NOVEMBRO AZUL – Se vivermos 100 anos, todo homem terá câncer de próstata

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Se viver até os 100 anos, o diagnóstico é certo: todo homem terá câncer de próstata. Quem diz é o médico urologista Marcos Antônio Garcia. A doença se torna mais propícia a se desenvolver com o decorrer da idade.

 

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“A pessoa, então, vai morrer com o câncer, mas não devido ao câncer. É diferente de quando o indivíduo pega um câncer muito precoce. Neste caso, é um câncer maligno, mas não leva a pessoa a morte. Muito provavelmente ela vai morrer em decorrência de outro fator”, explicou o especialista.

 

Dentro desta perspectiva, o câncer que se desenvolve em um homem de pouca idade, antes dos seus 50 anos, tende a ser mais drástico. O ideal é que ele seja descoberto precocemente para que seja tratado. A recomendação é que a partir desta idade todo homem faça um exame anual.

 

Isto, no entanto, não é o que acontece. Segundo pesquisa de 2017, encomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia, 35% dos homens entre 50 e 59 nunca fizeram exame de toque. Desses, 26% afirmaram que não considera que ele seja importante ou necessário.

 

“A importância do diagnóstico precoce é porque a chance de cura é 100%. Se a gente pega a doença desde o início é mais fácil do que se a gente pega uma doença mais avançada que já passou dos limites”, pontuou.

 

No caso de pessoas negras ou que tenham casos da doença na família, o ideal é que o exame seja feito a partir dos 45 anos, já que a possibilidade de incidência do câncer aumenta. Não existe uma causa comprovada que explique o motivo de seu surgimento. No entanto, segundo Garcia, pode ser um fator de alimentação ou citogenético.

 

“Alguns fatores que pesam é a questão de comidas gordurosas, embutidos, comidas industrializadas, quem manipula muito inseticida, agrotóxicos. Parece que o ambiente está envolvendo o homem nesses fatores”.

 

De acordo com o especialista, quando a doença não está em estado avançado, não existe sintomas. Por isso a necessidade do exame de rotina. Com o decorrer do tempo o paciente começa a desenvolver ardor ao urinar, sangramento e incontinência urinária.

 

Tabu

 

Otmar de Oliveira

Maria de Lourdes psicanalista

 Maria de Lourdes

Psicanalista Maria de Lourdes explicou que a maioria dos homens deixa de fazer o exame preventivo por medo de ser violado. Em uma cultura patriarcal, em que ele é ensinado a ser viril, se submeter ao toque retal parece transgredir sua masculinidade.

 

“Nós temos uma cultura, isso é social, onde o homem é considerado o provedor, aquele que vai cuidar da família. Esse homem se sente fraco e passivo diante desse exame”, explicou a especialista.

 

Para ela, a atenção ao cuidado ao homem é muito recente, enquanto a da mulher sempre foi recorrente. Um dos fatores é justamente a questão cultural e a ideia de que o homem não pode ser frágil.

 

Ainda, Maria de Lourdes afirmou que a fase de infância e adolescência deste homem e a forma como ele foi tratado por sua família afetam diretamente sua visão de mundo e a forma como ele se relaciona com sua sexualidade.

 

“Basicamente o fundo de tudo isso tem muito a ver com a família, como este menino cresceu, como foi a relação desse menino com seu pai. Quanto mais os homens dessa família forem machistas, imputam a esse menino a necessidade de que ele seja forte”.

 

Por isso, no entendimento da psicanalista, o ideal para se criar uma cultura em que os homens se consultem com a frequência adequada é justamente fazer uma mudança no seio familiar e falar abertamente sobre o cuidado masculino.

 

“O menino precisa crescer sabendo que ele é homem, que o pai dele é homem e que eles são fortes mas também são frágeis. Que eles têm o direito de cair em algum momento da vida e também a possibilidade de chorar, de serem frágeis”, completou.

 

Novembro Azul

 

A campanha Novembro Azul busca conscientizar a sociedade em relação às doenças masculinas, com ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença é o 2º tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros. Estima-se em apenas em 2018 foram registrados mais de 68 mil novos casos.

GD

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