Destaque
Do boi ao mel, veto europeu impõe efeitos desiguais
A suspensão das compras europeias de produtos brasileiros de origem animal produz consequências diferentes dentro do agronegócio. A carne bovina enfrenta o caminho mais demorado para recuperar o mercado, enquanto frango e mel aguardam o resultado de uma auditoria que pode acelerar a retomada. Para a piscicultura, o prejuízo está menos nas vendas atuais e mais no adiamento da reabertura de um mercado fechado desde 2018.
Na pecuária bovina, o impacto imediato recai sobre frigoríficos habilitados, produtores certificados e fazendas que mantêm animais destinados à União Europeia. Embora o bloco compre uma parcela relativamente pequena da carne exportada pelo Brasil, concentra cortes de maior valor e programas especiais de qualidade.
Redirecionar essa carne para outros países é possível, mas nem sempre preserva a remuneração. Cada mercado compra cortes, pesos e tipos de acabamento diferentes. Um produto preparado para atender ao consumidor europeu pode precisar ser vendido por preço menor em outro destino ou desmembrado para atender compradores distintos.
Para o pecuarista, o primeiro efeito pode aparecer na perda dos adicionais pagos por animais enquadrados nos protocolos europeus. Se os frigoríficos reduzirem ou suspenderem as escalas destinadas ao bloco, também aumenta o risco de pressão sobre a arroba nas regiões com maior concentração de fazendas habilitadas.
A retomada da carne bovina tende a ser mais lenta porque a União Europeia exige a comprovação de que os antimicrobianos vetados não foram utilizados durante toda a vida do animal. Quando não existe documentação histórica suficiente, a formação de um novo rebanho plenamente rastreado pode levar de dois a três anos.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) criaram um protocolo para acompanhar o uso dessas substâncias. As empresas associadas à Abiec e autorizadas a vender ao bloco aderiram ao sistema, mas o modelo ainda precisa ser reconhecido pelas autoridades europeias.
Na avicultura, o problema também é imediato, mas a perspectiva de solução é mais rápida. O ciclo de produção do frango dura aproximadamente 45 dias, o que permite formar novos lotes e comprovar em menos tempo que as aves não receberam as substâncias proibidas.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que a produção destinada à Europa já é segregada e atende às restrições sobre antimicrobianos. O impasse estaria concentrado na fiscalização oficial e na capacidade de demonstrar os controles realizados nas fábricas de ração, granjas, incubatórios e frigoríficos.
Uma missão europeia encerra nesta sexta-feira (4) a auditoria nas cadeias brasileiras de aves e mel. Mesmo que a avaliação seja favorável, os embarques não serão liberados imediatamente. Os técnicos ainda precisam elaborar um relatório e submetê-lo às autoridades da União Europeia.
Se o bloqueio persistir, os frigoríficos de aves poderão direcionar parte da produção para outros compradores. O Brasil vende frango a cerca de 150 países, o que oferece alternativas. A mudança de destino, entretanto, pode reduzir margens, aumentar custos logísticos e provocar excesso de oferta de determinados cortes no mercado interno.
A cadeia de ovos enfrenta situação semelhante, embora tenha exposição comercial menor. O principal obstáculo está na comprovação dos controles sanitários das granjas e dos insumos utilizados na alimentação das aves. Empresas que produzem ovos processados ou destinados à indústria europeia terão de buscar outros mercados até que o Brasil seja novamente habilitado.
No mel, a suspensão atinge uma cadeia formada principalmente por pequenos produtores e cooperativas. A Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura (CBA) sustenta que não há registro de utilização, nas colmeias brasileiras, dos antimicrobianos questionados pela União Europeia.
O setor considera que o mel foi atingido por estar classificado como produto de origem animal, e não pela constatação de alguma irregularidade. Ainda assim, será necessário demonstrar oficialmente a origem do produto, o manejo das colmeias e os controles adotados pelos entrepostos e exportadores.
Para os apicultores, a perda do mercado europeu pode reduzir a concorrência entre compradores e pressionar o preço recebido pelo mel. O impacto tende a ser maior em cooperativas e empresas que construíram contratos com importadores europeus, principalmente para produtos diferenciados, orgânicos ou com origem certificada.
Na piscicultura, não há uma corrente atual de exportações para ser interrompida. O próprio governo brasileiro suspendeu, em 2018, os certificados para a venda de pescado à União Europeia após questionamentos sobre embarcações da pesca extrativa. A aquicultura acabou incluída na medida, apesar de utilizar outro sistema de produção.
O setor vinha trabalhando para recuperar o acesso ao bloco. A nova exigência sobre antimicrobianos acrescenta mais uma etapa ao processo e pode retardar a abertura do mercado para tilápia e outras espécies produzidas em cativeiro. Nesse caso, o prejuízo está na oportunidade que deixa de ser criada.
A carne suína não sofre uma nova perda direta porque o Brasil já não estava habilitado a exportar o produto à União Europeia dentro desse sistema. O efeito pode ser indireto, caso carnes que seriam enviadas ao bloco sejam redirecionadas para destinos onde o produto suíno brasileiro também disputa espaço.
Tripas, miúdos e produtos de menor participação na pauta enfrentam dificuldade semelhante. Embora representem receitas menores, são importantes para o aproveitamento integral dos animais. Quando um frigorífico perde compradores para essas mercadorias, diminui o valor obtido com cada animal abatido.
O quadro mostra que uma eventual liberação parcial não resolverá o problema de todas as cadeias ao mesmo tempo. Frango e mel podem avançar primeiro, dependendo da auditoria encerrada nesta sexta-feira. A carne bovina dependerá do reconhecimento do sistema de rastreabilidade, enquanto a piscicultura continuará discutindo a própria reabertura do mercado.
Até que as autorizações sejam restabelecidas, o maior risco para o produtor é a perda de remuneração. O Brasil dispõe de outros compradores, mas substituir um mercado não significa necessariamente manter o mesmo preço, o mesmo produto e as mesmas condições comerciais.
Fonte: Pensar Agro
Cáceres e Região
Previsão aponta para chuva forte em Mato Grosso no domingo

