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Sal e Hipertensão Arterial

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O sal comum (cloreto de sódio( NaCl)) é fundamental para a vida e é uma de nossas sensações gustativas fundamentais, assim como o amargo e o doce. Além disso, ressalta os sabores dos alimentos.

O sal era venerado pelas culturas antigas e em regiões onde era escasso, servia de dinheiro. Na Idade Média era chamado de “ouro branco”. Por causa dele, construíram-se estradas, erigiram-se cidades e fizeram-se revoluções. Os romanos usavam o sal como parte do pagamento de seus soldados, em suas grandes excursões de guerras e conquistas, daí a palavra salário (salarium).

Se o sal é tão importante, essencial para a vida, acentua os sabores de nossos alimentos, ajuda a preservá-los, faz parte de sensação gustativa primordial, por que essa preocupação das instituições médicas em reduzir seu consumo?

As razões, simples, são duas: porque muitas pessoas são sensíveis ao sal, em especial os hipertensos, idosos e diabéticos. Uma dieta rica em sódio aumenta o volume de sangue circulante, sobrecarregando os rins e o coração e prejudica a capacidade dos vasos sanguíneos de dilatar, alterando a flexibilidade das artérias e dificultando a irrigação dos tecidos do corpo; consequentemente o consumo exagerado de sal faz sua pressão arterial elevar-se e pode provocar-lhes infartos, AVCs, insuficiência cardíaca e insuficiência renal.

A segunda razão é porque utiliza-se cada vez mais sal na alimentação e estudos populacionais mostraram que a redução de sal na dieta leva a expressiva quedana mortalidade

Em estudo da Universidade da Califórnia utilizando modelos de computação, mostrou-se que a diminuição no consumo por pessoa de 3 gramas de sal por dia, reduziria em um ano nos EUA, aproximadamente 100.000 infartos, 100.000 AVCs e 100.000 mortes por outras causas.

Nos anos 1970, a Finlândia implementou iniciativas para reduzir o consumo de sal na população, visando reduzir a pressão arterial. Entre 1972 e 2002, como resultado dessas campanhas, reduziu-se 40% no consumo de sódio. Os valores das pressões máximas e mínimas caíram em média 10 a 15 mm e as mortes cardiovasculares ,75% a 80%.

Estudo recente publicado no confiável periódico americano Circulation, constata também em estudo populacional, que cada 1.000 mg (1g) de sódio ingerido por dia além do recomendado, eleva o risco cardiovascular em 17%.

Porisso os esforços dessas instituições em campanhas para reduzir o consumo de sal, tanto quanto no combate ao tabagismo, à obesidade e ao colesterol elevado.

No Brasil consome-se em média 12 gramas de sal por dia e em alguns estados, chega a 15 gramas por dia, bem mais do que o dobro do recomendado pelas instituições de saúde, como veremos.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)está promovendo uma campanha, já aceita por vários segmentos da indústria alimentícia nacional, para reduzir a quantidade de sal dos alimentos industrializados.

O aumento de sal em nosso consumo do dia a dia deve-se em parte ao aumento do consumo de comida industrializada. Cerca de 70% do sal ingerido pelo brasileiro médio, vem de alimentos processados e temperos prontos.

 A indústria alimentícia utiliza excesso de sal por duas razões: para conservar melhor os alimentos e porque o sal atrai água, consequentemente aumentando o peso dos produtos (é para dar “suculência”, eles dizem).

Em um hambúrguer salgado no padrão indústria, economiza-se 20% de carne, substituída pela água atraída pelo sal.Considere-se também que a indústria dos hambúrgueres frequentemente é a mesma que produz os refrigerantes, consumidos sem dó após um lanche salgado.

Esse exagero de sal não é apenas nos hambúrgueres.

Um prato de sopa industrializada pode ter até a metade da dose diária de sódio recomendada pela Anvisa. Uma pesquisa do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) com 42 sopas prontas, entre desidratadas, instantâneas e congeladas de 18 marcas, mostrou que algumas delas chegavam a ter 51% da recomendação diária para adultos. Se na mesma refeição forem consumidos mais um pão francês e uma colher de queijo parmesão ralado, a ingestão de sódio sobe para até 71% do recomendado por dia.

Segundo os pesquisadores do Idec, os consumidores precisam aprender a ler os rótulos. E atentar para os doces e os refrigerantes, que também contêm sódio.

E qual o limite considerado saudável por essas instituições que zelam pela nossa saúde?  O limite preconizado pela Organização Mundial da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, é de 5.000 mgde sal (2.000 mg de sódio)por dia.

