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Em entrevista, Adilson Reis fala sobre a hidrovia do Rio Paraguai

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Em entrevista ao jornalista Eduaro Gomes, o engenheiro cacerense Adilson Reias falou sobre a hidrovia do rio Paraguai. Veja abaixo:

MTAQUI – Por que a Hidrovia tem interesse estratégico regional?

ADILSON DOS REIS – Partindo do ponto de vista geopolítico a Hidrovia demonstra, com efeito, caráter estratégico para a região, dada sua privilegiada localização geográfica, a enorme dotação de recursos naturais presentes em sua área de influência, o potencial produtivo e econômico, a capacidade de infraestrutura portuária e as disponibilidades energéticas.

MTAQUI – Na prática, isso resulta em quê…

ADILSON – Na prática a Hidrovia reduz os custos do transporte, tornando os produtos regionais mais competitivos no mercado mundial; melhora o comércio do Mercosul, impulsionando as economias nacionais e regionais; aumenta o fluxo de pessoas pela região, mediante o incremento comercial aumentando as possibilidades de arrecadação; possibilita o desenvolvimento industrial, através da geração de novos polos em torno dos terminais portuários; oportuniza o monitoramento das condições ambientais na totalidade da via fluvial no âmbito de cada país, especialmente nas zonas vulneráveis a inundações e ou contaminações; melhora as informações aos usuários de embarcações, pelo provimento de produtos e serviços informatizados, com desdobramentos aos operadores de terminais, centros de coordenação, empresas e agências autorizadas.

MTAQUI – Quem é beneficiado com a Hidrovia?

ADILSON – No primeiro momento, e de forma direta, os produtores da região, considerando que o conhecimento e o melhoramento da via navegável, bem como a proximidade do terminal dos centros produtivos, resultam em uma diminuição dos custos de transporte e consequentemente em melhoria dos preços finais dos produtos. Em um segundo momento, a população regional, em virtude das possibilidades de expansão das atividades econômicas na área de influência. O incremento das atividades comerciais e a melhoria das vias de comunicação trazem como resultado um maior intercâmbio e integração dos povos de toda a bacia.

MTAQUI – Quais as semelhanças e as diferenças entre esta e outras hidrovias?

ADILSON – Basicamente todas as hidrovias são utilizadas para o transporte de grandes volumes de cargas (cerca de 80 % da produção agrícola dos Estados Unidos é transportado pela Hidrovia do Mississipi). Quer dizer que as hidrovias respondem a uma estratégia de transporte que agrega grandes benefícios no plano econômico. Uma das principais diferenças da Hidrovia Paraguai-Paraná é que ela minimiza os custos ambientais nos transportes, porque no sistema Paraguai-Paraná existem condições naturais para a navegação, mais do que suficientes para o trânsito de barcaças. Por isso, são mínimas as obras sobre o rio, resultando em sua plena funcionalidade (a maior parte dos trabalhos corresponde à dragagem de manutenção, trabalho que é realizado há mais de 100 anos).

MTAQUI – Trânsito de barcaças. Que tipos de barcaças?

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ADILSON – A composição dos comboios de barcaças é desenhada de acordo com as características de cada tramo do rio (4×5 para o tramo Santa Fé – Asunción, 4×4 Asunción-Corumbá, e 3×2 ou 2×2 para Corumbá – Cáceres). Diferente, portanto, de hidrovias como as do Mississipi (EUA) e Rhine (Europa), que demandaram grandes obras de engenharia para o seu melhoramento, como a construção de canais artificiais, etc., em ambas, a estratégia foi a de se adaptar os rios aos barcos, enquanto que aqui é exatamente ao contrário, trata-se de adaptar os barcos ao rio.

MTAQUI – A hidrovia causaria que tipos de impactos?

ADILSON – De acordo com as avaliações realizadas, o transporte hidroviário é o de menor impacto sobre o meio ambiente. Um dos mais importantes argumentos é o fato de que o meio hídrico se constitui no próprio suporte para o funcionamento da via (são requeridas condições de volume e profundidade para garantir uma navegação segura, econômica e rentável), daí a necessidade de sua conservação ao longo do tempo. Sem dúvida, deve-se levar em conta, tal qual previsto no Programa de Monitoramento da Hidrovia Paraná-Paraguai, as eventuais mudanças na qualidade dos sedimentos que possam ser produzidos nas águas, devido às dragagens de manutenção, bem como as potenciais perturbações sensoriais sobre a vida silvestre pelo incremento do trânsito fluvial, e ainda as prováveis perdas de informações arqueológicas e históricas. Por outro lado, devem ser analisados os potenciais impactos indiretos, destacando-se o provável aumento da população em longo prazo, o consequente aumento na demanda de serviços e as mudanças no uso da terra. Finalmente, devem-se levar em conta os aspectos positivos do Programa, em termos de meio ambiente, devido à sinalização, balizamentos e sistema de informação, gerando economia de combustíveis fósseis, diminuição de riscos de colisões e derramamentos, etc.

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MTAQUI – Quais são as obras previstas para a Hidrovia no Pantanal?

