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Doença cardiovascular e os fatores de risco

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Uma pergunta frequente entre os cardiologistas é: qual o principal fator de risco para doenças cardiovasculares ( DCV) ?

O tabagismo, o diabetes, a hipercolesterolemia, a hipertensão arterial, a hereditariedade, a obesidade ou o sedentarismo?

Para nós médicos não é de muita importância a hierarquia porque nos esforçarmos para combater todos eles. Embora nos frustremos com frequência alarmante, porque mesmo depois de exaustivas explicações e exemplos o paciente retorna – quando retorna – e diz desolado que nada mudou em seu comportamento.

Certa vez conversando com um grande psiquiatra, Dr Flavio Gikovate, queixei-me dessa nossa dificuldade em alcançar o objetivo de livrar nossos pacientes do infarto ou do AVC, quando o remédio era a mudança de hábitos de vida e não um fármaco comprado em farmácia.

A resposta dele surpreendeu-me. Ele disse algo que parecia óbvio, mas com uma certeza irrefutável: “é muito difícil para qualquer pessoa mudar um hábito antigo. Muito difícil”.

A partir daí passei a observar melhor meus pacientes e constato que quanto mais arraigado em hábito, costume, mais difícil se torna para que se mude. Até porque quando se está praticando algo há tempos, o meio ambiente em volta vai se modificando, os amigos escolhidos passam a fazer as mesmas coisas, terem o mesmo modo de se alimentar e a frequentar os mesmos lugares.

Dou um exemplo: o sujeito sai do trabalho um tanto estressado e vai todo fim de tarde a um bar próximo de casa, aí encontra alguns conhecidos que gostem de conversar e de beber cerveja.

Nas primeiras vezes toma uma cerveja, conversa um pouco e vai embora. Mas descobre que há um dos conhecidos que torce pelo mesmo time de futebol e outros dois que torcem para um time adversário. A partir daí procura informar-se mais sobre seu time e os times adversários, fazendo com que nas próximas vezes a conversa se alongue mais, e claro, acompanhada de mais cerveja e tira-gostos invariavelmente salgados e gordurosos e alguns cigarros a mais também, se fumar.

Este hábito é o oposto, em termos de saúde, de outro indivíduo que ao sair do trabalho vai andar de bike ou jogar tênis. A companhia da qual ele passa a usufruir tende a ter os mesmos hábitos, saudáveis, porque a competição é pelo aperfeiçoamento da técnica ou do condicionamento físico.

Quais as diferenças básicas entre esses dois indivíduos?

A força de vontade, claro, e o meio ambiente.

Por isso é importante o indivíduo procurar mudanças mais radicais e não apenas focar num hábito, se quiser viver mais saudável.

Mas voltando à hierarquia dos fatores de risco para as DCV, quando o paciente hipertenso, diabético, com colesterol elevado, fumante, acima do peso e sedentário, pergunta em qual desses fatores ele deve ater-se mais, qual hábito tentar mudar com mais empenho?

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Claro que qualquer médico vai, no ímpeto, dizer que todos.

Mas sendo realistas e sabendo que teremos pouco ou nenhum sucesso, em qual devemos persistir e insistir? Qual o potencialmente pior fator de risco, o que mais rouba vidas?

Entre os fatores de risco há os modificáveis e os não modificáveis. Estes últimos são: história familiar de DVC, ou seja, sua herança genética, sexo masculino- até os 60 anos, homens têm maior chance de DCV que as mulheres,idade- as DCV aumentam sua prevalência com o envelhecimento.

Os modificáveis, ou seja, os que podem ter sua influência na saúde amenizada,

são divididos em dois grupos, os maiores e os menores. Os maiores são: tabagismo, diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado. Os menores:estresse, obesidade, sedentarismo, triglicérides elevados com baixo colesterol HDL (o bom colesterol).

Mas falaremos dos fatores modificáveis, que é nosso escopo hoje.

