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Mato Grosso

PM entrega condecorações de reconhecimento para militares e personalidades

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PM celebra 185 anos com entrega de medalhas para personalidades e militares – Foto por: Michel Alvim

A Formatura de Imposição das Condecorações da Polícia Militar foi realizada na noite desta quinta-feira (03.09), no Quartel do Comando Geral, em Cuiabá. A solenidade celebrou os 185 anos da instituição com a entrega de 168 medalhas a militares e diversas personalidades em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à sociedade mato-grossense.

A formatura contou com a presença do governador do Estado Mauro Mendes e do comandante-geral da PM, coronel Jonildo José de Assis. O governador, que entregou condecorações aos homenageados, parabenizou o trabalho desenvolvido pela instituição centenária. “Se aqui estão é porque são merecedores destas homenagens, pois prestaram serviços relevantes para a nossa segurança pública. São 168 histórias de muito trabalho e dedicação; narrativas que merecem esse reconhecimento”, declarou o governador.

Autoridades militares e civis foram homenageadas. O deputado estadual Ondanir Bortoloni, representante da Assembleia Legislativa, e o comandante da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército, general Reinaldo Salgado Beato foram homenageados com a honraria ‘Homens do Mato Gran Oficial e Comendador’.

O coronel Jonildo José de Assis agradeceu a tropa e ressaltou o compromisso e legado dos militares no cumprimento do dever. “Cada condecoração aqui imposta reconhece autoridades que contribuem com a segurança pública. Esses policiais militares defendem o que acreditam: a lei, a ordem, a disciplina e o respeito e os valores institucionais. Nossos policiais entregam suas vidas para servir, nossa missão é continuar lutando em prol da sociedade”, afirmou o coronel.

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PMMT

Pela primeira vez, a Polícia Militar concedeu uma das condecorações mais significativas da instituição, a ordem ‘Homens do Mato Grau Cavaleiro’ aos praças da corporação, 23 policiais receberam a honraria. O subtenente Edilson de Siqueira da Escola Superior de Formação e Aperfeiçoamento da PM (Esfap) foi um dos policiais agraciados com a medalha.

“Esse medalha representa um ânimo a mais para os praças. É uma honra ser lembrado nesta data histórica. Eu dedico aos médicos, enfermeiros, maqueiros e de todos os meus colegas de farda que enfrentam este momento de frente e com coragem”, destaca o militar.

O sargento Delso Marques e mais três policiais do 1º Batalhão da PM foram homenageados com a medalha ‘Cruz de Bravura’. A condecoração reconhece atos excepcionais de desprendimento e coragem. Em agosto de 2019, a equipe do sargento não pensou duas vezes em retirar cinco pessoas presas dentro de um carro em chamas na Prainha, em Cuiabá.

“Eu nunca esperei receber uma medalha ao atender uma ocorrência tão atípica, me sinto lisonjeado. Lembro que naquela noite não tivemos tempo para pensar, apenas pudemos agir naquela situação complexa, os ocupantes não conseguiam sair e se demorasse um pouco mais poderia ser uma tragédia. Essa medalha nos orgulha e fico feliz em saber que o Comando Geral valoriza nossas ações”, contou o sargento.

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PMMT

Foram entregues oito condecorações diferentes, dentre elas, as medalhas Serviços Extraordinários, Sangue de Mato Grosso, Tempo de Serviço, Grau Oficial e Grau Cavaleiro, dentre outras. O evento contou com público reduzido por causa da pandemia da Covid-19. Foram adotadas medidas restritivas de distanciamento social, uso de máscara e álcool em gel. Compareceram à solenidade o secretário de segurança pública, Alexandre Bustamante; secretário chefe da casa civil, Mauro Carvalho, o comandante – adjunto geral da PM, coronel Delwison Sebastião Maia da Cruz,o comandante subchefe do Estado Maior Geral, coronel Wancley Rodrigues e demais autoridades militares e civis.

Greyce Lima | Secom -MT

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Destaque

Casos de coronavírus passam de 112 mil em MT e mortes pela doença chegam a 3.262

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Foram notificadas 617 novas confirmações de casos de coronavírus no estado. Dos 112.817 casos confirmados da Covid-19 em Mato Grosso, 15.756 estão em isolamento domiciliar e 93.026 estão recuperados.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) notificou, até a tarde deste sábado (19), 112.817 casos confirmados da Covid-19 em Mato Grosso, sendo registrados 3.262 óbitos em decorrência do coronavírus no estado. Foram 14 mortes nas últimas 24 horas.