ADILSON – Na Reunião Extraordinária de Chefes de Delegação do CIH, em Buenos Aires, em agosto de 1995, firmou-se um acordo pela NÃO implementação de obras na zona do Pantanal, em função das condições únicas dos ecossistemas envolvidos. Tal como já mencionado, as interações entre o rio, o substrato físico circundante e as comunidades associadas. É prioridade a conservação dos recursos naturais e dos processos ecológicos em escala regional. Por isto, foram descartadas as obras de melhoramento analisadas em uma primeira etapa para este tramo.

MTAQUI – Como ficarão os ribeirinhos diante do incremento da navegação?

ADILSON – O melhoramento da via navegável e da infraestrutura portuária (que oportunamente serão aprovados pelas autoridades em matéria de meio ambiente dos países membros) trarão à tona um novo equilíbrio entre as comunidades ribeirinhas e o sistema fluvial, tendendo a introduzir ou propiciar melhorias na qualidade de vida das mesmas. Todo o processo tem como marco o aproveitamento sustentável dos recursos naturais da região.

MTAQUI – O projeto de navegação não é mais o original. Por que Santo Antônio das Lendas?

ADILSON – A previsão era a partir da zona urbana de Cáceres; agora é desde Santo Antônio das Lendas, no mesmo município, para onde foi mudado o Km 0 da BR-174, rodovia que foi federalizada para atender ao modal de transporte rodofluvial.

Por Eduardo Gomes ´
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Governo distribui 25 mil litros de água para animais do Pantanal

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Assessoria

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com a Fundação Ecotrópica, Corpo de Bombeiros Militar (CBMMT), Defesa Civil, e a Prefeitura de Poconé, deu início no último sábado (11.09) a distribuição de água para os animais do Pantanal.

A ação começou com a inclusão de 25 mil litros de água em dois dos 84 pontos mapeados da Estrada Parque Transpantaneira, localizada em Poconé (102 km distante de Cuiabá). Dois caminhões-pipa locados pela Defesa Civil estão sendo utilizados para a ação.

A definição dos pontos e do início da distribuição de água foi tomada em conjunto com o Ibama –  órgão que detém a atribuição legal de autorizar o manejo de fauna e outras ações que interfiram no ambiente natural do Pantanal e dos animais silvestres.

Um dos pontos que recebeu água possui ariranhas, e no outro, jacarés. Para garantir o bem-estar dos animais, foi feita a análise da água antes e depois do despejo de água adequada para o consumo da fauna da região.

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A coleta da água é realizada em um poço tubular perfurado na rodovia, e nos rios da localidade.  O poço foi perfurado como parte de um projeto piloto que facilita o abastecimento de água na região da Transpantaneira durante os períodos de estiagem.

Poço artesiano  

O poço foi viabilizado por meio de uma parceria entre a Sema-MT,  a Associação de Defesa do Pantanal (Adepan), que representa particulares da região, e o Ministério Público Estadual (MP MT).

“A Sema está avaliando o resultado alcançado com este projeto piloto, a viabilidade, a qualidade da água, a disponibilização de energia elétrica, os mecanismos de gerenciamento deste poço e os cuidados necessários, e ainda se a disponibilidade hídrica atende às necessidades da região” explica o secretário Executivo da Sema-MT, Alex Marega.

No local, há uma bomba para a retirada da água, alimentada por energia elétrica. O projeto prevê os testes com esta primeira tubulação, o monitoramento do funcionamento, das dificuldades e dos benefícios, para então avançar e implantar até 10 poços tubulares na extensão da Estrada Parque.

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A construção de poços é uma importante ferramenta para obtenção de água potável, em áreas remotas. Um dos desafios do projeto é a necessidade de fornecimento de eletricidade para alimentar os motores que trazem água à superfície.

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Ocupação de UTIs volta a subir e MT registra 14 mortes por covid

Publicado

A Gazeta

A taxa de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em Mato Grosso voltou a subir, como apontam dados do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) na quinta-feira (16). Com a atualização, o estado passou a contabilizar 14 novas mortes pela covid-19.

No painel epidemiológico anterior, a SES contabilizava 51,46% de ocupação das UTIs, valor que subiu para 56,45% com a atualização. A alta se dá após anúncio de fechamento de leitos pelo Estado, em virtude do arrefecimento da pandemia.

De acordo com o novo balanço, Mato Grosso passou a contabilizar 529.808 contágios, dos quais em 510.769 casos as pessoas infectadas se recuperaram do vírus. Contudo, ao todo, 13.688 vítimas não resistiram à covid e morreram devido a complicações.

As cidades com mais casos são: Cuiabá (109.230), Rondonópolis (37.383), Várzea Grande (36.781), Sinop (25.540), Sorriso (18.049), Tangará da Serra (17.614), Lucas do Rio Verde (15.544), Primavera do Leste (14.613), Cáceres (11.682) e Barra do Garças (10.532).

Até quarta-feira (15), o governo federal confirmou 21.034.610 casos e 588.597 óbitos oriundos da doença. No levantamento do dia anterior, o país tinha 21.019.830 contágios e 587.797 mortes.

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