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Política

Ocupantes das fazendas entregues por Silval em delação pedem apoio à Comissão de Agropecuária

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Foto: ANGELO VARELA / ALMT

Representantes das 144 famílias de pequenos agricultores que ocuparam as fazendas entregues pelo ex-governador  Silval  Barbosa para ressarcimento ao Estado, em acordo judicial de colaboração, compareceram à reunião da Comissão de Agropecuária e Desenvolvimento Florestal da Assembleia Legislativa na tarde de quarta-feira (16) para reivindicar o apoio dos parlamentares.

A área em questão engloba três fazendas –  Serra Dourada e Lagoa Dourada I e II – situadas no município de Peixoto de Azevedo. Em decisão prolatada na última segunda-feira (14), o juiz Leonardo de Campos Pitaluga negou o recurso dos ocupantes; o despejo está marcado para o próximo dia 04 de novembro e as terras devem ir a leilão.

Falaram  pelos ocupantes o presidente da Cooperativa dos Agricultores Familiares do Norte Mato-grossense (Coopaf), Valdir Teodoro, e o advogado Homero Lima, que representa a Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Vale do Iriri.

Eles argumentaram que as famílias não são invasoras, vez que ingressaram na área com conhecimento e consentimento do Executivo estadual, à época chefiado pelo ex-governador Pedro Taques. Diversos procedimentos administrativos já haviam sido realizados a fim de regularizar a situação – inclusive compareceres favoráveis da Secretaria de Agricultura, Procuradoria-Geral do Estado e Casa Civil.

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Também alegam que por exigência do Estado, realizaram todo o trabalho de levantamento topográfico, georreferenciamento, divisão dos lotes, construção de vila e obras estruturais como poço artesiano e caixa d’água. Tudo a um custo estimado em quase R$ 1 milhão, que as famílias conseguiram por meio de venda de bens ou tomando empréstimos em instituições financeiras.

Porém, com a derrota de Taques, as tratativas voltaram praticamente à estaca zero e agora aquelas famílias correm o risco de despejo sem qualquer indenização pelos investimentos que já fizeram na área.

Audiência de conciliação está marcada para o próximo dia 24 de outubro, no Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos do Tribunal de Justiça, mas os agricultores temem que a área seja leiloada antes disso, o que esvaziaria qualquer possibilidade de solução negociada.

Os ocupantes propõem até mesmo comprar diretamente a área do Estado, pelo valor de referência do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), em parcelas que possam ser pagas pelas famílias de agricultores sem comprometer-lhes o próprio sustento.

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“Tal proposta atende a melhor finalidade social por dois motivos: o primeiro é que estará garantido o ressarcimento ao erário, posto que os ocupantes efetivamente irão pagar pela área; o segundo é que se atinge dessa forma o efetivo fim social da propriedade”, assinalou o advogado Homero Lima.

Ao final da reunião, o presidente da comissão deputado Ondanir Bortolini “Nininho” (PSD) assegurou o apoio àquelas famílias e garantiu que os deputados irão buscar uma solução negociada com o governo estadual.

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Macedo diz que irá debater, novamente, com a sociedade projeto que reduz número de vereadores

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Apesar das manifestações contrárias de vários setores da sociedade, entre eles, a Ordem dos Advogados do Brasil, o Projeto de Emenda à Lei Orgânica Municipal, que propõe, em Cáceres, a redução do número de vereadores de 15 para 11, apontado como uma “manobra política” da bancada do PTB na Câmara será, novamente, colocado em debate.

“Temos um prazo para definir essa questão. Vamos chamar, novamente, a sociedade para debater, a partir da próxima semana” afirma o presidente da Câmara, vereador Rubens Macedo (PTB), um dos autores do projeto. Embora, nem os demais vereadores tenham conhecimento, Macedo diz que, dispõe do resultado de uma enquete em que a maioria da população deseja a redução.