Foram notificadas 617 novas confirmações de casos de coronavírus no estado. Dos 112.817 casos confirmados da Covid-19 em Mato Grosso, 15.756 estão em isolamento domiciliar e 93.026 estão recuperados.

Entre casos confirmados, suspeitos e descartados para a Covid-19, há 252 internações em UTIs públicas e 272 em enfermarias públicas. Isto é, a taxa de ocupação está em 60% para UTIs adulto e em 31% para enfermarias adulto.

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Estadual

Pantaneiros, quilombolas e indígenas relatam destruição causada pelo fogo

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O desmatamento que reduz o volume de água no Pantanal, a dificuldade para combater o fogo, a destruição de roças e casas, a morte de animais e da vegetação, e as consequências depois que a chuva chegar foram debatidos na audiência pública remota sobre queimadas no Pantanal realizada pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT).

“Todos que estão na linha de frente combatendo o fogo estão expostos a morrer, respirando a fumaça e adoecendo. Estamos vivendo uma pandemia. Mas o fogo no Pantanal não é a doença. O fogo no Pantanal é a febre. Não adianta dar antitérmico sem tratar a doença. E muitos aqui disseram com clareza qual é a doença”, disse Lúdio.

Pelo aplicativo Zoom, a audiência reuniu mais de 100 pessoas, entre pantaneiros, indígenas, quilombolas, bombeiros, técnicos, pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), gestores públicos e parlamentares, na quinta-feira (17). A audiência abriu a programação da comissão do Congresso Nacional que visita o Pantanal neste fim de semana.

Moradores relataram o impacto do fogo nas comunidades. “Mais de 80% da nossa área foi queimada. A gente perdeu roça, perdeu casa, perdeu nossa medicação tradicional porque queimou grande parte da mata. Temos passado os últimos dias com muita tristeza. É muita fumaça, pessoas com dificuldade pra respirar. E nossa vida está em risco, porque não temos mais segurança alimentar”, contou Alessandra Alves, indígena do povo Guató.

Leidiane Nascimento da Silva, da comunidade Pantanalzinho, de Barão de Melgaço, destacou a tristeza e impotência diante do fogo. “Vejo tudo aquilo que eu amo se acabando em chamas. O povo pantaneiro luta pelo Pantanal. É aqui que residimos, é de onde tiramos nosso sustento”, disse. Maria Helena Tavares Dias, do Território Quilombola Vão Grande, de Barra do Bugres, contou que, todos os anos, a casa de algum morador queima. “Não só os animais estão sendo mortos. As queimadas atingem nossas famílias. Nossas nascentes estão secando.”

Para a coordenadora da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira, Cláudia Sala de Pinho, falta visibilidade a quem conserva o bioma. “Tivemos pessoas fazendo guarda dia e noite para o fogo não entrar nas casas. É muito triste ver o Pantanal nessa situação. Mas é mais triste ainda saber que isso é um dos meios para retirar as comunidades tradicionais do Pantanal. Depois do incêndio é que vamos saber a dimensão do que isso vai causar nos nossos territórios e nas nossas vidas. O Pantanal é nossa casa”, disse.

“Estamos na maior área úmida do mundo, falando do fogo. É uma contradição. Nós, pantaneiros e pantaneiras, sentimos muito. Eu vou na beira do rio e dá vontade de chorar. Tem gente decidindo pelo Pantanal que não sabe o que é vida, só sabe o que é negócio. Enquanto para uns é o negócio, para nós é a vida que está ameaçada”, disse Isidoro Salomão, ambientalista e membro da Sociedade Fé e Vida.

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Avanço do fogo

Dados da ocupação do Pantanal apresentados pelo coordenador de Inteligência Territorial do Instituto Centro de Vida (ICV), Vinícius Silgueiro, mostram que 25% do território do bioma é ocupado por 32 grandes fazendas. Mais de 1,3 milhão de hectares foram queimados neste ano, ou seja, 22% do bioma. “Prevenção também é fiscalização, investigação e responsabilização, seja com multa, embargos ou restrição de crédito. Não podemos dar sinal de que crime ambiental não dá em nada”, afirmou.

“Este é o período que mais queimou desde o início do monitoramento de queimadas, em 1998”, informou Fabiano Morelli, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao exibir imagens de satélite que mostram o avanço do fogo e o rastro de destruição. Cristina Cuiabália, da reserva Sesc Pantanal, relatou o combate às chamas na unidade de conservação e os projetos de recuperação do bioma. “A paisagem tem o homem pantaneiro, a mulher pantaneira e a biodiversidade”, disse.

