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Clima causa perdas de R$ 455,5 bilhões e ameaça infraestrutura do agro
Estradas interrompidas, pontes destruídas, lavouras inundadas, reservatórios vazios e falhas no fornecimento de energia transformaram o clima em um dos principais riscos à produção agropecuária brasileira. Entre 2015 e 2024, eventos extremos atingiram 84,5% dos municípios do País e provocaram R$ 455,5 bilhões em danos materiais e prejuízos públicos e privados.
Para o produtor rural, as perdas não ficam restritas à porteira. Enchentes, secas, vendavais e deslizamentos também comprometem o transporte de insumos, o escoamento das safras e o funcionamento de armazéns, frigoríficos, cooperativas e agroindústrias. A interrupção de energia ou das telecomunicações pode paralisar sistemas de irrigação, aviários, granjas, ordenha, resfriamento e processamento.
O levantamento do programa AdaptaCidades, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), mostra que 4.708 dos 5.570 municípios brasileiros registraram algum desastre no período analisado. Aproximadamente 1,7 milhão de moradias foram danificadas e outras 293 mil ficaram destruídas.
Os registros oficiais contabilizam 324,6 milhões de ocorrências de pessoas afetadas. O número não representa brasileiros diferentes, porque uma mesma pessoa pode ter sido atingida mais de uma vez ao longo dos dez anos. Desse total acumulado, 113,4 milhões de registros envolvem impactos diretos, como mortes, ferimentos, doenças, desabrigo, desalojamento ou desaparecimento.
A frequência dos episódios também aumentou. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou 7.539 desastres associados às chuvas, ante 2.335 durante toda a década de 1990. O avanço de 222,9% foi identificado em estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
A agropecuária está entre as atividades mais expostas porque depende diretamente da temperatura, da disponibilidade de água e da regularidade das chuvas. Ao mesmo tempo, grande parte da produção está distante dos principais corredores logísticos e utiliza estradas municipais com pouca pavimentação, drenagem insuficiente e manutenção irregular.
Quando uma estrada rural deixa de oferecer condições de tráfego, fertilizantes, sementes, defensivos, rações e combustíveis não chegam às propriedades no momento necessário. No sentido contrário, leite, frutas, hortaliças, animais e grãos podem não alcançar as unidades de beneficiamento, os frigoríficos ou os portos dentro dos prazos comerciais.
As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul mostraram a dimensão desse risco. Somente a agricultura e a pecuária acumularam perdas superiores a R$ 5,3 bilhões nos municípios que declararam situação de emergência. O desastre também atingiu cooperativas, silos, agroindústrias, rodovias, pontes e estruturas utilizadas para armazenar e transportar a produção.
A exposição não se limita às regiões sujeitas a enchentes. Análise do Banco Central (BC), ao comparar os períodos de 2000 a 2004 e de 2019 a 2023, identificou aumento de temperatura em aproximadamente 4,3 mil municípios e redução das chuvas em outros 4,3 mil.
Nos 558 municípios que apresentaram as maiores quedas de precipitação estavam concentrados R$ 122,5 bilhões em operações ativas de crédito rural em junho de 2024. O valor correspondia a pouco mais de 17% da carteira nacional e mostra que parte relevante do financiamento agropecuário está aplicada em regiões submetidas a alterações no regime de chuvas.
O Brasil elevou os investimentos em infraestrutura para aproximadamente R$ 280 bilhões em 2025, recorde da série acompanhada pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). O montante cresceu 3% em relação ao ano anterior, correspondeu a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e teve cerca de 80% dos recursos provenientes do setor privado.
O avanço oferece uma oportunidade para incorporar a adaptação climática aos novos projetos. O volume investido, entretanto, ainda está distante do necessário para superar os gargalos acumulados pelo País. Estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica a necessidade de aproximadamente R$ 550 bilhões por ano, equivalentes a 4,65% do PIB, durante duas décadas.
Isso significa que o investimento atual representa pouco mais da metade do volume anual considerado necessário. O desafio não é apenas ampliar a infraestrutura, mas evitar que obras recém-construídas sejam perdidas ou precisem de reconstrução após a repetição de eventos extremos.
Os R$ 455,5 bilhões em prejuízos climáticos não devem ser comparados diretamente com os R$ 280 bilhões investidos em infraestrutura. O primeiro valor reúne danos acumulados durante dez anos, enquanto o segundo corresponde aos investimentos de apenas um ano e abrange diferentes setores. Os números, porém, demonstram a pressão simultânea para ampliar a estrutura existente e recuperar aquilo que foi destruído.
No meio rural, a adaptação passa por estradas com sistemas adequados de drenagem, pontes e bueiros dimensionados para volumes maiores de água e redes de energia e comunicação menos sujeitas a interrupções. Armazéns, ferrovias, hidrovias e terminais portuários também precisam considerar os riscos de enchentes, estiagens prolongadas e mudanças nos níveis dos rios.