“Nós fizemos uma enquete, que eu ainda vou mostrar aos vereadores, que a população cacerense, deseja a diminuição. Iremos economizar para os cofres públicos, cerca de R$ 3,5 milhões em razão a redução dos repasses dos duodécimos, nas legislaturas de 2021 e 2024. E, além disso, depois dessa pandemia, a tendência é de que haverá escassez de recursos” justifica.

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Aparentemente, o projeto seria benéfico. Porém, de acordo com especialistas políticos, ele não passa de uma manobra da bancada do PTB.

 “É claro que é uma manobra. Diminuindo o número de vagas na Câmara, automaticamente, irá aumentar o quociente eleitoral, passando para quase quatro mil votos, o que quase partido nenhum irá conseguir, beneficiando somente o grupo do PTB que é considerado forte” explica Cesare Pastorello (SD) um dos que se posicionam contra a aprovação do projeto.

Em resposta a um consulta feita pela Câmara, a OAB/Cáceres diz que “a posição da 3ª Subseção da OAB é contrária quanto a pretendida redução de número de representantes do povo na Casa de Lei, sob pena de que se o fizer, a medida afeta de forma profunda a representação política dos munícipes por ordens de classe, geográfica e sociais, sendo um atentado contra a democracia representativa nos termos da própria lei eleitoral”.

Além do presidente da Câmara, Rubens Macedo, assinam o projeto, os vereadores Creude Castrillon, Elias Pereira, Wagner Barone e Dênis Maciel.

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Apesar da insistência do presidente da Câmara, em apreciar e aprovar o projeto que o beneficia, o plano dificilmente irá prosperar. Para que seja aprovado serão necessários dois terços da composição da Casa. Ou seja:10 vereadores.

Mas, já se manifestaram contra, pelo menos, oito vereadores: Cesare Pastorello (SD) Valdeníria Dutra Ferreira, Rosinei Neves e José Eduardo Torres, todos PSC e Claudio Henrique Donatoni (PSDB). E, ainda os vereadores da bancada do PSB, Jerônimo Gonçalves, Domingos Oliveira dos Santos e dona Elza Basto. Ainda não se manifestaram Valter Zacarkim (PTB) e Alencar (PTB).

Sinézio Alcântara – Expressão Notícias

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Pastorello diz que para Francis quem não é obediente é inimigo, oposição ou contra

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Tido como um dos líderes oposicionistas na Câmara, o vereador Cesare Pastorello (Solidariedade) diz que suas críticas à administração nunca foram pessoais ao prefeito; classificou como grosseira e antirrepublicana a atitude de Francis ao expulsá-lo de uma reunião que debatia combate e prevenção do coronavirus. Lembra aos colegas que tirar foto de uma obra e dar parabéns não é fiscalização e tampouco atribuição de vereador. E, que não é candidato a prefeito, mas pretende se reeleger, nas próximas eleições. Veja abaixo a entrevista.

 E.N- Expressão Notícias – Considerado um dos ferrenhos críticos da administração Francis, o senhor o apoiou na campanha eleitoral na primeira gestão, o que aconteceu para essa mudança “brusca” de atitude?

Pastorello – Primeiramente, temos que ter em mente que a posição do vereador não é e nem deve ser de base ou oposição. O vereador é um representante do povo, então, sua posição deve ser sempre em relação ao povo. Há projetos que são bons vindos do executivo e eu mesmo defendi, como o recente Plano de Mobilidade Urbana, e há projetos que são ruins para o povo, então esses temos que ser contra. Quanto às críticas, nunca foram pessoais ou só por criticar. Sempre foram cobranças. Os municípios estão vivendo a maior enxurrada de recursos Federais e Estaduais. E estamos perdendo, indo pelo ralo. Perdemos meio milhão por ano na saúde, de assistência farmacêutica, perdemos 1 milhão de reais na educação, dinheiro que era para comprar livros e equipar as escolas. Bem agora temos a notícia da perda de mais 700 mil reais, para levar água aos assentamentos. E para o Francis quem não é obediente, no sentido mesmo de obediência, é inimigo, oposição, contra. O ego dele não admite diálogo. Bastou eu perguntar “por que” para ele já soltar uma nota no seu jornal dizendo que eu tinha que “ajudar mais antes de questionar”. Quem me deu esse cargo temporário de vereador foi o povo, não o Francis. Ele deveria respeitar o processo democrático.

