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Mato Grosso

"Ensinar história afro-brasileira é ensinar a história do Brasil", afirma pesquisador

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O racismo existe. O preconceito existe. Mas, segundo o professor de história Osvaldo Mariotto Cerezer, doutor em Educação e docente da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), é preciso unir esforços e lutar contra. Uma das formas de enfrentamento contra o racismo e o preconceito contra negros é, por exemplo, conhecer e perceber que ensinar história afro-brasileira é ensinar história do Brasil.

“A partir do momento que se conhece a história do outro, que se conhece a cultura do outro, o preconceito diminui. Além disso, precisamos compreender que a história do negro é a história do Brasil”, afirma Osvaldo.

Segundo ele, o Brasil é um país xenófobo, racista e preconceituoso. Afinal foram cerca de 400 anos de escravidão. Sem contar que sociedade enxerga o outro a partir de uma cultura eurocêntrica, e desta forma cria estereótipos contra a história dos negros, da África, considerando-os os “diferentes”.

“É preciso romper com essa visão e o ensino desta temática nas escolas de ensino básico, e também na universidade, vem contribuindo para mudar essa realidade, mesmo que a mudança não ocorra na velocidade em que se deseja”, ressalta.

O professor Osvaldo, que defendeu sua tese de doutoramento na Universidade Federal de Uberlândia, e que acaba de publicar o livro “Ensinar História Afro-brasileira e indígena no século XXI: a diversidade em debate”, pela editora Appris, lembra que a luta contra o racismo tem que ser uma luta de todos, em todo o tempo.

“Claro que as datas comemorativas são importantes, como o dia 20 de novembro, que é reconhecido como o dia da consciência negra, mas as escolas e a sociedade devem discutir e trabalhar sobre essa temática em o ano todo, e não somente no mês de novembro ou no dia 20”, afirma.

“Muitas pessoas me perguntam por que um professor branco resolveu trabalhar e defender a luta contra o racismo. Devemos nos perguntar qual o lutar do branco na luta antirracista? A luta antirracista independe da questão de cor. Todos que possuem o mínimo de conhecimento sobre isso e compreende as consequências nefastas sobre os negros, independente da sua cor e do seu pertencimento, precisa ser contra isso tudo. Nós devemos estar ao lado na luta dos negros, porque nunca vamos sentir o preconceito que uma pessoa que tem a pele preta sente. A questão não é dar voz ao negro, mas escutar o que ele tem a dizer e juntos encontrarmos formas de lutar e, para mim, conhecer a história e a cultura do outro é fundamental”, diz o pesquisador.

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Avanços

A instituição das leis nº 10.639/03 e 11.645/08 são avanços sim, porque permite que se discuta, que se conheça sobre a história do Brasil para além da visão eurocêntrica.

“Essas leis reconhecem que existe sim preconceito no Brasil, e mais que isso, reconhece que o Brasil e nossas escolas, não vinham fazendo o dever de casa, de incluir as temáticas dos afro-brasileiros e indígenas nos conteúdos escolares, já que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 já previa essa temática. No entanto, essa lei de 2003 foi duramente criticada por professores universitários e da educação básica por considerar que se tratava de uma lei imposta, que tornava a temática obrigatória.  Percebemos que mesmo depois de 16 anos os avanços ainda são pequenos, mas acreditamos que as mudanças estejam ocorrendo”, afirma.

Para o professor, falar da história dos negros, dos índios, dos afro-brasileiros é uma tarefa necessária, mas não é uma tarefa fácil. “Existe resistências, questões de fundo religioso que foi construída historicamente, produzindo uma imagem negativa que ainda está presente no imaginário da sociedade e de muitos professores, que acaba dificultando a realização do trabalho em sala de aula”, esclarece.

Mesmo que as mudanças ocorram lentamente, o pesquisador lembra que elas já começam a ser percebidas, por meio da consciência e entendimento dos estudantes que já estão sendo formados a partir da implantação da lei. Outro exemplo está nos livros didáticos, que já trazem a temática africana e afro-brasileira, e também no volume de produções acadêmicas e científicas produzidas a partir da publicação das leis.

