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Estudo indica caminho para tratamento de pacientes com arritmia

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O estudo Augustus, liderado pelo médico brasileiro Renato Lopes, professor da divisão de cardiologia da Duke University Medical Center, define novos caminhos para o tratamento de infarto em pacientes que têm fibrilação atrial que incluem a não utilização de aspirina. O estudo Augustos foi feito com 4.614 pacientes de cerca de 500 centros de 33 países, inclusive o Brasil. Ele foi debatido no 36º Congresso de Cardiologia da Sociedade de Cardiologia do Rio de Janeiro (Socerj) e publicado na edição de março no New England Journal of Medicine.

Renato Lopes disse à Agência Brasil que a pesquisa traz uma resposta muito específica para o paciente que tem fibrilação atrial e sofre um infarto do miocárdio ou que coloca um stent (uma peça expansível inserida dentro da artéria para evitar uma obstrução), “porque a gente tem que combinar diferentes remédios para afinar o sangue”. O paciente com fibrilação atrial precisa de medicação anticoagulante e o que apresenta quadro de infarto tem que usar dois antiagregantes plaquetários, cujo principal representante é o ácido acetilsalicílico (aspirina).

Rio de Janeiro - Exposição Vias do Coração, no Museu da Vida (castelo da Fiocruz), divulga o conhecimento cardíaco como forma de estimular a prevenção das doenças cardiovasculares (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Estudo Augustus define novos caminhos para o tratamento de infarto em pacientes que têm fibrilação atrial – Tomaz Silva/Agência Brasil

Lopes explicou que os médicos ficam indecisos em relação ao que fazer quando o paciente apresenta fibrilação atrial, tipo de arritmia mais comum da prática clínica, e infarto. “A gente não pode só ficar somando um monte de remédios porque o risco de sangramento é muito alto”. Segundo Lopes, é preciso tentar descobrir qual é a combinação de tratamento que dá o maior benefício líquido, isto é, que dá maior redução em eventos isquêmicos, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto e trombose de stent, com menor risco de sangramento.

Melhor combinação

O estudo mostrou que a melhor combinação é usar um anticoagulante mais moderno, como a apixabana, junto com apenas um antiagregante plaquetário, retirando a aspirina. “Porque ela (aspirina) só causou malefício, provocando muito sangramento, e não trouxe nenhum benefício para diminuir outros infartos ou outras tromboses de stent.

O médico ressaltou que como a aspirina é muito importante para o paciente que tem só o infarto, as pessoas acreditavam que esse remédio deveria ser mantido também para pacientes com arritmia. O estudo mostrou agora que uma das drogas mais antigas da medicina, que é a aspirina, pode ser desprezada, porque vai causar mais mal do que bem.

A adição de aspirina ao esquema terapêutico aumenta o risco de sangramento em 89%. O  estudo orienta que os médicos adotem a terapia dupla de anticoagulante mais antiagregante do tipo clopidogrel sem aspirina, ao contrário da terapia tripla com aspirina, empregada anteriormente, durante, pelo menos, seis a 12 meses. A partir de 12 meses, é recomendado a terapia única com o anticoagulante, no caso a apixabana.

Custos

Lopes destacou que não usar a aspirina vai evitar muitos sangramentos, que podem levar o doente a ser mais hospitalizado. Sem ela, cessa a necessidade de hospitalização. “Diminui a hospitalização por sangramento e, com isso, reduz os custos com saúde pública”.

Renato Lopes informou ainda que a incidência da fibrilação atrial aumenta diretamente com a idade. Em torno de 1% da população mundial tem fibrilação atrial. Se considerarmos apenas as pessoas mais velhas, acima de 80 anos, a incidência pode chegar até 25%.

No Brasil, existem poucos dados disponíveis. Um registro inédito de fibrilação atrial nacional que se acha em andamento, chamado Recall, liderado pelo médico brasileiro, será encerrado em 2020. A expectativa é que traga dados importantes sobre a doença no país.

Diretrizes de saúde

Outro estudo inédito publicado no Journal of the American Medical Association (Jama) por Renato Lopes e sua equipe fez uma revisão detalhada das diretrizes em cardiologia adotadas pela American College of Cardiology/American Heart Association e pela European Society of Cardiology.

O estudo descobriu que apenas 8,5% das diretrizes americanas e 14,2% das europeias provêm de estudos de nível de evidência A, a mais completa e abrangente.