Alguns estudos sugerem que dieta com muito pouco sal pode ser prejudicial à saúde. Não é o que estudos recentes e mais consistentes afirmam. Tanto que a Sociedade de Cardiologia Americana (American Heart Association) recomenda 1.500 mg de sódio por dia(3,5 g de sal) para a maioria dos adultos, ou seja, para oscom mais de 60 anos, os hipertensos, os com insuficiência renal e os diabéticos.

Os rótulos em geral registram a quantidade de sódio. O sal é composto por dois íons, cloreto e sódio. Os dois têm peso molecular diferente, o átomo de cloro é mais pesado que o de sódio, portanto 1 grama de cloreto de sódio contém aproximadamente 600 mg de cloreto e 400 mg de sódio. Quando lê-se 5 gramas (5.000 mg) de sal por dia, entenda-se 2 gramas (2.000 mg) de sódio por dia.

Há diferença entre os diversos tipos de sais?  Há sais que nãocausam prejuízo à saúde? E o sal rosa do Himalaia?

A resposta é não. Todos os sais têm de 98% a 99% de cloreto de sódio. E todos devem ser consumidos com moderação.

O sal rosa do Himalaia, que na verdade é do Paquistão, a centenas de quilômetros do Himalaia, é extraído de rocha em Khewra, Punjab. Sua cor rosa deve-se à terra rica em ferro e levemente rosada da região.

Diz-se que o sal rosa tem menos sódio que o sal “normal”, de cozinha. Não tem. Isto é porque em algumas preparações, a adição de umectantes deixa o produto mais úmido, diminuindo a proporção de cloreto de sódio, ou seja, de sal na mistura. Mas comparando peso por peso, excluída a umidade, haverá sempre 98% a 99% de cloreto de sódio em ambas.

Diz-se que o sal rosa do Himalaia contém 84 minerais. Pode ser verdade. São impurezas que dão a tal cor rosa. Entre esses minerais estão alguns extremamente tóxicos, como: tálio, chumbo, mercúrio, plutônio, arsênico, selênio, e outros.

Então sal rosa do Himalaia faz mal? Não. A quantidade de minerais é tão ínfima que não faz mal, tampoucoos outros minerais fazem bem.

Por exemplo um desses metais,o cálcio, cuja necessidade diária para nós de acordo com a Organização Mundial de Saúde é de 1.000 mg ao dia, está contido na proporção de 4 mg por 1.000 mg de sal rosa. Ou seja, seria necessário consumir 250.000 mg de sal rosa para obtermos 1.000 mg do cálcionecessário por dia. Impraticável.

Se você gosta da cor rosa e não se importa de pagar 20 a 30 vezes mais pelo sal que vai usar, tudo bem, desde que não ultrapasse os 2.000 mg de sódio ao dia.

Há também o sal azul da Prússia, o sal vermelho do Havaí-que é misturado a algas vermelhas e argila, o sal negro do Havaí, que é moído com as cinzas dos vulcões, o sal vermelho da índia, o sal cinza (sel gris) da França.Há o sal marinho, que é extraído de salinas com algumas impurezas por isso pode ter cor mais escura,

Com exceção da cor, todos são cloreto de sódio a 98%-99% e dependendo da umidade contida, podem ter menor porcentagem dos íons.

Há também os sais defumados do Japão, da França; o sal em flocos de Maldon na Inglaterra e do Chipre, a flor de sal(fleur de sel) de Guerlande na França.

Há o sal Kosher, retirado de mina ou de salina sob supervisão de rabinos, cujos cristais são grossos e irregulares para aderirem à carne crua(tradicionalmente é usado para cobrir carnes cruas de aves e animais para purificá-las). Este sal é ótimo para usar no churrasco depois de pronto. Claro, assa-se a carne sem sal e salga-se depois com este sal. Ou com qualquer sal grosso moído na hora.

Porém, com exceção dos sais defumados, estudiosos de culinária que testaram os vários tipos de sais não encontraram diferenças no sabor, o que era de se esperar, pelas quantidades minúsculas das impurezas que dão cor.

Esses sais alternativos têm uma desvantagem: não são iodados, na maioria deles. E o Iodo é também fundamental à saúde, em especial para as grávidas, cuja deficiência pode levar a retardo mental do recém-nascido.

Há no mercado alguns sais “light”, que contêm metade de cloreto de sódio e metade de cloreto de potássio. O cloreto de potássio tem sabor azedo e juntamente com o cloreto de sódio, pode ajudar no sabor salgado, sendo uma alternativa para aqueles que querem reduzir o sódio mas não querem abrir mão do sal.

Em resumo, não se iluda, quando comer sal, independentemente da cor ou do que dizem os vendedores, saiba que os sais são todos iguais. Coma aquele que lhe aprouver, mas coma menos.