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Ensino de História

A partir da sua própria história de vida, o professor passou a compreender e enfrentar a luta contra o preconceito e a discriminação racial. Ele conta que cresceu em uma comunidade composta por 10 famílias, nove de italianos e somente uma chamada de “brasileiros”, por serem negros. “Essa única família “diferente” era a única miserável da comunidade, vivia em uma casa de pedras construídas por eles mesmos, utilizavam uma vestimenta “diferente” e nós (crianças) éramos orientados a manter distância deles. Isso me causava medo, na infância. A partir do curso de história compreendi os sentidos e as relações que estavam colocadas ali, e me senti motivado a compreender a história e a cultura do outro e junto combater o racismo”, relata o professor Osvaldo.

Sua experiência pessoal demonstra que ensinar e discutir a temática na escola, e no ensino de história, pode contribuir de forma significativa para despertar a consciência e o conhecimento na sociedade. “Claro que ainda há muita resistência, sobretudo por conta de uma visão estereotipada, de preconceito religioso, mas há também uma maior aceitação, especialmente entre a nova geração de alunos. Além disso, os espaços de debates se ampliaram e ganharam repercussões também nas mídias sociais e na internet, trazendo ao mesmo tempo um espaço de lutas e de represálias. As pessoas dão voz aos seus preconceitos nas redes sociais e isso se amplifica e endurece os debates”, avalia.

Para Osvaldo é papel do professor, e de todos que lutam contra o racismo e discriminação compreender como essas “verdades” sobre os negros e índios foram fabricadas e a serviço de quem elas atuaram e ainda atuam no Brasil.

Livro

O livro: “Ensinar História Afro-brasileira e indígena no século XXI: A diversidade em Debate” produzido pela Appris Editora é fruto da tese de doutoramento do pesquisador e aborda a formação de professores e o ensino de história africana, afro-brasileira e indígena a partir da implementação das leis º 10.639/03 e 11.645/08.

Fonte: GOV MT
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Destaque

Governo de MT enviou 93,2 mil testes rápidos para os municípios do Centro Sul

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Testes foram distribuídos para as 23 prefeituras da região que contempla a Baixada Cuiabana, Tangará da Serra e Cáceres

O Governo de Mato Grosso enviou 93,2 mil testes rápidos de covid-19 para os 23 municípios que compõem a região Centro Sul do estado, a exemplo de Cuiabá, Várzea Grande e Tangará da Serra (veja a lista completa ao final da matéria).

Todas os testes já foram recebidos pelas prefeituras, que devem encaminhá-los para a atenção básica de Saúde. No total, o Estado adquiriu 400 mil testes rápidos, sendo que 300 mil estão sendo distribuídos para os 141 municípios de Mato Grosso.

Os outros 100 mil estão à disposição do Centro de Triagem Covid-19, na Arena Pantanal, e dos hospitais administrados pelo Executivo. Além destes, mais 100 mil testes foram doados por uma empresa.

“Sabemos que há uma dificuldade muito grande dos municípios para a aquisição, e por isso o Estado têm dado mais essa contribuição”, afirmou o governador Mauro Mendes.

O governador ressaltou que a testagem auxilia as pessoas com sintomas leves a iniciarem o tratamento de forma precoce. A base de cálculo usada para a distribuição é de 8,5% da população de cada município.

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“Com o teste rápido disponível já na UPA, na policlínica ou no PSF, o paciente que estiver contaminado já consegue descobrir a doença no início e partir para o tratamento precoce. Isso evita que a situação se agrave e ele venha a precisar de uma UTI. É uma ferramenta que ajuda a salvar vidas”, destacou.

Para o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, a iniciativa é uma forma do Governo de Mato Grosso incentivar a testagem e reforçar a atuação da atenção primária à Saúde, “que é uma responsabilidade dos municípios”.

“Além de fornecer testes, o Estado também atua fortemente no Centro de Triagem da Covid-19, que amplia consideravelmente o número de diagnósticos realizados da Baixada Cuiabana e facilita o acesso ao tratamento precoce”, pontuou Figueiredo.

Os testes adquiridos pelo Governo custaram até 11 vezes mais baratos que os adquiridos em outros estados. Enquanto os preços praticados nos demais estados variaram entre R$ 55 a R$ 199 por cada teste, o Governo de Mato Grosso conseguiu adquirir diretamente de uma fabricante chinesa por U$S 3 dólares, ou seja, R$ 17,83, considerando frete e o valor do dólar pago nas aquisições.