Reprodução
Passagem de frente fria pode provocar raios e rajadas de vento de até 90 km/h; temperaturas começam a cair no fim de semana
Por Comunicação EMT
Mato Grosso terá quatro dias de instabilidade entre esta sexta-feira (4) e segunda-feira (7), com previsão de chuva moderada a forte, raios e rajadas de vento. Nesta sexta, as precipitações devem se concentrar no norte do estado. No sábado (5), podem ocorrer de forma isolada em diferentes pontos do estado, segundo o NetClima.
As temperaturas permanecem elevadas até sábado, mas caem com a chegada de uma massa de ar frio. Em Cuiabá, os termômetros podem registrar mínimas próximas de 18°C.
“A combinação de chuva, raios e ventos fortes exige atenção redobrada. As rajadas podem lançar galhos, árvores e outros objetos sobre a rede elétrica, além de danificar cabos e equipamentos. Nossa orientação é que a população não se aproxime de fios caídos nem de objetos em contato com a rede. A área deve ser isolada, e a concessionária precisa ser acionada o quanto antes”, afirma Murilo Castilho, coordenador do Centro de Operação da Energisa Mato Grosso.
Durante as tempestades, a orientação é desligar os aparelhos eletrônicos e retirá-los das tomadas, principalmente nos períodos de maior incidência de raios. Reparos em telhados, antenas ou estruturas próximas da fiação também devem ser evitados.
A população deve permanecer em local coberto, longe de árvores, postes, cercas metálicas, torres de transmissão e áreas abertas. Motoristas precisam reduzir a velocidade, evitar trechos alagados e não estacionar perto de árvores, torres ou placas de publicidade.
Contingência
Para responder às ocorrências provocadas pelo mau tempo, a Energisa irá ampliar o número de equipes em campo, posicionar estruturas pesadas em pontos estratégicos do estado e manter o sistema elétrico sob monitoramento 24 horas.
A concessionária utiliza meteorologia, ciência de dados, inteligência artificial e protocolos de contingência para antecipar riscos e direcionar recursos. Alertas meteorológicos, históricos de danos, mapas de vegetação e o mapeamento de áreas vulneráveis a ventos, queimadas e alagamentos orientam o reforço das equipes, o deslocamento preventivo de materiais e a priorização de manutenções.
Ocorrências envolvendo a rede elétrica podem ser informadas pelos canais oficiais de atendimento da Energisa.
Cáceres e Região
Agência Sebrae Cáceres celebra 30 anos com expansão dos atendimentos
O aniversário será comemorado neste sábado (05). Unidade atende 20 municípios e atua no fortalecimento dos pequenos negócios em diferentes frentes do empreendedorismo

A Agência Sebrae de Cáceres celebra 30 anos de existência neste sábado, dia 5 de setembro, com um histórico de ampliação dos atendimentos aos empreendedores de 20 municípios que compõem a Regional Sudoeste. Nos últimos cinco anos, o número de clientes atendidos aumentou de forma progressiva: passou de 3.420, em 2021, para 11.873, em 2025. Somente nos primeiros sete meses deste ano, a unidade já contabilizou mais de 12 mil atendimentos.
Uma das iniciativas do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT), que oportunizou esse crescimento foi a inauguração, em outubro de 2025, de uma agência na cidade de Pontes e Lacerda. Além do munícipio, a região abrange as cidades de Jauru, Vale do São Domingos, Conquista D’Oeste, Nova Lacerda, Comodoro e Vila Bela da Santíssima trindade.

