conecte-se conosco


Estadual

QUESTÕES AMBIENTAIS: Amazônia perto do calor máximo

Publicado

Pesquisa inédita revela que, acima de 32 graus Celsius, florestas tropicais tendem a emitir mais carbono na atmosfera do que absorver. A tolerância das florestas tropicais com o aquecimento global está chegando ao fim, especialmente na Amazônia. Mesmo que o desmatamento e as queimadas cessassem por completo a partir de amanhã, a elevação da temperatura média global — decorrente do acúmulo de gases do efeito estufa na atmosfera — poderá levar a um empobrecimento em massa desses biomas nas próximas décadas, segundo um estudo publicado hoje (21 de maio) na revista Science. Segundo os pesquisadores, as florestas têm um limite de tolerância térmica de até 32 graus Celsius na temperatura ambiente. Acima disso, começam a perder biomassa, como se estivessem definhando; a mortalidade de árvores aumenta, e a taxa de crescimento da vegetação como um todo diminui. Ocorre assim uma inversão de funções: em vez de retirar e estocar dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, a floresta passa a ser fonte de emissão de gases.

Só isso já seria extremamente preocupante para a manutenção dessas florestas a médio e longo prazo; mas o cenário imediato é ainda pior. Quando esse estresse térmico se soma aos efeitos do desmatamento, das queimadas e da fragmentação florestal, o resultado é o que alguns cientistas chamam de “tempestade perfeita”; uma combinação catastrófica de fatores, que ameaça dizimar grande parte da Amazônia e de outras florestas tropicais do planeta, num futuro não muito distante.

O desmatamento acumulado nos primeiros quatro meses deste ano (1.200 km2) já é 55% maior do que no mesmo período de 2019, segundo dados de monitoramento por satélite do sistema DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

“É a anatomia de um desastre se desenhando”, diz o pesquisador Ben Hur Marimon Junior, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), um dos vários autores brasileiros do trabalho, ao lado de Beatriz Marimon, sua mulher e também cientista da Unemat. “Cada aumento em graus Celsius acima do limite de 32 graus libera quatro vezes mais dióxido de carbono do que seria liberado abaixo do limite”, explica Beatriz no texto de divulgação do estudo. O trabalho é assinado por 225 pesquisadores ligados a três grandes redes de monitoramento de florestas tropicais na América do Sul (Rainfor), África (AfriTron) e Ásia (T-Forces), liderados por um grupo da Universidade de Leeds, na Inglaterra. Os resultados são baseados na observação de 670 mil árvores, ao longo de vários anos, em 24 países.

Essas florestas úmidas e repletas de vida, que formam um cinturão verde ao longo da linha do Equador, são uma peça fundamental dos modelos climáticos globais. As plantas absorvem dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, via fotossíntese, e utilizam esse carbono como matéria-prima para construir sua biomassa de galhos, troncos, folhas e raízes. Quando uma árvore morre e sua biomassa se decompõe (ou é queimada), esse carbono volta para atmosfera. Cientistas estimam que o volume de carbono estocado em todas as florestas tropicais do mundo — considerando apenas as árvores — seja equivalente a 25 anos de emissões por queima de combustíveis fósseis. Do ponto de vista climático, portanto, queimar florestas é como queimar petróleo.

Leia mais:   Treze municípios estão com risco moderado de contaminação por Covid-19 em MT

“Estamos sentindo os efeitos do aquecimento local, agravado pelo aquecimento global, que traz uma série de outras complicações”, completa Marimon. Se essa situação persistir, diz ele — e tudo indica que persistirá, pois não há sinal de recuo nas mudanças climáticas —, “é certeza que vamos começar a perder florestas”. Mesmo num cenário extremamente otimista, em que o mundo consiga limitar o aquecimento global a 2 graus acima da era pré-industrial, que é o limite considerado minimamente seguro pelos especialistas, cerca de 70% das florestas tropicais do mundo serão empurradas acima desse limiar de 32 graus nos meses mais quentes do ano, segundo os pesquisadores. Esse aumento de temperatura resultaria, pelas estimativas do estudo, na emissão de 35 bilhões de toneladas de carbono para a atmosfera no longo prazo.

