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Integração Brasil/Bolívia chama atenção de investidores estrangeiros

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Da Redação
      Uma alternativa antiga à integração Brasil/Bolívia entre as cidades de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) e San Inácio (Bolívia), tem chamado atenção de investidores estrangeiros, especificamente, asiáticos para a redução logística e o fortalecimento comercial dos países da América do Sul com a Ásia. Há expectativas dos aportes financeiros se tornarem realidade em pouco tempo, caso o governo brasileiro e o país vizinho efetivem o asfaltamento da rodovia binacional, Brasil/Bolívia.
      Num resumo da situação na região levantada no início deste mês, em Vila Bela da Santíssima Trindade a comunidade Palmarito (Brasil), o Governo de Mato Grosso ja pavimentou cerca de 40 km da MT-199 (anteriormente parte da BR-174 no projeto) que liga a cidade ao Destacamento Militar de Palmarito, na fronteira. A licitação para esses trechos finais ocorreu no final de 2025.
      A previsão é de que a pavimentação melhore significativamente o acesso, que antes era de terra, poeira e atoleiros. No lado boliviano até San Ignacio de Velasco, a rodovia é predominantemente de terra/chão batido, numa extensão de 140 km que ainda necessitam de pavimentação para completar a ligação asfáltica até San Ignacio. Lá também há acordos para asfaltar esse trecho na Bolívia, visando a integração, mas o asfalto contínuo ainda não está concluído em todo o trajeto até 2027.
       Em uma Audiência Pública na Comissão de Relações Exteriores, no Senado, em Brasília, em 2024, o mato-grossense de Cáceres, atual presidente do Comitê Pró-asfaltamento e Integração Brasil/Bolívia, Pedro Lacerda, defensor histórico da integração entre os dois países, já avaliava essa evolução da região.
     “Bem mais importante até mesmo que a conclusão do esperado asfalto, que vai ser concluído, é a consolidação econômica na faixa de fronteira, atendendo as expectativas de desenvolvimento econômico e social entre as duas cidades. Ainda em sua análise, Pedro Lacerda, afirma a os dois países reduziram as distancias até os portos do oceano pacífico no Chile e Peru em direção aos países asiáticos.
     A conclusão do asfalto requer de imediato, a construção de um terminal aduaneiro para controle das exportações e importações na região. “Reputo a necessidade de uma aduaneira. A falta dessa fiscalização obrigou Brasil e Bolívia viverem nesses últimos tempos um de costas para o outro. Não existe nenhum tipo de relação legal entre bolivianos e brasileiros”, observou Pedro Lacerda.
       A fragilidade na relação institucional na fronteira enfraquece a economiza entre Brasil e Bolívia. Conforme relatos do Comitê, San Inácio ainda consegue um avanço ao exportar diariamente toda a produção bovina para o porto de Arica, no Chile, numa distância de 1,3 mil quilômetros. Já em Pontes e Lacerda, município vizinho de Vila Bela da Santissima Trindade atua no corte da carne bovina, mas não tem permissão para trafegar por San Inácio rumo ao porto de Arica.
       A carne brasileira enfrenta mais de 2 mil quilômetros de rodovias até o porto de Santos (SP) para embarcar para o oceano atlântico até a europa e ásia.
      “A viabilidade de reduzir distância e economizar depende de detalhes que estão sendo tratados entre os dois países aqui da fronteira Brasil e Bolívia”, amenizou Pedro.
Conforme ele, a integração é fundamental para beneficiar os dois países. Para o Brasil, a importação de Sal da Bolívia é um dos motivos nessa comercialização e historicamente Vila Bela, que importa Ureia da Ucrânia, será beneficiada.
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Rompimento em estação de esgoto contamina córrego e mobiliza autoridades em Mirassol d’Oeste

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Por Assessoria

A Defesa Civil informou, o rompimento de uma estação de tratamento de esgoto no município de Mirassol d’Oeste. O incidente causou impacto direto no córrego do André, gerando preocupação quanto à qualidade da água e possíveis riscos à saúde da população.

De acordo com o comunicado oficial, a SEMA já realizou a coleta de amostras da água para análise laboratorial. Enquanto o laudo técnico não é divulgado, a orientação das autoridades é que moradores evitem qualquer contato com a água do córrego, bem como o seu consumo.

A Prefeitura Municipal informou que medidas emergenciais já estão sendo adotadas para conter os danos e solucionar o problema na estrutura da estação de tratamento. Equipes técnicas atuam no local para reparar o sistema e minimizar os impactos ambientais.

O caso segue em monitoramento, e novas informações devem ser divulgadas após a conclusão das análises, que irão determinar o nível de contaminação e as ações adicionais necessárias.