Colesterol elevado: o colesterol é vital para o funcionamento de nossas células. Nós produzimos colesterol além do que ingerimos na dieta. Porém quando acumulamos muito colesterol através de alimentos ricos em gordura animal, ele se deposita na parede de nossas artérias, levando a obstrução, causando infarto e AVC. Alguns pacientes têm hipercolesterolemia familiar, ou seja, colesterol alto herdado geneticamente, nesses casos, devem seguir dieta rígida pobre em gordura animal e vegetal saturada e em muitos casos usar remédio que bloqueia a produção de colesterol.

Os triglicérides elevados podem reduzir o colesterol HDL, que é o colesterol bom ou seja, o que protege as artérias. Evitar açúcares, carboidratos em geral e álcool, diminui os triglicérides.

A hipertensão arterial lesa as artérias, podendo provocar infartos e AVCs e insuficiência cardíaca. Geralmente é herdada de família mas pode ser fortemente influenciada pelo estilo de vida, como excesso de sal, sobrepeso e excesso de bebidas alcoólicas.

O diabetes aumenta o risco de DCV, particularmente quando associado a hipertensão arterial e colesterol elevado.

Tabagismo: não há limite mínimo seguro para o tabagismo. Mesmo alguns cigarros por dia aumentam o risco de DCV. O tabagismo também é responsável por 90% dos cânceres de pulmão, além de poder causar câncer em várias outras partes do corpo, bronquite e enfisema. Porém, não importa o quanto você fumou, se parar vai reduzir o risco de DCV e depois de 5 anos, o risco de infarto e AVC cai pela metade.

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Estresse: Um pouco de estresse é necessário, porque mantém o indivíduo alerta e motivado, porém quando em excesso, pode ser muito prejudicial, podendo elevar a pressão arterial, tirar o foco do indivíduo de vida mais saudável, porque passa a ter maus hábitos alimentares, fazendo aumentar o colesterol, a pressão arterial e a não usar a medicação prescrita, aumentando o risco de DCV.

E por último, um fator de risco cada vez mais evidente: inatividade física.

Quando o paciente pergunta qual mudança de hábito é mais importante, respondo: comece a fazer atividades físicas como um remédio. Qualquer atividade física, escolha.

A atividade física ajuda a: parar de fumar, controlar o peso, reduzir triglicérides, elevar o colesterol HDL (bom), diminuir a resistência à insulina, controlar a hipertensão arterial, tratar a insuficiência cardíaca, reduzir o estresse, induzir o sono, fortalecer a musculatura do corpo, fortalecer os ossos, coordenação motora(evitando quedas), prevenir osteoroporose, reduzir risco de alguns tipos de câncer e melhorar o humor, ajudando no tratamento da depressão.

Afinal, quanto de exercício é necessário? (lembrar que é recomendável avaliação cardiológica prévia).

As Diretrizes das Associações de Cardiologia sugerem como mínimo por semana:150 minutos de atividade aeróbica moderada, como ciclismo ou caminhadas rápidas e dois ou mais dias na semana de musculação geral.

Ou 75 minutos de atividade física aeróbica intensa como correr ou jogar tênis em partidas simples e pelo menos dois dias de musculação geral. Ou 30 minutos de atividade física moderada 5 vezes por semana.

Para os idosos, com mais de 65 anos, as recomendações são as mesmas, apenas com cuidado maior com aintensidade nas atividades aeróbicas e com as articulações na musculação.

Vários estudos mostram que sair do sedentarismo e praticar exercícios físicos moderados a intensos todos os dias reduz o risco de mortalidade cardiovascular em até 70%.

Porém estudo recente feito pelo Instituto Karolinska na Suécia, concluiu que mesmo a prática de exercícios leves como jardinagem, trabalhos caseiros ou caminhadas leves por 30 minutos todos os dias reduz a mortalidade em 24%, em comparação aos sedentários.

A regra geral é não ficar muito tempo parado e caminhar sempre que possível.

Portanto, não importa o fator de risco que pretende lhe roubar a qualidade e uns anos de vida, comece a fazer exercícios físicos.