A diretora-Superintendente do Sebrae/MT, Lélia Brun, destaca que Cáceres ocupa uma posição estratégica para Mato Grosso por reunir a força do Pantanal, a integração de fronteira, o potencial turístico e novas oportunidades ligadas à ZPE (Zona de Processamento de Exportação) e à conexão com outros mercados. Segundo ela, os diferenciais presentes ampliam a relevância da região e abrem novas perspectivas para a economia.
“Celebrar os 30 anos do Sebrae em Cáceres é reconhecer uma trajetória construída ao lado dos empreendedores, das instituições e das pessoas que movimentam esta região. Nosso agradecimento a todos que, ao longo desse caminho, contribuíram para construir essa história conosco. O Sebrae Mato Grosso atua para transformar as potencialidades locais em geração de valor e fortalecimento dos pequenos negócios”, enfatiza Lélia Brun.
Além da inauguração da Agência Sebrae Pontes e Lacerda, a instituição firmou parcerias, por meio da Rede Parceira, com os municípios de Rio Branco, Nova Lacerda, Araputanga e Comodoro. “Atualmente estamos presentes nos 20 municípios que compõem a regional. Essa ampliação e esta data são muito importantes para os empreendedores, que podem contar com as ações da nossa instituição”, destacou a gerente da Regional Sudoeste do Sebrae/MT, Cirlene Espicaski.

O Líder de Fronteira busca mobilizar, qualificar e integrar lideranças, além de promover a convergência de iniciativas públicas e privadas para estimular a economia e fortalecer os pequenos negócios.
Agente de crédito e finanças
Com foco no fortalecimento dos pequenos negócios, o Programa Agente de Crédito e Finanças contribui para melhorar a gestão financeira das empresas. A iniciativa auxilia o empreendedor a controlar as finanças, reduzir custos, melhorar os resultados e tomar decisões mais estratégicas.
O programa é gratuito e é voltado para empreendedores formalizados, entre eles os Microempreendedores Individuais (MEIs), Micros e Pequenos Negócios. Além de orientar a organização financeira interna, o programa também oferece apoio ao empreendedor na captação de recursos e no acesso ao crédito, conforme a necessidade e a realidade de cada empresa.
Em 2025, aproximadamente 250 clientes participaram do programa. Já em 2026, no primeiro semestre, esse número já foi alcançado e superado.
“Isso representa um crescimento de 100% no ritmo de atendimento, quando comparamos o primeiro semestre de 2026 como todo o ano de 2025. É um indicador importante da crescente procura dos empreendedores pelo programa. Hoje, percebemos que o crédito e finanças é uma solução muito demandada pelos clientes, com grande adesão”, enfatizou o analista do Sebrae/MT, Reginaldo Balestrin.

Parceria de sucesso
Há 26 anos, Sebastião Mário Giraldelli, proprietário da Tato Embalagens, em Cáceres, iniciava o seu próprio negócio. Inicialmente, o empreendedor achava que sabia o suficiente para gerir a própria empresa. Contudo, os desafios foram surgindo e os convites para se capacitar, por meio das ações do Sebrae de Cáceres, também. Após várias tentativas, o empresário começou a ler livros sobre empreendedorismo e participar das capacitações oferecidas pela instituição.
Passados alguns anos, o empreendedor decidiu fazer faculdade de Administração e demais cursos oferecidos pelo Sebrae, a exemplo do Empretec, programa criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e aplicado com exclusividade pelo Sebrae no Brasil. Além do empresário, a esposa e filha também fizeram o Empretec.
Hoje, aos 61 anos, Sebastião segue buscando aprender, mas a gestão da empresa fica por conta da filha. “Por muito tempo, eu achava que não precisava fazer capacitações porque eu já sabia o suficiente. Mas experimentei um momento de dificuldade na empresa e resolvi buscar mais aprendizados. E isso foi importante para manter o nosso negócio e até mesmo expandir”, frisou.
Atualmente, Sebastião segue dando apoio ao próprio negócio e faz parte de associações em prol do comércio local. “Estou sempre pronto para ajudar no que diz respeito a promover capacitações para os empreendedores. Atuo para trazer nomes importantes do empreendedorismo para nossa região”, finalizou.
Mais ações
Além dos atendimentos e programas gratuitos, a Agência Sebrae Cáceres dispõe de consultorias, palestras e outras atividades voltadas às necessidades dos empreendedores que desejam crescer e inovar seus negócios. A unidade ainda dispõe de programas pagos. Os interessados podem entrar em contato com a Central de Atendimento do Sebrae pelo 0800 570 0800, disponível 24h por dia, de segunda-feira a domingo, inclusive pelo WhatsApp. Também é possível procurar um dos pontos de atendimento no estado. Confira os locais no link.
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