Muitos fenômenos previstos pelo estudo em escala global já são visíveis no sul da Amazônia brasileira, onde a temperatura máxima, nos períodos mais quentes do ano, passa facilmente de 40 graus Celsius. Mesmo em áreas totalmente protegidas, livres de fogo e de motosserras, Marimon diz encontrar cada vez mais árvores quebradas, doentes e mortas. “Algumas árvores que a gente mede há mais de vinte anos, e que eram perfeitas, agora estão todas quebradas. Sem queimadas e sem desmatamento, só por conta da temperatura”, relata ele. Seu grupo na Unemat monitora cerca de 45 mil árvores em 68 parcelas de floresta na zona de transição entre a Amazônia e o Cerrado, dentro de um Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD), financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Uma das principais reações fisiológicas das árvores nessas condições de calor extremo é fechar seus estômatos — os “poros” na superfície das folhas, por onde as plantas trocam gases com a atmosfera — para reduzir a perda de água. Consequentemente, com os estômatos fechados, elas absorvem menos gás carbônico, fazem menos fotossíntese e crescem menos. Com o tempo, isso pode debilitar a saúde das árvores, tornando-as mais suscetíveis a morrer por diversos motivos. Outro fator preocupante associado ao desmatamento e às mudanças climáticas, que costuma acompanhar a elevação da temperatura, é a diminuição das chuvas e o aumento da ocorrência de secas. O estresse hídrico, então, se junta ao estresse térmico para agravar ainda mais a situação. A estiagem também aumenta a mortalidade de árvores e torna a floresta mais suscetível a queimadas, comprometendo sua resiliência a longo prazo.

E é nesse ponto que ocorre a inversão: em vez de retirar carbono da atmosfera, a floresta passa a ser uma fonte de emissão. “O carbono vai para a atmosfera e não volta mais, porque a capacidade de crescimento da floresta foi reduzida. Isso é muito crítico”, diz o pesquisador Luiz Aragão, chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também coautor do trabalho na Science. A Amazônia é especialmente suscetível a esse cenário, segundo ele, porque já é uma floresta naturalmente mais quente do que as da África e da Ásia, com temperatura média em torno de 27 graus.

Leia mais:   Governador destaca crescimento e anuncia investimentos para 2021 em MT

A melhor estratégia para minimizar esses impactos do aquecimento, segundo os pesquisadores, é eliminar os outros fatores de pressão sobre as florestas tropicais, acabando com o desmatamento e recuperando o máximo possível da cobertura vegetal e da biodiversidade que já foram perdidas. Quanto mais extensas, mais intactas e mais conectadas estiverem as florestas, maior será sua resiliência — ou seja, sua capacidade de resistir e se adaptar às mudanças climáticas que estão em curso. “A estratégia de mitigação é manter a floresta em pé para manter o ciclo hidrológico funcionando”, diz Aragão, lembrando que a água é o elemento mais básico de sobrevivência em qualquer situação. Vários estudos já demonstraram que o desmatamento aumenta a temperatura e reduz a precipitação em escala regional, exacerbando ainda mais os efeitos das mudanças climáticas globais.

“Temos que interromper imediatamente o desmatamento e investir pesado em reflorestamento, caso contrário vamos ter um colapso das florestas; o que vai desencadear um monte de outros problemas”, diz o pesquisador Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

A tendência para este ano no Brasil, porém, é o oposto disso, segundo um estudo divulgado pelo Ipam no fim de abril. A área desmatada nos primeiros três meses deste ano já foi 51% maior do que no mesmo período de 2019, e há muitas áreas remanescentes de desmatamento do ano passado, que foram derrubadas mas que não chegaram a ser queimadas — graças à intervenção, ainda que tardia, do governo federal, que enviou as Forças Armadas para a região em agosto, após o escândalo internacional causado pelo aumento das queimadas e pela negação do problema pelo Palácio do Planalto. “O Exército interrompeu as queimadas, mas o desmatamento continuou a todo vapor”, afirma Moutinho. “Tudo que não queimou no ano passado vai queimar agora, se não fizerem algo para impedir isso.”

Além do problema ambiental e climático, há o impacto na saúde pública. As queimadas geram quantidades imensas de fumaça, carregada de material particulado, que invadem as cidades da região, causando vários problemas respiratórios nas populações locais. Com os hospitais já sobrecarregados pela pandemia do novo coronavírus, haverá um risco ainda maior de colapso dos sistemas públicos de saúde. “É um cenário assustador de sinergia entre as pandemias de Covid-19 e de desmatamento”, afirma Moutinho.

Comentários Facebook

Estadual

Governador destaca crescimento e anuncia investimentos para 2021 em MT

Publicado

Em seu discurso durante visita o presidente da República Jair Bolsonaro a MT, na manhã desta sexta-feira, 18 de setembro, o governador do Estado, Mauro Mendes destacou a dificuldades enfrentadas ao assumir a administração estadual, que estava com as finanças quebradas, salários atrasado, viaturas policiais sendo recolhidas por falta de pagamento de locação e de combustível, isto sem falar na questão da saúde que estava bastante precária.//

Mauro Mendes lembrou que precisou tomar medidas duras para regularizar a economia e promover a retomada do crescimento./ O governador pontou que centenas de obras que estavam paradas há anos, foram retomadas e a maioria dela já concluída./ O chefe do Executivo Mato-grossenses anunciou o maior investimento para MT no próximo ano.//

Sonora: Mauro Mendes

O governador Mauro Mendes acompanha o presidente Jair Bolsonaro está na região Norte do Estado onde visita a INPASA, Usina de Etanol em Sinop, a 503 km de Cuiabá.//