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Confira a quantidade distribuída para cada um dos 23 municípios da região Centro Sul:

MUNICÍPIO

TESTES DISTRIBUÍDOS

ACORIZAL 450
ALTO PARAGUAI 975
ARENÁPOLIS 825
BARÃO DE MELGAÇO 725
BARRA DO BUGRES 2.975
CÁCERES 8.000
CHAPADA DOS GUIMARÃES 1.675
CUIABÁ 30.000
DENISE 800
DIAMANTINO 1.875
JANGADA 725
NOBRES 1.300
NORTELÂNDIA 500
NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO 1.125
NOVA MARILÂNDIA 275
NOVA OLÍMPIA 1.725
POCONÉ 2.800
PORTO ESTRELA 250
ROSÁRIO OESTE 1.450
SANTO AFONSO 275
SANTO ANTÔNIO DO LEVERGER 1.425
TANGARÁ DA SERRA 8.825
VÁRZEA GRANDE 24.225
TOTAL 93.200

Lucas Rodrigues | Secom-MT

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Estadual

Três pessoas morreram afogadas em rios de MT neste fim de semana

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Três pessoas morreram afogadas neste final de semana em Mato Grosso, conforme o Corpo de Bombeiros.

O primeiro caso foi registrado em Cotriguaçu, a 920 km de Cuiabá, no sábado (1º). Os bombeiros foram acionados por volta de 12h para atender uma ocorrência de afogamento próximo a uma ilha no Rio Juruena, no Distrito de Nova União.

Testemunhas disseram aos bombeiros que algumas famílias passeavam de barco pelo Rio Juruena, quando foram conhecer uma pousada às margens do rio. Já no retorno para a ilha onde estavam acampadas, uma das embarcações afundou por causas desconhecidas. A equipe de mergulhadores de Juína foi ao local e iniciou as buscas na manhã de domingo. Os militares que estavam realizando as buscas fizeram alguns mergulhos na área onde o homem de 24 anos se afogou. Após alguns mergulhos na área não resolveram seguir rio abaixo, seguindo a correnteza. Logo após a equipe iniciou as buscas pela superfície, com embarcação, e a vítima foi localizada a cerca de 30 km do local em que se afogou.

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No domingo (2), os bombeiros foram acionados para atender uma ocorrência de afogamento no Rio Arinos, em Juara, a 690 km de Cuiabá. Um homem que trabalhava como balseiro tentava atravessar o rio. Há a informação de que ele pode ter caído no rio e se afogado.

Pessoas que estavam próximas tentaram socorrer a vítima utilizando uma embarcação, mas não conseguiram salvá-la. Os bombeiros iniciaram as buscas no domingo, porém o corpo não foi localizado. As buscas foram retomadas nesta segunda-feira (3) e o corpo foi encontrado no fim do dia.

A terceira ocorrência de afogamento também foi registrada nesse domingo (2). Segundo testemunhas disseram aos bombeiros, um jovem de 22 anos estava tomando banho com um grupo de amigos no rio Juruena, em Castanheira, a 780 km de Cuiabá. O local é raso, mas a vítima se afogou e não foi localizado pelos companheiros que estavam com ele no rio. A equipe de mergulhadores que localizou o corpo no Distrito de Nova União finalizou a ocorrência por lá e se deslocou no domingo para Castanheira, sendo as buscas iniciadas na manhã desta segunda-feira. O corpo do jovem foi localizado no final da tarde.

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Alerta

O Corpo de Bombeiros alerta que neste período de seca e altas temperaturas, as pessoas procuram locais para se refrescar nos fins de semana. Porém, os riscos são diversos e a população deve estar atenta a eles.

Caso estejam em embarcações, é necessário observar as normas de segurança, respeitar a capacidade máxima de ocupantes e utilizar coletes salva vidas.

Caso estejam em praias, devem observar as sinalizações de advertências dos locais, profundidade, existência de correntezas e pedras. Não nadar sozinho, evitar ingerir bebida alcoólica e depois entrar na água, evitar pular de locais elevados. Essas são algumas das dicas de segurança para evitar afogamentos.

Por G1 MT

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