E.N- Recentemente o prefeito o colocou fora do grupo de autoridades que toma as decisões e medidas de combate ao coronavirus. Teria sido um desrespeito com o senhor? 

Pastorello – Para responder, se faz necessário um preâmbulo. Recentemente eu pedi a cópia das atas do Comitê de Combate à COVID-19. O secretário de Governo Jorge me encaminhou a primeira ata e disse que eu poderia pegar as gravações das reuniões anteriores diretamente na prefeitura, e que também poderia contribuir participando das reuniões.  Pois bem, no dia 31 eu entrei na sala de reunião virtual, pelo aplicativo Zoom, com o microfone já bloqueado. Estava a ouvir uma explicação da secretária de Saúde, quando o prefeito simplesmente me colocou para fora da sala. Não havia nenhum vereador, ainda na sala. Ele não me perguntou se eu estava representando a Câmara, nem justificou nada. Só me expulsou. Não é um ato de desrespeito a mim, é um ato de desrespeito ao legislativo e ao povo cacerense que é representado pelos vereadores. Depois vem dizer que a gente “não contribui”, o problema nunca foi a minha disposição para ajudar. Sempre tive. Porém, não há por parte do executivo disposição para ouvir. E estamos em um momento especialmente preocupante na nossa cidade, onde poderíamos contribuir muito. O prefeito prefere bater a porta na minha cara. Quem perde é o povo e as famílias que estão velando seus parentes. Essa atitude grosseira, antirrepublicana e desrespeitosa do prefeito, além do prejuízo que traz pro debate, me ofendeu no meu íntimo. Qualquer cidadão poderia ter participado, ou, teria sido convidado a se retirar. Não há palavras para descrever a sensação de impotência de ser colocado para fora de uma sala, sem poder voltar. Até agora não digeri isso.

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E.N – Além do prefeito, o senhor também tem desafetos políticos entre os colegas na Câmara. Já foi, inclusive, ameaçado de cassação. O que o senhor diz isso? 

Pastorello – Divergências políticas são normais e até decorrem de diferenças programáticas. E as desavenças deveriam se limitar a isso, cada um respeitando a ideologia e posicionamento do outro. Infelizmente, nossa democracia é jovem e alguns colegas ainda estão entendendo isso. Realmente, eu lamento certas pessoalizações que tentam atingir o indivíduo e não suas ideias. Acredito que isso não é compatível com o que a população espera dos vereadores.

E.N – Odiado por uns e amado por outros. Assim como o senhor tem inimigos políticos muita gente o admira e o vê como a “cabeça pensante da Câmara”. Existe uma explicação para isso? 

Pastorello – Como eu disse, sou um representante. Tudo o que acontece no meu trabalho é discutido em algumas instâncias, e esse foi um modelos que assumi para garantir qualidade e eficiência aos meus posicionamentos. Eu não ousaria assumir o título de cabeça pensante da Câmara, porque além de nós, vereadores, também temos uma equipe maravilhosa de servidores que são, verdadeiramente, os pilares do legislativo. Mas, como vereador, reconheço o mérito de ter aberto a Câmara para o público. Antes de eu assumir era raro alguém ter conhecimento da pauta ou até mesmo das votações. Desde que assumi passamos a divulgar a pauta, a convocar audiências públicas, a filmar e disponibilizar as audiências e passamos a transmitir as sessões. Durante um ano inteiro a minha página foi o único veículo transmitindo todas as audiências e sessões. Hoje as pessoas sabem que são os vereadores e como se posicionam. E o melhor, a rede social não deixa o povo esquecer.