“Quando a gente tem uma diretriz, o que se espera é que as recomendações venham do que existe de mais forte em termos de evidência, que são ensaios e estudos clínicos bem desenhados, que incluam vários países e tenham bastante dados. Ou seja, que tenham o maior nível de evidência para que haja maior certeza para tratar o doente. Isso é chamado de nível de evidência A”.

Renato Lopes disse que, infelizmente, a maior parte das diretrizes norte-americanas e europeias, de nível A, apresenta média de 10% . “Isso mostra que grande parte das evidências em cardiologia, que a gente faz no dia a dia, não são evidências com grau elevado de certeza que aquela recomendação faz bem ou mal. A gente não tem grande certeza sobre o benefício ou malefício daquela recomendação. Isso é um problema porque a gente tem que tratar o doente e acaba não tendo a certeza que precisa para promover o melhor para o paciente”.

Mudança radical

Lopes indicou a necessidade de haver uma mudança radical no mundo, no sentido de que sejam feitos estudos mais amplos, mais rápidos e mais baratos para gerar mais evidências de alto nível que possam ser traduzidas em diretrizes e recomendações aplicadas pelos médicos objetivando um tratamento mais adequado.

O médico defende que, para que se possa elevar o nível de qualidade das evidências em cardiologia, é importante um movimento que envolva a indústria farmacêutica, agências governamentais de fomento, a academia, e uma parceria público privada para que mude a maneira como se faz pesquisa clínica no mundo.

Segundo Lopes, as pesquisas têm que ser mais pragmáticas e menos burocráticas. “Os órgãos regulatórios têm que estar envolvidos, para que a gente possa fazer pesquisa mais barata, menos complexa e, consequentemente, gere respostas de alto nível mais rápido”.

Edição: Aécio Amado
Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil
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Cáceres e Região

Vacinação contra gripe é fundamental para indústria; entenda motivos

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A vacinação contra a gripe é uma das medidas mais efetivas na prevenção da doença. É válido lembrar que, em casos mais severos, a gripe pode levar à morte. Dados da Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde indicam que de janeiro a julho de 2018, 839 pessoas morreram pela doença no Brasil.

Nos primeiros meses de 2019, conforme dados da coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), foram notificados 35 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com três óbitos, sendo que desses casos, um foi confirmado como Influenza A H1N1.

Exatamente por isso, o Serviço Social da Indústria em Mato Grosso (SESI-MT) realiza anualmente sua campanha junto à indústria. “A vacinação é o principal controle da doença e, claro, de possíveis epidemias. O papel da indústria, portanto, é de uma grande responsabilidade social, já que não apenas vacina seus trabalhadores, mas também os conscientiza e desmistifica informações relacionadas ao tema”, explica o médico do Trabalho, Ediney Espinola da Costa.

Dentre os mitos mais comuns, lembra o médico, o de que vacinar causa gripe é o mais ouvido. “É o que chamamos de senso comum, supostas informações propagadas que não são verdadeiras. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a vacina pode levar até 15 dias para começar seu papel de imunização. Outro ponto é que, em algumas pessoas, pode haver sintomas como inflamação no local da aplicação, febre baixa, dor no braço em que foi aplicado e resfriado. Além disso, uma das hipóteses de que a vacina “dá gripe” é que a pessoa já pode estar com um resfriado em vias de piorar e acaba relacionando-o à vacinação”.

Informação é “remédio”

Para casos como esses, a informação (aliada à vacinação) é sempre o melhor remédio. É o caso da Votorantim Cimentos, na planta localizada no Distrito de Aguaçu, em Mato Grosso. Desde que o local foi inaugurado, em 2012, a indústria adquire as vacinas do SESI-MT. “Nós temos 163 funcionários e a adesão à campanha de vacinação é de 100%”, informa Kelly Regina de Araújo Viana, dos Recursos Humanos da Votorantim.

O índice alto de vacinação, conforme a funcionária, se deve às campanhas de conscientização feitas internamente ao longo do ano, bem como palestras. “Nestas encontros, nossos trabalhadores podem sanar dúvidas conosco e também com nosso médico do trabalho”, completa Kelly.

A vacina

A vacina do SESI-MT é quadrivalente, ou seja, imuniza contra os quatro principais subtipos da doença atualmente em circulação. Entre eles, está o H1N1.