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Fronteira da Dignidade: A resistência contra o silenciamento dos Direitos Humanos em Cáceres

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Por Assessoria

Em Cáceres, onde o Brasil se encontra com a Bolívia ao longo de mais de 700 quilômetros de fronteira seca, o Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH) se consolida como um verdadeiro porto seguro contra a invisibilidade e a desumanização. No dia 16 de abril de 2026, a notícia de um possível fechamento da unidade, motivado por contenção de custos, mobilizou a sociedade civil e autoridades em uma audiência pública na Câmara Municipal, transformando o plenário em um espaço de defesa firme e inegociável da dignidade humana.

A coordenadora do centro, Polianna de Souza, abriu o debate com um lembrete essencial: embora o CRDH já tenha alcançado mais de 20 mil pessoas desde sua criação, seu verdadeiro impacto não cabe em números.
Ele se revela nas trajetórias reconstruídas. Como a de Lucia Melo Garrido e de seu esposo, o artesão chileno Hiram Garrido Sanhueza, que por anos viveram à margem, dormindo sob o teto da universidade local apenas quando a cidade silenciava. Ex-moradores de rua, o casal de artesãos encontrou no CRDH a ponte para a documentação e, consequentemente, para a educação. “Esperávamos a cidade dormir para poder descansar”, relatou Lúcia em um depoimento que silenciou o plenário. Hoje, aos 54 anos, ela está concluindo o ensino médio e planeja a faculdade, junto com Irã, e também se especializam em cursos técnicos. O relato deles evidencia que o fechamento da unidade não economiza dinheiro; ele interrompe trajetórias de dignidade.

Essa atuação se sustenta em uma rede institucional que articula diferentes níveis do sistema de justiça. O defensor público estadual Diego Rodrigues Costa destacou o papel estratégico do centro no atendimento a famílias de pessoas privadas de liberdade, um grupo frequentemente invisibilizado e penalizado junto com quem está preso. Segundo ele, o CRDH se tornou a principal ponte entre essas famílias e a Defensoria Pública, especialmente em questões que envolvem saúde mental e dignidade no sistema carcerário.

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A mesma percepção foi compartilhada pelo defensor público da União, Renan Souto Maior, que ressaltou a importância da unidade na identificação de casos de trabalho análogo à escravidão e na regularização de crianças brasileiras nascidas em território boliviano. A presença de Grover Paco Arce, representante do Consulado da Bolívia, evidenciou que a atuação do CRDH ultrapassa fronteiras nacionais, lidando com uma realidade transfronteiriça complexa, onde violações de direitos frequentemente não encontram resposta institucional adequada. Sem essa estrutura na ponta, muitas dessas situações sequer chegam ao conhecimento das instâncias judiciais.
O secretário adjunto de Direitos Humanos, Cristiano Nogueira, enfatizou que sua participação no encontro visava, acima de tudo, abrir os ouvidos para as realidades de quem vive na fronteira. Ao se colocar como um elo entre o território e a capital, Cristiano buscou garantir que o trabalho de manutenção do Centro de Referência não ficasse restrito aos debates da Câmara.

A indignação diante da ameaça de fechamento ganhou dimensão política na fala do vereador Cézare Pastorello. Ele chamou atenção para uma contradição estrutural: enquanto se luta para preservar um equipamento essencial, o município convive com outras violações massivas de direitos. Entre elas, a ausência de transporte público, que compromete o acesso de idosos a serviços bancários, de estudantes às escolas e de pacientes às unidades de saúde. Trata-se, segundo o parlamentar, de uma barreira concreta ao exercício da liberdade, um direito que, na prática, segue negado a grande parte da população.

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O debate também apontou caminhos. Rodrigues Schneider, da Ouvidoria Geral de Polícia de Mato Grosso (OGP-MT), sugeriu a evolução do modelo atual para uma unidade especializada de fronteira, capaz de responder a demandas específicas como o tráfico de pessoas e o atendimento a migrantes de múltiplas nacionalidades. A complexidade social de Cáceres, marcada por desigualdades profundas e pelo racismo estrutural, refletido de forma evidente no sistema prisional, como destacou Marcela Profeta, exige não apenas a manutenção, mas o fortalecimento das políticas públicas de direitos humanos.

Outras vozes reforçaram a urgência do tema. Valquíria de Souza, do Conselho Municipal de Educação (CMEC), alertou para os entraves documentais que ainda impedem crianças migrantes de acessarem a escola, perpetuando ciclos de exclusão. Representantes do Ministério Público, da OAB e da Organização Internacional para as Migrações foram unânimes: a rede de proteção social de Cáceres depende diretamente da atuação do CRDH.
Ao final, muito além do que uma audiência, o encontro consolidou um posicionamento coletivo. A economia de recursos não pode servir de justificativa para o apagamento de vidas. Manter o CRDH ativo é garantir que a fronteira não se transforme em linha de abandono, mas permaneça como território de encontro, acolhimento e afirmação de direitos.

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