E.N – A recíproca da aversão entre o senhor e o prefeito é verdadeira. Ainda recentemente, o prefeito afirmou a reportagem que o senhor não traz nenhum benefício para a cidade e que só atrapalhada. Como o senhor analisa essa acusação? 

Pastorello – Pra começar essa recíproca não é verdadeira. Não tenho aversão ao prefeito, até porque existe a necessidade de uma relação institucional que supera qualquer pessoalidade. Mesmo que eu vá contra algum projeto, caso seja aprovado, passo imediatamente a zelar pelo cumprimento dele. Por exemplo, eu fui duramente contra o novo código tributário, tanto em 2018, quando ele aumentaria em até 280% o IPTU dos cacerenses como nessa versão de 2019, que foi aprovada sem nenhuma audiência pública ou cumprimento dos requisitos regimentais. Mas, mesmo com apenas 10 votos, o Código Tributário foi aprovado. E depois de aprovado nenhum vereador foi mais procurado para esclarecer dúvidas sobre ele do que eu. Eu me disponibilizei nas redes sociais para ajudar as pessoas. A democracia é isso, posicionamento e respeito às instituições. Sobre essa fala desconexa de trazer benefícios e atrapalhar, só lamento. Isso demonstra que apesar de ter saído da presidência do seu grupo há 8 anos, o Francis ainda não entendeu que vereadores são eleitos, não nomeados, e mais, não sabe quais são as funções do vereador. Ou talvez, inteligente como é, tenha entendido, mas seja conveniente continuar dizendo que só ajuda a cidade os vereadores que não perguntam, não contestam, não entendem o que estão votando.

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E.N – Alguns veem a atual composição da Câmara como uma das mais fracas dos últimos tempos e que, apesar da independência dos poderes, vários vereadores agem sob orientação do prefeito. O senhor concorda com esse pensamento? 

Pastorello – A independência entre os poderes é o ideal em uma cidade. Legislativo legisla executivo executa. De forma lamentável ainda há no Brasil um resquício patrimonialista, onde as pessoas, e até vereadores, pensam que a figura do executivo é a de um dono da cidade. E por ele ter o caixa e ordem de serviço na mão, vereadores acabam se submetendo à vontade dos prefeitos para poder fazer o que não é, definitivamente, função de vereadores, mas do executivo. Tirar foto de uma obra e dar parabéns não é fiscalização, por exemplo. Mas, há vereadores que se não fizerem isso, não tem outra coisa para fazer. E isso eu digo de forma impessoal e para o Brasil todo. Quanto a composição da nossa Câmara, posso falar por mim. Tenho tido retorno positivo do meu posicionamento por parte dos cidadãos, inclusive, motivo pelo qual pretendo tentar a reeleição, que é muito mais difícil do que a eleição.

E.N – Cogitaram o lançamento do seu nome para pré-candidato a prefeito, inclusive, constando de algumas pesquisas respondidas na cidade. Você pensa ainda em se candidatar para a prefeitura ou vai tentar a reeleição? 

Pastorello – A colocação do meu nome para prefeito me honra, mas não é meu momento. Na verdade, essa eleição vai ser o grande termômetro para mim. Colocar o meu nome poderia atrapalhar o processo de alternância de poder. Já tivemos a gestão empresarial, agora precisamos alternar com a gestão humana. A reeleição é um teste da sua atuação. Então, pretendo me candidatar à reeleição. Toda campanha há um apelo de renovação, principalmente porque os cidadãos enxergam a Câmara como um todo, e não individualmente. Espero que nessas eleições os cidadãos analisem individualmente o desempenho e posicionamento de cada vereador que for candidato à reeleição. Tenho especial apreço ao nome de alguns novos pré-candidatos que estão colocados, e gostaria muito de tê-los como colegas na Câmara no ano que vem. Sabemos que sempre são reeleitos alguns vereadores, eu espero estar entre um deles. 

Sinézio Alcântara – Expressão Notícias

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