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Rota Rondon: o passaporte de Mato Grosso para o Pacífico

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Cáceres e toda a região Oeste de Mato Grosso ocupam uma posição privilegiada para o futuro logístico do nosso estado. Pela proximidade com a Bolívia e pela possibilidade de conexão com o Oceano Pacífico, a região é central para a consolidação da Rota Rondon, que hoje não é apenas uma alternativa, mas uma prioridade estratégica. Grande parte da nossa produção ainda percorre milhares de quilômetros até os portos do Atlântico, encarecendo o frete, pressionando produtores e sobrecarregando rodovias. Superar essa dependência significa fortalecer municípios, atrair investimentos e transformar a localização de Cáceres em vantagem competitiva para todo o estado.

Para se ter uma ideia da importância de termos uma logística à altura da nossa força produtiva, as projeções oficiais do Valor Bruto da Produção (VBP) para 2026 apontam Mato Grosso no topo do país, com cerca de R$ 206 bilhões, respondendo por aproximadamente 15% de toda a riqueza gerada pelo campo brasileiro. Sustentar esse gigantismo exige pressa na integração regional, colocando o Oeste como ponto de partida para esse novo caminho e conectando a força do nosso interior aos mercados internacionais.

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Durante minha trajetória no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), acompanhei de perto o desafio de abrir novos caminhos e encurtar distâncias para o nosso setor produtivo. Sempre defendi que a infraestrutura deve servir como vetor de competitividade. Nesse sentido, a realização de estudos técnicos para expandir o modal ferroviário até Cáceres é um passo decisivo para inserir a região definitivamente no mapa do comércio mundial.

O avanço das Rotas de Integração Sul-Americana, com destaque para o Quadrante Rondon, consolida esse corredor como uma pauta fundamental para o Brasil. A rota envolve Acre, Rondônia e toda a porção oeste de Mato Grosso, conectada à Bolívia e ao Peru. Na prática, trata-se de abrir uma rota mais curta, fortalecendo o intercâmbio com países vizinhos e reduzindo tempo e custos no transporte de mercadorias rumo aos mercados da Ásia-Pacífico.

A viabilidade desse projeto já se traduz em ações concretas. O planejamento do governo federal para a região inclui 10 obras financiadas pelo Novo PAC em Mato Grosso, somando R$ 370 milhões em investimentos. Esses recursos buscam fortalecer a infraestrutura de transporte e de acesso, ampliar a competitividade do estado e contribuir para que essa agenda avance da fase de planejamento para a execução concreta.

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Mas o impacto da Rota Rondon vai muito além de ampliar mercados para o agronegócio. A Zona de Processamento de Exportação (ZPE), a hidrovia, o aeroporto, a proximidade com a Bolívia e a futura integração ferroviária formam uma combinação capaz de transformar Cáceres e o Oeste em um robusto hub logístico, industrial e comercial. Onde a infraestrutura melhora, o comércio cresce, as indústrias se aproximam e os investimentos privados são destravados.

Por isso, esse projeto também deve ser visto como uma política social. Quando a infraestrutura chega, ela não movimenta apenas cargas e mercadorias: leva emprego, renda, autonomia e novas oportunidades para as famílias. O Oeste de Mato Grosso não pode mais ficar à margem do crescimento do estado. Obras estruturantes como essa aproximam o produtor do mercado, impulsionam as cidades e transformam o potencial geográfico em prosperidade real para quem vive e trabalha na região.

(*) Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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Câmara convida população para audiência pública sobre projeto de R$ 68,9 mi para saneamento em Cáceres

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por Marcio Camilo da Cruz

A Câmara de Cáceres realiza nesta terça-feira (23/06), a partir das 18h, no plenário da Casa, audiência pública para discutir o Projeto de Lei nº 11/2026, que autoriza o município a contratar operação de crédito de R$ 68,9 milhões junto à Caixa Econômica Federal. Os recursos são destinados a obras de esgotamento sanitário e ampliação do sistema de abastecimento de água. A população está convidada a participar.

A audiência foi solicitada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que destacou a necessidade de debater a matéria com a sociedade antes da votação em plenário. Os parlamentares manifestaram otimismo com o montante, mas também cautela diante do volume expressivo de recursos envolvidos.

O que o projeto prevê na prática

O valor de R$ 68,9 milhões viabilizaria duas frentes principais:

– Combate à falta de água: construção de uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA), que representaria um reforço significativo no abastecimento, especialmente nos bairros mais periféricos e durante o período de estiagem.

– Tratamento de esgoto: atualmente, Cáceres trata apenas 6% de todo o esgoto coletado, que acaba sendo despejado no Rio Paraguai. Com o investimento, haveria um aumento substancial no tratamento, com impacto direto na despoluição do córrego do Sangradouro – um dos principais da cidade, bastante poluído e que deságua no Rio Paraguai.

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Participação popular

A audiência pública é o momento de a população conhecer os detalhes do projeto, tirar dúvidas e apresentar sugestões. O encontro será presencial, no plenário da Câmara, e terá transmissão ao vivo pelos canais oficiais da Casa.

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Em 10 anos, Mato Grosso perdeu a produção de leite longa vida e viu tradicionais indústrias deixarem o setor

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Mato Grosso, um dos maiores protagonistas do agronegócio brasileiro, vive um paradoxo na cadeia leiteira. Em cerca de uma década, o Estado praticamente deixou de produzir leite longa vida (UHT), resultado da perda de competitividade e da retração da indústria de laticínios.

Entre as empresas que marcaram a produção de leite longa vida no Estado estavam a Leite Nenê, produzida em Nova Canaã do Norte, a Lacbom, da Coopnoroeste, em Araputanga, e o Laticínio Vencedor, em São José dos Quatro Marcos. Essas indústrias ajudaram a impulsionar a economia regional, gerando empregos, renda e mercado para centenas de produtores rurais.

Com o passar dos anos, a produção de leite longa vida foi sendo interrompida. Hoje, o leite UHT consumido pelos mato-grossenses é abastecido, predominantemente, por indústrias de outros estados, enquanto a produção local se concentra em outros derivados lácteos.

O cenário tem gerado críticas à condução das políticas voltadas para a cadeia leiteira durante a gestão do governador Mauro Mendes. Produtores e representantes do setor afirmam que faltaram ações estruturantes para manter a competitividade da atividade, o que contribuiu para a redução da industrialização, o fechamento de linhas de produção e o abandono da atividade por parte de muitos pecuaristas.

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Embora o Governo de Mato Grosso tenha anunciado incentivos fiscais em 2026 para fortalecer os laticínios, lideranças do setor avaliam que as medidas chegaram após anos de perdas acumuladas.

O resultado é um cenário preocupante: um estado reconhecido como potência do agronegócio deixou de produzir, em escala comercial, um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros — o leite longa vida —, impactando produtores, trabalhadores e a economia de diversas regiões do Estado.

 

Por: TM Notícias

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