Previna-se contra o suicídio

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O suicídio vem matando mais que a AIDS, e até chega ter números que superam alguns tipos de câncer. Ainda existe um tabu em relação às doenças psicológicas: por serem consideradas pecados na maioria das religiões, as pessoas têm medo de falar a respeito. A falta de conhecimento dos amigos e familiares é outro fator que prejudica muito a intervenção, e com isso a ajuda chega de forma tardia.

Com isso nasceu a necessidade de criar campanhas, para assim falar abertamente dos assuntos ligados à depressão, e por ser comemorado no dia 10 de setembro o dia mundial de prevenção ao suicídio, criou-se o mês do Setembro Amarelo.

Hoje, Mato Grosso tem os menores casos de suicídio do País, segundo a referência apontada no caderno de indicadores de 2017 (Seplan), sendo 3,6 ocorrências para cada 100 mil habitantes, em 2016 os números começarão aumentar.

Precisamos estar atentos aos sintomas, já que mesmo sendo uma doença silenciosa, existem situações em que podemos observar algumas mudanças no comportamento, sendo elas:

Pensamentos suicidas: remoem pensamentos obsessivamente e não conseguem controlar, perdem a esperança, não encontram significado na vida, ocorre dificuldade em concentração e às vezes os depressivos definem esse pensamento como névoa, sem clareza das ações.

Emoções suicidas: geralmente as emoções são de extrema ansiedade, raiva, sentimento de vingança, muita vergonha ou culpa, e os níveis desses sentimentos são elevados, chegando sufocar, levando a crer que não existe solução.

Avisos verbais: perceber quando a pessoa começa a fazer muitas referências sobre a morte; frases negativas como “a vida não vale a pena”, “não vou mais ficar triste porque não vou estar mais aqui”, “você vai sentir minha falta quando eu for” ou “ninguém vai sentir minha falta se eu morrer”, “não aguento a dor, não consigo lidar com isso”, “estou tão sozinho que queria morrer”, “não se preocupe, eu não vou estar por aqui para ver o que vai acontecer”, “não vou te atrapalhar mais”, ou “queria não ter nascido”, entre outras.

Melhora súbita: fique atento às mudanças repentinas, se o comportamento depressivo instantaneamente desaparecer, pode ser que a pessoa tomou a decisão de colocar um fim na própria vida.

Mudanças de comportamentos: pode ocorrer o desejo de visitar parentes que há muito tempo não tinha contato, fechar pontas soltas, fazer doações dos seus pertences.

Uso abusivo de álcool e drogas, direção perigosa, sexo sem proteção com vários parceiros pode ser um sinal de alerta. Observar também se a pessoa comprou algo suspeito, como armas e remédios.

Mudança de rotina: observe se a pessoa parou de frequentar lugares que sempre gostou de ir, ou parou de fazer atividades que lhe proporcionavam prazer. Perda de energia para atividades do dia a dia.

Não ignore fatores de risco: morte de um ente querido, perda de emprego, bullying e separações traumáticas podem afetar e intensificar desejos suicidas. Um histórico de abuso físico ou sexual também pode servir de gatilho, assim como tentativas prévias de suicídio.

Precisamos falar abertamente sobre depressão e entender a doença, deixar a pessoa conscientizada de que existe ajuda e que a melhor solução não é a morte, mas sim FALAR abertamente sobre o que vem sentindo, saber que a vida tem importância sim, que sua família e amigos necessitam da sua presença.

Quando encontrar alguém que está em depressão, precisa achar um tom certo para iniciar a conversa, sem preconceito e não tratar a doença como se fosse drama, nem exija que a pessoa seja mais forte.

Ofereça ajuda, existe o número 141 (centro de valorização a vida), que é um serviço exclusivo para pessoas que pensam em retirar a própria vida.

Busque ajuda de um psicólogo e após a pessoa iniciar o tratamento, esteja junto acompanhando, verificando se a pessoa tem tomado, os remédios.

Ajuda a divulgar a campanha na sua empresa, deixe informações sobre a importância de observar os sintomas, fale a importância de cuidar do bem-estar físico e mental!

FALAR é a melhor opção e dizer que existe pessoas preparadas para ouvir!
DEPRESSÃO
NÃO é DRAMA
NÃO é frescura
NÃO é para chamar ATENÇÃO!

Sandy Lima é graduada em psicologia e pós-graduada em gestão de pessoas e coaching atua no setor de RH da Acomac/MT. Email: rh@acomacmt.com.br

Sandy Lima

1 Comentário

  1. Sobre o CVV
    O CVV presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Os dois milhões de atendimentos anuais são realizados por 2.500 voluntários em 90 postos de atendimento pelo telefone 188 (sem custo de ligação)(número nacional), ou pelo http://www.cvv.org.br via chat, e-mail ou carta.

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