Por Jota Passarinho

Comentários Facebook
Leia mais:   Esta semana: Sine Mato Grosso oferta 1.841 vagas de emprego
Continue lendo

Estadual

PGE realizou mais de 23 mil atendimentos ao contribuinte durante a pandemia

Publicado

A subprocuradoria é a unidade responsável pela exclusiva gestão da Dívida Ativa do Estado de Mato Grosso

Mesmo com restrições e fechamento da sede durante os primeiros meses de pandemia, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) registrou 23.218 mil atendimentos ao contribuinte de forma online (site) ou canais de atendimento disponibilizados telefone/Whatsapp e e-mail. O levantamento feito pela Subprocuradoria-Geral Fiscal aponta que entre os serviços mais procurados nos meses de março a julho de 2020 está setor de negociação de débitos em dívida ativa.

Mesmo com a possibilidade de negociar e emitir os boletos para pagamento de IPVA e Licenciamento pelo site da PGE, muitos contribuintes ainda procuraram atendimento via telefone e WhatsApp para negociação de seus débitos.

A subprocuradoria é a unidade responsável pela exclusiva gestão da Dívida Ativa do Estado de Mato Grosso, desde a inscrição até a cobrança administrativa e/ou judicial, emissão de certidão, protesto, negociação, análise dos requerimentos administrativos protocolados pelo cidadão, além de efetuar a análise de Cartas de Créditos Estadual.

De acordo com o subprocurador-geral Fiscal, Jenz Prochnow Junior, a suspensão do atendimento presencial não comprometeu a produtividade e a prestação do serviço público.

“Desde os primeiros momentos em que o problema da Covid-19 ocorreu, a Procuradoria optou por continuar os atendimentos via sistema e pelos canais. Trabalhamos de forma incessante desde o primeiro dia, até o momento – que são quase sete meses de ocorrência e tenho certeza que os servidores empenharam esforços necessários para que o contribuinte não ficasse desassistido”, destacou o  subprocurador.

Leia mais:   Baixa umidade do ar é mais prejudicial para pessoas com problemas respiratórios, alerta médica

Neste período também foram proferidas 3.910 mil decisões administrativas homologadas dos processos administrativos protocolados na PGE, emitidas 4.307 Certidões Negativas de Débitos (CND), e 115 Pareceres de Deferimento em processos de compensação. Atualmente o serviço de atendimento presencial está em funcionamento na sede da Procuradoria.

Na unidade o contribuinte pode consultar processos e negociar débitos inscritos em dívida ativa de Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Licenciamento de Veículos, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Também podem ser solucionados débitos não tributários como Sema, Procon e Ager. Através dos Programas de Recuperação Fiscal (Refis e Regularize) o contribuinte pode quitar as dívidas com desconto de até 75% nos juros e multa. Os canais de atendimento também seguem disponíveis em horário comercial (veja lista abaixo).

Pelo site, o contribuinte deve acionar a aba “Portal do Contribuinte” e informar obrigatoriamente o tipo de processo (IPVA, Licenciamento), CPF ou CNPJ. No portal também e possível efetuar a emissão de Certidão Negativa de Débito (CND) com validade de 90 dias. O atendimento ao contribuinte que mora em outras regiões do Estado também pode ser feito em unidades do Ganha Tempo.

Leia mais:   Grupo Energisa busca talentos inovadores para programa de trainees de 2021

Conforme levantamento da Subprocuradoria-Geral Fiscal, a maior parte dos débitos em dívida ativa são de IPVA e Licenciamento veicular. De janeiro a junho de 2020, foram inseridos em dívida ativa 8.966 mil processos de IPVA e 318.288 mil processos de licenciamento de veículos.

Estes números correspondem a débitos anteriores a 2020, já que este ano por conta da pandemia no novo coronavírus, o Governo do Estado prorrogou as datas de quitação e o parcelamento do IPVA.  A sede da procuradoria está localizada na Avenida República do Líbano, nº 2258 – Cuiabá.

Canais de atendimento da PGE

Gabinete da Subprocuradoria-Geral Fiscal

refis_pge@pge.mt.gov.br

Telefone: (65) 3613-5998

Celular/Whatsapp: (65) 9248-3233

Celular/Whatsapp: (65) 9608-8566

Coordenadoria de Dívida Ativa

Celular/Whatsapp: (65) 99238-0339

Coordenadoria de Compensação

Celular/Whatsapp: (65) 99244-4840

franciscosantos@pge.mt.gov.br

Superintendência de Gestão da Dívida Ativa

pasqualinaferreira@pge.mt.gov.br – 99238-4802

Atendimento Dívida Ativa

dividaativa@pge.mt.gov.br  – 99243-6157

rennersilva@pge.mt.gov.br  – 99246-8705

Assessoria

Comentários Facebook
Continue lendo

Cáceres e Região

Policial

Política MT

Mato Grosso

Mais Lidas da Semana