José Almir Adena é médico cardiologista e um dos fundadores do departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia(SBC). Participou das primeiras diretrizes de cardiogeriatria publicadas pela SBC. Membro da Academia de Medicina de Mato Grosso –Cadeira 7.

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Páscoa: Entre o comércio de chocolates e a fé cristã

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Páscoa é época de trocar ovos de chocolate, certo? Para muitos pode ser! Mas o verdadeiro sentido dessa festa é relembrar um período de escravidão, e a libertação de um povo. A Páscoa foi instituída entre o povo hebreu ainda na antiguidade, e data de cerca de 5 mil anos, conforme explica o pastor da Igreja Assembleia de Deus – Ministério Madureira, Oseias Rodrigues da Silva.

“É importante que as pessoas conheçam o verdadeiro sentido da Páscoa, que é o festejo pela libertação, primeiramente do povo de Deus, que era escravo no Egito e foi liberto por intermédio de Moisés, e depois do povo cristão, que foi liberto do pecado por meio da morte e ressureição de Jesus”, afirma o pastor lembrando que os judeus comemoram ainda nos dias atuais a Páscoa relembrando a saída do povo do Egito.

Ele relembra que a instituição da Festa da Pascoa está no livro bíblico de Êxodo, capitulo 12, quando Deus manda festejar no dia 10, daquele mês específico a Páscoa, que consistia numa celebração familiar, em que um cordeiro deveria ser morto para alimentar toda a família e se fosse o caso, com vizinhos a fim de não haver desperdício. Esse alimento era comido também com ervas amargas, a fim de marcar um momento de reflexão e relembrar a escravidão e o sofrimento que passaram.

“Posteriormente, a Páscoa passou a significar entre os cristãos a celebração da morte e ressureição de Jesus Cristo. Claro que tem toda uma alegoria filosófica em que Cristo representa o cordeiro pascal, que foi morto para livrar o povo da escravidão do pecado. E antes de ser morto, na quinta-feira Jesus chamou seus discípulos e celebrou a páscoa e a chamou de Ceia do Senhor, ou Santa Ceia, e pediu que daquele momento em diante ao tomar a ceia, se lembrassem da sua morte e do seu sacrifício para remissão dos pecados”, explica o pastor.

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Segundo ele, o momento comercial de vender ovos de chocolate, não deve suplantar o verdadeiro significado da Páscoa. “Sem desmerecer as comemorações do Natal, quando comemoramos o nascimento de Jesus, a Páscoa é o momento em que há na Bíblia uma recomendação do próprio Jesus Cristo para que comemorássemos a sua morte e a sua ressureição”, afirma o líder religioso.  Para ele, a Páscoa é uma data muito importante para os cristãos, tendo inclusive uma ordem de Jesus para que se lembrassem do seu sofrimento, da sua morte e da sua ressureição.

Arquivo Pessoal

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Oseias Rodrigues da Silva pastor da Igreja Assembleia de Deus – Ministério Madureira.

“Preocupa-me um pouco essa banalização do sentido da Páscoa, esse comercio existente em torno da data. Nós reconhecemos que é um momento importante para o comerciante, mas é fundamental não esquecer o sentido, o que preocupa é ter adolescente que não sabe o que significa a Páscoa. Além disso, tem um problema muito sério, porque coelho não bota ovos”, diz o pastor. Ele lembra que o costume de trocar ovos começou na Alemanha no século XVI com o intuito de celebrar o fim do inverno e início da primavera, e depois isso começou a ocorrer por ocasião da Páscoa por se dar mais ou menos na mesma época no continente Europeu.