No caso da indústria, há preços especiais. Enquanto uma dose da vacina costuma sair por R$ 90,00 para a comunidade em geral, os descontos para indústria podem chegar até R$ 40,00. Confira o quadro abaixo.

Indústria (Empregados) R$ 50,00
Industria contribuinte SESI e adimplente (Empregados) R$ 45,00
Estabelecimento associado ao sindicato da indústria e adimplente com as contribuições (Empregados) R$ 45,00
Indústria contribuinte SESI, associada ao sindicato da indústria e adimplente com as contribuições confederativa e sindical (Empregados) R$ 40,00

Informações

Para mais informações sobre a aquisição das vacinas, ligue no 0800 642 1600.

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Destaque

Aumento de suicídios na região leva criação de núcleo do CVV em Cáceres

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O aumento considerável de suicídios na região, nos últimos cinco anos, está levando representantes do Ministério Público Estadual (MPE) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) a criar um núcleo do Centro de Valorização da Vida (CVV) em Cáceres. A partir do final desta semana, de 17 a 26 de maio, representantes do CVV de Brasília estarão ministrando um curso gratuito para capacitação de voluntários para serem credenciados a rede. A ideia, de acordo com o promotor Rinaldo de Almeida Segundo, será capacitar, pelo menos, 100 pessoas voluntárias.

O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. No curso, os voluntários serão capacitados, exatamente, para trabalhar com o emocional das pessoas, geralmente, com doenças depressivas, que acabam levando ao suicídio, para prevenir e evitar o dano.

O maior número de suicídios, de acordo com o Ministério da Saúde, ocorre entre jovens em idade de 15 a 19 anos. As causas, conforme a professora Poliany Rodrigues, representante da Unemat, são diversas, mas, principalmente, questões financeiras e trabalhistas. O CVV, afirma ela, dispõe de estatísticas que revelam o número de pessoas que se matam, em cada Estado e região do país. Porém, de acordo com Poliana não são divulgados, principalmente, para evitar o incentivo de novos casos.

A professora explica que de cada 1 suicídio, cerca de 10 pessoas, da família ou próxima são impactadas. As formas enfatiza, também são variadas. Entretanto, assim como o número, a maneira das mortes, não é revelada para evitar o incentivo à prática.

A implantação do núcleo do CVV no município está definida. A unidade será denominada Associação Núcleo de Apoio à Vida de Cáceres. De acordo com o representante do Ministério Público, já foram cumpridas as etapas iniciais e agora resta apenas a capacitação dos voluntários. O núcleo será instalado no prédio do antigo Hospital O Bom Samaritano. O promotor ressalta que, após essa capacitação, os voluntários serão credenciados a rede e aptos para o atendimento. Assim que concluído o curso, o CVV nacional irá disponibilizar as linhas telefônicas para os atendimentos.

Histórico

Fundado em São Paulo em 1962, o Centro de Valorização da Vida é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal em 1973, mantenedora e responsável pelo Programa CVV de Valorização da Vida e Prevenção do Suicídio, desenvolvido pelos Postos do CVV em todo o Brasil. Através dos postos espalhados por todo o país, presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional, oferecido a todos.

Em 1977, começou a expandir-se para outras cidades do país, estando hoje em quase todas as capitais e diversas cidades do interior do Brasil. São aproximadamente 70 postos e cerca de 2.000 voluntários que se revezam para o atendimento 24 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados. Esse atendimento é prestado por telefone 188, grátis para todo o Brasil, e-mail, pessoalmente nos postos e via chat, sendo a primeira entidade do gênero no mundo a prestar atendimento via chat. A história do CVV está registrada no livro “Como Vai Você – CVV, 50 anos ouvindo pessoas”, da Editora Aliança.

No dia 10 de março de 2017, o Ministério da Saúde firmou uma parceria com o CVV, permitindo que as ligações se tornassem gratuitas. Estados como o Rio Grande do Sul já permitiam ligações gratuitas desde 2015. Bahia, Maranhão, Pará e Paraná foram os últimos estados a terem gratuidade. A instituição é mantida com as contribuições dos próprios voluntários e por doações de pessoas e segmentos da sociedade. Tem personalidade jurídica e não está vinculada com qualquer religião, governo ou partido político. No Brasil, o CVV é reconhecido como serviço de utilidade pública pelo Ministério da Saúde, pertencendo às organizações do terceiro setor.

Editoria – Sinézio Alcântara

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