Dentro das propriedades, práticas de conservação do solo, cobertura vegetal, terraceamento, drenagem, reserva de água, irrigação eficiente e diversificação da produção ajudam a reduzir a vulnerabilidade. O planejamento precisa ser acompanhado por informações meteorológicas, assistência técnica, crédito para adaptação e seguro rural com alcance suficiente para proteger a renda.
O AdaptaCidades foi criado para apoiar Estados e municípios na elaboração de planos de adaptação. Para que os resultados cheguem ao campo, esses projetos precisam contemplar estradas vicinais, travessias, abastecimento de energia, comunicação, armazenamento, defesa civil rural e rotas utilizadas pelo transporte de alimentos e insumos.
O recorde de investimentos representa um ponto de partida, mas o avanço da produção brasileira exigirá infraestrutura preparada para um clima mais instável. Para o produtor, prevenção significa menos dias de máquinas paradas, menor custo logístico, redução das perdas e maior segurança para decidir quanto plantar, investir e contratar.
*Imagem: reprodução/victor da matta noticias/JARDIM ALEGRE – PARANA
Fonte: Pensar Agro
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CAPS TM III promove palestra sobre saúde mental e reforça importância da escuta e do acolhimento
Em alusão ao Setembro Amarelo, o CAPS TM III realizou nesta sexta-feira (18) uma palestra voltada aos pacientes da unidade, com orientações sobre saúde mental, prevenção ao suicídio e a importância de estar atento aos sinais apresentados por familiares e amigos.
Durante o encontro, a psicóloga Dra. Eliane Mansour destacou que buscar ajuda profissional não deve ser visto como sinal de fraqueza e que não é preciso esperar o sofrimento chegar a um estágio grave para procurar atendimento.
“A pessoa que procura ajuda já está, muitas vezes, em um estágio em que não consegue se regular. Essa fragilidade precisa ser validada. Saúde mental ainda é muito incompreendida e muitas pessoas associam o tema à loucura, mas não é isso”, explicou.
Segundo a psicóloga, procurar ajuda também é uma oportunidade de autoconhecimento e cuidado. “Nem sempre é necessário estar em um estágio muito ruim para procurar ajuda. O sofrimento é particular e, muitas vezes, invisível. Reconhecer essa fragilidade e buscar apoio é uma forma de cuidado”, acrescentou.
O psiquiatra Dr. Jaime Benevides também participou da conversa e chamou a atenção para os comportamentos que podem esconder um sofrimento emocional. Ele falou sobre a chamada “falsa alegria” e sobre como a sociedade atual, marcada pela competitividade, pelo consumo e pela exposição constante nas redes sociais, pode criar uma imagem de felicidade que nem sempre corresponde à realidade.
“Precisamos estar alertas conosco mesmos e com a nossa saúde mental. É preciso estar atento ao que vemos, ouvimos, sentimos, pensamos e falamos e, acima de tudo, ao que fazemos”, orientou.
Durante a palestra, o profissional reforçou ainda a importância de observar mudanças de comportamento, como isolamento, alterações na forma de falar ou de se relacionar, e outros sinais que possam indicar que alguém está passando por um momento difícil.
A orientação é que familiares e amigos pratiquem uma escuta ativa, demonstrem presença e acolhimento e, quando necessário, ajudem a pessoa a buscar atendimento com um profissional de saúde.
Após a palestra, a equipe do CAPS preparou um lanche para os pacientes, encerrando o momento de conversa e acolhimento de forma leve e descontraída.
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Vacinação contra a influenza chega às escolas para ampliar proteção dos estudantes
Além das ações de conscientização, a equipe da Unidade de Saúde do bairro Água Limpa também aproveitou a presença dos estudantes na escola para levar a vacinação contra a influenza. A ação foi realizada nos dois períodos, atendendo os alunos do Colégio Estadual Elmaz Gattas que tinham autorização dos pais ou responsáveis para receber a vacina.
Ao todo, foram administradas mais de 170 doses da vacina contra a influenza, facilitando o acesso dos adolescentes à imunização e aproximando ainda mais a unidade de saúde da comunidade escolar.
Para o gerente da unidade, Emerson Duarte, ações como essa são importantes não apenas para ampliar a cobertura vacinal, mas também para fortalecer o vínculo entre a saúde e a escola.
“A vacinação é uma forma de prevenção e proteção. Quando conseguimos levar esse serviço para dentro da escola, facilitamos o acesso dos alunos e também aproximamos a equipe de saúde da comunidade escolar. É um trabalho que ajuda a cuidar dos nossos jovens e de toda a comunidade”, destacou.
E, apesar de ser um procedimento rápido, a aplicação da vacina também rendeu momentos de descontração. Alguns alunos chegaram ansiosos e até com medo da agulha. O nervosismo acabou virando motivo de brincadeiras e risadas entre os colegas e a equipe, deixando o ambiente mais leve.
Entre uma brincadeira e outra, os estudantes encararam a tão temida picadinha e saíram imunizados.
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