Mato Grosso desponta como uma das novas fronteiras brasileiras para a exploração de terras raras, minerais considerados essenciais para a transição energética e para indústrias de alta tecnologia. O estado soma 165 mil hectares em áreas de pesquisa, conforme levantamento da Agência Nacional de Mineração (ANM). Este cenário está em sinergia com o avanço da Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), proposta pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que visa ampliar a participação do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos.
Processos e empresas na exploração de terras raras
A ANM detalha que, dos 25 processos minerários registrados em Mato Grosso, 20 correspondem a autorizações de pesquisa e 5 a requerimentos de pesquisa. Atualmente, não há registros de lavra, concessão de lavra ou licenciamento para exploração comercial. Entre as empresas com maior presença nas áreas requeridas, destacam-se a Scanty Mineração Ltda, com 51,1 mil hectares e 7 processos, e a Axel REE Ltda, com 39,5 mil hectares e 4 requerimentos. A 3D Minerals Ltda possui 29,7 mil hectares e a R. Augusto Consultoria Ltda, 28 mil hectares em áreas de pesquisa.
Cenário nacional e potencial global
O interesse crescente em Mato Grosso acompanha um movimento mundial estimulado por disputas geopolíticas e pela necessidade de diversificar o fornecimento desses minerais, cuja concentração é majoritariamente na China. Em todo o Brasil, existem 2.641 processos relacionados ao segmento em diferentes fases. As autorizações de pesquisa representam cerca de 84% desse total, enquanto os requerimentos de pesquisa correspondem a 13%. Segundo o MME, o Brasil detém 23,1% dos recursos globais conhecidos desses minerais e possui a segunda maior reserva do planeta.
Vocação mineral e desafios para a exploração de terras raras em Mato Grosso
De acordo com Caiubi Kuhn, presidente da Federação Brasileira dos Geólogos (Febrageo), Mato Grosso possui quatro regiões com vocação para ocorrência de terras raras e minerais estratégicos. As áreas com os principais focos de estudos minerais em andamento estão localizadas no norte do estado (próximo a Aripuanã), na Baixada Cuiabana, em Araguainha e no sudeste mato-grossense. Kuhn ressalta que a exploração comercial desses recursos ainda depende de pesquisas e investimentos. Ele destaca que Mato Grosso possui aptidão mineral ainda pouco conhecida, visto que menos de 15% do território estadual conta com mapeamento geológico detalhado.
Para o geólogo, ampliar o conhecimento sobre o subsolo é fundamental para a mineração, gestão de recursos hídricos, monitoramento ambiental e desenvolvimento econômico. Ele lembra que o Estado foi o que mais cresceu no setor mineral brasileiro no último ano, impulsionado pelas operações da Nexa, valorização do ouro e produção de calcário para agricultura. Kuhn defende uma política estadual de geologia e recursos minerais para ampliar investimentos em pesquisa em Mato Grosso.