Causas sistêmicas dos incêndios

A pesquisadora Michele Sato, da UFMT, afirmou que o desastre no Pantanal é consequência de mudanças climáticas. “Estamos vivendo uma crise planetária sem precedentes. Projeções indicam que vai piorar.” Solange Ikeda, pesquisadora da Unemat destacou a importância de conservar o Rio Paraguai e seus afluentes e explicou a dinâmica dos chamados “rios voadores”. “A água evapora do Oceano Atlântico, chega na Amazônia e é barrada pela cordilheira dos Andes. Então a água chega aqui no Centro-Oeste e no Sudeste e deságua em forma de chuva”, disse.

“Pantanal não é só onde alaga. Tudo que acontece no planalto interfere na planície. É importante haver política integrada para planalto e planície, para não permitir plantio de soja, como é permitido em outros biomas”, disse a professora Onelia Rossetto, da UFMT. Ela apontou ainda o plantio de espécies exóticas de pasto para engordar o gado e o baixo índice de áreas protegidas como fatores que agravam os incêndios no Pantanal.

André Luiz Siqueira, da Ecologia em Ação (Ecoa), criticou a postura do governo federal de culpar as unidades de conservação e defender a troca da vegetação do Pantanal por pasto. “Gado não é bombeiro do Pantanal. O principal regulador de desmatamento e incêndios do Pantanal é o Rio Paraguai, seus afluentes e suas áreas de inundação”, afirmou.

A pesquisadora Viviane Layme, da UFMT, lembrou que, além do impacto imediato sobre a fauna, com a morte dos animais, haverá também o impacto do pós-fogo. “O que sobra para os sobreviventes? Escassez de água, aumento de temperatura, solo e água contaminados, perda de alimento e de locais para ninho. Além da vegetação e do banco de sementes perdidos com o fogo”, disse. A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB, Gláucia Amaral, propôs um plano de emergência para alimentar os animais no pós-fogo, enquanto a vegetação e os rios se recuperam.

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Marcelo Latterman, da Campanha de Clima e Justiça do Greenpeace, sugeriu um decreto de emergência climática. “Mato Grosso pode ter essa posição de vanguarda no Brasil, para aumentar a pressão sobre os entes públicos”, disse.

Dificuldades dos órgãos responsáveis

A superintendente substituta Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Cibele Xavier Ribeiro, apresentou o contexto das brigadas em Mato Grosso e citou a limitação do órgão, que pode atuar somente em unidades de conservação e terras da União. Alex Marega, adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), destacou dificuldades no combate ao fogo e a reincidência dos crimes ambientais. “O Pantanal chegou nesse ponto agora por um conjunto de fatores. Áreas que deveriam estar alagadas nesse período estão completamente secas”, disse.

O coronel aposentado do Corpo de Bombeiros Paulo Barroso, que preside o Comitê do Fogo de Mato Grosso, afirmou que é necessário treinar mais brigadistas na região. “Agora estamos desesperados querendo apagar fogo e resgatar animais. Depois, quando chover, e as cinzas forem carreadas para os rios, vão matar muitos peixes e criar um desastre na economia local para quem depende disso”, observou.

A promotora de Justiça Ana Luiza Peterlini cobrou punição. “A responsabilização tem que ser exemplar. Além do desmatamento dentro do Pantanal, há também a drenagem das áreas úmidas, que altera todo o ciclo geológico do Pantanal. Ela tem sido feita nas cabeceiras, no planalto, e também na planície, para propiciar a agricultura em áreas impróprias”, afirmou.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, afirmou que o desmatamento das nascentes para plantio de soja e algodão também está acabando com o Pantanal. O pecuarista e empresário do turismo Leopoldo Nigro cobrou uma legislação específica para o Pantanal, como existe em outros biomas.

Política antiambiental

A deputada federal Rosa Neide (PT-MT) criticou a postura negacionista do governo federal quanto às mudanças climáticas. “Temos que colocar o dedo na ferida. Se não planejarmos agora, o desastre no ano que vem será ainda maior”, alertou. O deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) cobrou investimento e atuação do governo federal, com envio das Forças Armadas para combater os incêndios. “Podemos aprimorar a legislação e cobrar responsabilidade de um governo que faz política antiambiental”, disse.

O deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, observou que a bacia do Paraguai abastece todo o sul do país e propôs fazer ajustes na Lei do Pantanal. “A boiada está passando. Nenhum governo foi tão devastador para o meio ambiente”, disse Helica Araújo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag).

Assessoria

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