Gaeco investiga contrato entre Faespe e empresa do DF

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Hallan Gonçalves, delator da Convescote

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) investiga um contrato de R$ 14,25 milhões entre a Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual (FAESPE) e a Bridge Comunicação e Informática, sediada no Distrito Federal. As suspeitas contra a empresa surgiram durante as investigações que originou a deflagração da 4ª fase da “Operação Convescote”, na última quinta-feira (30).

A Operação Convescote apura desvios de dinheiro público em convênios celebrados entre a Faespe e instituições públicas. Em Mato Grosso, a Faespe recebeu mais de recebeu mais de R$ 70 milhões em contrato, mas por enquanto as investigações constaram desvio de pelo menos R$ 3 milhões.

Por suposta participação no esquema, 22 pessoas já foram denunciadas à Justiça. A denúncia foi aceita pela juíza da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, Selma Arruda.

Nesta 4ª fase, o Gaeco suspeita do empresário João Cláudio Malta Buyers, proprietário da Bridge Comunicação e Informática, no que diz respeito ao depósito de R$ 141 mil feitos ao delator Hallan Gonçalves de Freitas, ex-funcionário da Faespe.

Hallan teria simulado um contrato para justificar a referida transação bancária. A suspeita é de que o depósito feito para as contas de Hallan seja propina referente ao contrato de R$ 14 milhões anteriomente firmado.

“(…) foi constatado que em maio/2017 a Faespe teria celebrado contrato com outra empresa de João Cláudio Malta Buyers, qual seja, a Bridge Comunicação e Informática Ltda, no valor de R$ 14.250.600,00 […] sendo que o valor depositado na conta de Hallan por João Cláudio corresponderia a exato 1% do valor do contrato celebrado por este último com a Faespe”.

Além disso, o Gaeco verificou que os desvios também teriam ocorrido por meio dos convênios com a Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência à Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (Funrio) e com a Associação Plante Vida. Isto porque as provas produzidas demonstram que a Funrio teria sido “subcontratada” pela Faespe para prestar serviços no convênio firmado com Assembleia Legislativa. O contrato era no valor de quase R$ 4 milhões.

“Nesse desiderato, a Funrio, por sua vez, teria contratado os serviços do acusado Hallan Gonçalves de Freitas, funcionário/contratado da própria Faespe, o qual teria recebido quase R$ 100 mil por mês, em um período de quatro meses, sendo que o próprio acusado teria confessado que não prestou quaisquer serviços à Funrio”.

Já a Associação Plante Vida teria repassado 39% dos R$1, 5 milhão recebidos por Hallan, conforme a quebra do sigilo bancário realizada pelo Gaeco. Os outros 51% eram de origem da Faespe. “Conforme Relatório de Informações nº 008/2017/G.A/GAECO-MT de fls. 748/804, do PIC nº 002/2016, os maiores depositantes da conta bancária da empresa H.G de Freitas-ME junto ao Banco Sicoob/Cooperforte, teriam sido a Associação Plante Vida e a Faespe”.

Foram alvos de condução coercitiva durante a 4ª fase da operação: o ex-secretário de Administração do TCE-MT, Marcos José da Silva e sua esposa Jocilene Assunção, ex-diretora da Faespe; o advogado Eduardo Cesar de Mello; o servidor da Assembleia Odenil Rodrigues; o ex-secretário-geral da Assembleia, Tschales Franciel Tschá; e os empresários Luiz Fernando Alves dos Santos (Plante Vida), Jurandir da Silva Vieira (Solução Análise de Crédito) e Caio César Vieira de Freitas (Solução Cosméticos).

Karine Miranda, Repórter do GD

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