta das 19h, Osires Benedito Fanaia, aos 91 anos, vítima de um acidente vascular cerebral fulminante. Popular, carismático, simples e amigo de todos, Osires era uma daquelas figuras que a cidade inteira conhecia pelo primeiro nome — e que, mesmo com a idade avançada, nunca deixou de ser criança.

(foto reprodução) – Há cerca de duas semanas, Osires contraiu pneumonia e chegou a ficar internado por alguns dias no hospital da cidade. Após receber alta, sofreu uma queda em casa, bateu a cabeça e foi socorrido na UPA. Na sexta-feira (18), foi transferido para um hospital em Cuiabá. Segundo familiares, ele respondia bem ao tratamento e havia perspectiva de alta ainda neste fim de semana. Nesta sexta (25), durante todo o dia, conversava normalmente com a esposa e os filhos. No início da noite, enquanto jantava, sofreu o AVC que o levou por volta das 19h.
Nascido em Cáceres em 3 de setembro de 1935, filho de Francisco dos Santos Fanaia e Nair Alves Fanaia, Osires construiu uma vida inteira na cidade onde nasceu. Estava casado há 66 anos com Yukie Narita Fanaia, com quem teve quatro filhos: Maria de Lourdes, Argélia de Fátima, Joacir Benedito e Francisco. Deixa ainda doze netos e três bisnetos.
Osires serviu ao Exército Brasileiro no 2º Batalhão de Fronteira, em 1954, e essa ligação com a caserna atravessou toda a sua vida. Nas últimas décadas, nunca deixou de participar das formaturas militares promovidas pelo Batalhão, marcando presença em todas as festividades militares.
Sua residência, aliás, fica bem próxima ao portão de entrada do Batalhão. Todos os dias, no horário em que o atual comandante, Coronel Attanazio, chegava para o expediente, parava para cumprimentá-lo na porta de sua casa — um gesto de respeito e amizade que virou rotina e símbolo do seu carinho pelas Forças Armadas.
Casou-se com a nissei Yukie Narita quando tinha 24 anos e ela, 16. Uma união que ele mesmo definia como “linda, linda, uma beleza”, e que neste ano completou 66 anos. Yukie, além de cuidar do lar com dedicação, era exímia costureira — companheira de vida e de trabalho.
Profissional autêntico no ramo da tinturaria, Osires, com a companheira Yukie, abriu sua tinturaria na Avenida Sete de Setembro, próximo ao Cemitério São João Batista, na casa do saudoso seu Ninito — em uma época em que não havia água encanada tratada nem energia elétrica. A água de poço era usada na lavagem das roupas, que depois eram passadas com ferro à brasa, aquecido a carvão de angico.
Com capricho e orgulho no que fazia, tornou-se o tintureiro das famílias mais elegantes da antiga Cáceres. Passaram por suas mãos peças de personagens lendários da cidade, como Jorge Gattass, Aquilino e Ernesto Serraglio, Guilherme e Wilson Paraguai, João Evaristo Curvo, o Curvinho, Leopoldo Ambrósio Filho, o Dr. Nito, e os irmãos Airton e Amilton dos Reis.
Além da tinturaria, Osires trabalhou por um período como investigador de polícia e dedicou 19 anos à Sanemat, até se aposentar.
De saúde invejável, Osires, mesmo aos 91 anos, tocava gaita com facilidade e era visto pedalando sua bicicleta pelas ruas do centro histórico de Cáceres e, aos domingos, na feira livre. Mas era nos céus que ele encontrava uma das suas maiores alegrias: soltar pipas — ou pandorgas — que ele mesmo confeccionava, com muito capricho, nos mais variados formatos e tamanhos.
“Solto pipa desde criança; faço, empino, vendo”, contou ele em reportagem publicada no Zakinews, intitulada “Tintureiro de mão cheia: Osires Fanaia toca gaita, solta pipa e brinca como se fosse uma criança”.
Sua filha, Maria de Lourdes, em 02/09/2025, véspera do aniversário de 90 anos, prestou uma linda homenagem ao seu pai, com um artigo, também publicado no Zakinews: “Episódios da vida de um pantaneiro, Osiris Fanaia“.

(foto reprodução)
Episódios da vida de um pantaneiro, Osiris Fanaia
O corpo de Osires Fanaia chega na madrugada deste sábado (26) a Cáceres. O velório está programado para começar às 06h, com sepultamento no período da tarde no Cemitério São João Batista, onde ele passará a descansar ao lado dos pais, Francisco dos Santos Fanaia e Nair Alves Fanaia.
Cáceres perde um homem que fez da simplicidade uma marca, do trabalho uma arte e do Exército uma segunda família. Mas fica com a lembrança da figura inesquecível do tintureiro de mão cheia — que pedalava pela cidade, empinava pandorgas feitas por ele mesmo, cumprimentava o comandante na porta de casa todos os dias e brincava como se o tempo nunca tivesse passado.
Por: Zakinews
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