Portanto, faça um favor a você mesmo, use menos sal, tempere as saladas com limão ou vinagre. Nos pratosuse temperos à vontade, como alho, ervas, pimenta, etc., mas diminua o sal, de qualquer cor, de sua dieta.

Viva saudável.

José Almir Adena é médico cardiologista e um dos fundadores do departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia(SBC). Participou das primeiras diretrizes de cardiogeriatria publicadas pela SBC. Membro da Academia de Medicina de Mato Grosso –Cadeira 7.

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Lei Kandir e FEX essenciais para os municípios

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Os municípios iniciam 2020 com importantes pendências no Executivo e Legislativo federais. O não pagamento do Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações/FEX nos dois últimos anos frustrou a expectativas dos gestores que aguardavam a receita para honrar compromissos e fazer investimentos. Além disso, a Lei Complementar 86/1997, que dispõe sobre a Lei Kandir, não foi votada pelo Congresso, embora o Supremo Tribunal Federal tenha dado um prazo para a apreciação da matéria.

Ambos os temas estão interligados, integram a pauta municipalista nacional e são de grande importância para as administrações municipais, pois repercutem diretamente nas finanças das prefeituras. Há mais de 20 anos o Governo Federal criou a Lei Kandir, que desonera de pagamento de ICMS toda produção primária ou semielaborada destinada à exportação e tem como objetivo principal manter o equilíbrio da balança comercial brasileira.

Para restituir os estados e municípios dos efeitos da desoneração, a União teria que fazer uma compensação para evitar impactos negativos nas receitas desses entes federados. Para tanto, foi estabelecido o FEX com um valor fixo de 1,950 bilhão como mecanismo de compensação para todos os estados exportadores, cujo critério de distribuição é o volume de exportação de cada unidade federativa.

Porém, os últimos governos nunca tiveram a intenção de fazer esse reparo, por isso nos mobilizamos em Brasília por vários anos consecutivos, pressionando as nossas lideranças e representantes de outros estados para fazer com que o Governo Federal fizesse esse repasse.

Cabe destacar que não existe lei que obrigue o Governo a fazer essa compensação, pois quando a Lei Kandir foi criada ficou estabelecido que o Congresso Nacional aprovaria uma Lei Complementar definindo os valores dessa compensação e os critérios da sua distribuição. Já se passaram mais de 20 anos e o Congresso não aprovou a lei e ficou praticamente inerte sobre esse assunto.

Quando assumimos a presidência da AMM, em 2015, fizemos um estudo sobre as perdas que o estado de Mato Grosso e os municípios estavam tendo anualmente com a desoneração do ICMS dos produtos exportados. Levamos ao conhecimento da equipe do Governo do Estado da época, mas não percebemos interesse pela resolução do problema. Então, procuramos a Bancada Federal e juntamente com o senador Wellington Fagundes elaboramos o Projeto de Lei 288/2016, visando à compensação integral aos estados e municípios das perdas de receita causadas pela desoneração das exportações. Em 2015, por exemplo, o estado de Mato Grosso e os municípios deixaram de arrecadar cerca de R$ 5 bilhões e o governo fez uma compensação através do FEX de R$ 310 milhões.

O impasse sobre a Lei Kandir chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Gilmar Mendes, ao analisar uma demanda judicial do estado do Pará, estabeleceu um prazo de dois anos para que o Congresso Nacional aprovasse uma Lei Complementar que regulamentasse a compensação. Novamente a AMM teve participação importante, não só no pedido da criação da comissão que trataria dessa determinação do ministro Gilmar Mendes , como também em todas as audiências que foram realizadas para debater o assunto.

No Congresso Nacional foram criadas duas Comissões, uma na Câmara Federal, presidida pelo deputado José Priante, do Estado do Pará, e uma outra envolvendo as duas casas, cujo relator foi o senador Wellington Fagundes, autor da proposta da criação da Comissão Mista.

Após a aprovação dos dois relatórios pelas respectivas comissões houve uma fusão, resultando no Projeto de Lei 511/2018 que está no gabinete do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, com o qual já nos reunimos várias vezes, com a participação de representantes de três frentes parlamentares, mas mesmo assim não foi o suficiente para sensibilizá-lo em colocar o projeto em pauta para votação. O projeto 511/2018 prevê uma compensação de R$ 6 bilhões para Mato Grosso, começando com aproximadamente R$ 2 bilhões no primeiro ano e em três anos chegaria na casa dos R$ 6 bilhões.

Com relação ao FEX, o governo Temer não fez o repasse em 2018, estimado em mais de R$ 500 milhões para Mato Grosso. Em 2019, por mais que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenha se comprometido com senadores, deputados federais, governadores e prefeitos, a realizar o repasse, ainda não cumpriu o que prometeu publicamente.

Para viabilizar esses recursos para os municípios, vamos continuar trabalhando em Brasília, junto a nossa Bancada Federal e com parlamentares de outros estados que também são penalizados com a não compensação da Lei Kandir, para que esse tema seja inserido na Reforma Tributária e amplamente debatido este ano.

Essa luta será uma das nossas prioridades em 2020, pois o governo de Mato Grosso e os seus municípios não suportam mais a interferência federal em suas receitas, sem uma justa compensação. Quem está pagando essa conta é a população que trabalha e produz riquezas, que ajuda a fortalecer a economia do país, que suporta uma altíssima carga tributária, porém é carente de serviços públicos eficientes, de uma logística de transporte estratégica, de segurança integrada e de qualidade de vida satisfatória.

Neurilan Fraga -Presidente da AMM

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A revolução das máquinas e dos empregos: criador ou exterminador do futuro?

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A natureza do trabalho está mudando, isso é um fato. Mas como a automação e digitalização afetam os negócios? As mudanças na demanda e habilidades exigem maiores investimentos em capital humano fundamental. Então, por onde o governo de Mato Grosso pode começar?

As inovações e o progresso tecnológico sempre causaram perturbações na humanidade. Desde o século 18, na primeira revolução industrial, a ideia de que as máquinas estão chegando para assumir nossos empregos sempre foi motivo de preocupação. Entretanto, as inovações criaram mais prosperidade do que destruíram empregos.

A tecnologia está gerando oportunidades, abrindo caminhos para novos tipos de empregos, aumentando a produtividade e melhorando a prestação de serviços públicos. Quando consideramos o escopo do desafio de nos prepararmos para o futuro do trabalho, é importante entender que muitas crianças atualmente na escola primária trabalharão em empregos que não existem hoje.

Afinal, temos que focar onde? No capital humano. Muitos empregos no futuro exigirão habilidades específicas em uma combinação de know-how tecnológico, resolução de problemas e pensamento crítico, além de habilidades como perseverança, colaboração e empatia.

Em Mato Grosso, a inovação continuará se acelerando e precisamos tomar medidas rápidas para garantir que possamos competir na economia do futuro. Precisamos investir nas pessoas com urgência, especialmente nas áreas da saúde e educação, que são os alicerces do capital humano, para aproveitarmos os benefícios da tecnologia.

No Banco Mundial existe um projeto de capital humano que mede as consequências da negligência em investir em capital humano, em termos de produtividade perdida da próxima geração de trabalhadores. Nos países com os menores investimentos de capital humano atualmente, a análise sugere que a força de trabalho do futuro será de apenas a metade da produtividade que seria possível se as pessoas desfrutassem de saúde e recebessem uma educação de alta qualidade.

Quatro em cada 5 pessoas nos países em desenvolvimento, como no Brasil, nunca souberam o que significa viver com proteção social. No mundo, com 2 bilhões de pessoas trabalhando no setor informal, desprotegidas pelo emprego estável, pelas redes de segurança social ou pelos benefícios da educação, novos padrões de trabalho estão se agregando a um dilema que antecede as últimas inovações.

Precisamos criar novas maneiras de investir nas pessoas e protegê-las, independentemente de sua condição de emprego. Isso pode ser feito com as reformas setoriais certas, como acabar com subsídios inúteis, melhorar as regulamentações do mercado de trabalho e revisar as políticas tributárias. Investir em capital humano deve ser uma prioridade para chefes de estado.

O que Mato Grosso pode fazer? Investir em capital humano, especialmente em grupos desfavorecidos e na educação infantil, para desenvolver as novas habilidades cada vez mais procuradas no mercado de trabalho, como habilidades cognitivas e sociocomportamentais de alta ordem e aprimorar a proteção social, para garantir cobertura e proteção universal que não dependem totalmente do emprego remunerado formal.

A tecnologia está sim abrindo caminho para criar novos empregos, aumentar a produtividade e melhorar a prestação de serviços públicos. E em 2020, a PAGE (Partnership for Action on Green Economy) financiará para Mato Grosso, através a Organização Internacional do Trabalho (OIT), coordenado pela Secretaria Regional do Trabalho e em parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), a implantação da “Política de transição da escola para o trabalho”.

Essa proposta é voltada para a Economia Verde e os ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU – e coloca Mato Grosso como protagonista de importantes transformações sociais, econômicas e ambientais.

Eduardo Chiletto

Eduardo Chiletto, arquiteto e urbanista, presidente da AAU-MT, academia.arquitetura@gmail.com, https://www.instagram.com/academiaarqurb/

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