Sofrimento

Quando se fala em Páscoa, sempre vem à mente primeiramente o calvário, a crucificação de Jesus e todo o sofrimento. A ressureição fica em segundo plano. Em Cáceres, por exemplo, neste ano, haverá a encenação em praça pública do sofrimento de Jesus, assim como ocorre em outras cidades do mundo. Para o pastor Oseias, essa valorização do sofrimento é uma tendência do ser humano. “O homem tem a tendência de valorizar o trágico, porque ele causa impacto, e uma tendência a não valorizar o milagroso, ou o miraculoso, apesar disto, o apóstolo São Paulo em sua carta aos Coríntios relembra as palavras de Jesus ao celebrar a páscoa com a Santa Ceia, dizendo que ao fazer esse ato, anuncia a morte de Jesus até que ele venha, se ele diz que é até que ele venha, significa que se ele vai vir, Jesus ressuscitou. Há uma valorização sim do sacrifício para que o homem entenda que não foi gratuito. E se não fosse a ressureição de Cristo, ele seria apenas um profeta pelo mundo, a ressureição é a garantia de ele é o Messias de Deus, o Cristo para os homens”, explica o pastor.

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“Por fim, um fato curioso da ressureição de Cristo no domingo pela manhã é que ao sair do túmulo ele deixa um anjo na porta para informar às mulheres. Esse anjo deixa um recado para elas: Ide e dizei aos seus discípulos e a Pedro. Eu acho interessante isso, porque Pedro era discípulo de Cristo, mas como ele havia negado a Jesus ele estava se sentindo excluído do discipulado. Jesus está dizendo que na ressureição, o meu amor e a minha misericórdia atinge até mesmo aquele que me negou. Todos que desejarem podem se sentir abraçados por Cristo”, finaliza.

Por: Lygia Lima em especial Cáceres Notícias

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CÁCERES HIDROVIÁRIA OPINIÃO

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A integração multimodal ao se vislumbrar a utilização do sistema de navegação pela Hidrovia Paraguai-Paraná, cuja conexão mais ao norte (transporte competitivo de cargas) se dá em Cáceres (vide o Tratado Internacional do Comitê Intergovernamental da Hidrovia-CIH), seja pelos Terminais Portuários existentes na zona urbana ou pelas ETCs planejadas e/ou em consolidação, através dos processos dos TP de Paratudal e do TP Barranco Vermelho, e, ainda espera-se a retomada do projeto de Santo Antônio das Lendas, antes Morrinhos. Obviamente há que se considerar fortemente a modalidade de navegação voltada a atender ao enorme e importante segmento do Turismo;

A multimodalidade está tornando-se realidade pelas ações da iniciativa privada (vide os processos acima citados), oportunizados ou “empurrados” pelo crescimento exponencial da produção no campo, e atividades do agronegócio, que sofrem com o represamento de suas cargas e obtenção de seus insumos, consequência da exaustão das artérias (rodovias) ou a falta delas, quesito de inteira responsabilidade da gestão pública, Federal e Estadual, medianamente remediada através das concessões/pedágios (PPP), e ainda pela recente federalização do trecho da centenária estrada municipal que liga à antiga fazenda Morrinhos, hoje quilômetro 0 (zero) da BR-174, que até há pouco era na Ponte Marechal Rondon sobre o rio Paraguai, no perímetro urbano de Cáceres;

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O meio hidroviário, tão discutido e combatido, tem nos documentos históricos seu atestado de total viabilidade, comprovada desde sempre pelos trabalhos da Marinha do Brasil, da Administradora da Hidrovia do Rio Paraguai – AHIPAR, e todo o trabalho de manutenção e sinalização feitos há mais de 100 (cem) anos. Vide também o vasto material consolidado recentemente pela Universidade Federal do Paraná-UFPR/ITTI nos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental-EVTEA, em distintas fases contratadas pelo então Ministério dos Transportes/DENIT e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ;

O fato é que temos no Paraguai-Paraná, como um todo, um sistema de navegação em corrente livre. Ou seja, não há necessidade de obras de engenharia, como construção de eclusas, etc. Os serviços de dragagem de manutenção são realizados há mais de 100 (cem) anos, como atesta a publicação de 1914 no “Album Graphico de Matto Grosso”, ali podemos reviver e epopeia da navegação pelo rio Paraguai através dos antigos vapores de transporte de passageiros e cargas. As lojas de comércio, importação e exportação se valiam deste modal. Vide localmente a história da Casa de Comércio “Ao Anjo da Ventura” e do vapor “Etrúria”;

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O sistema hidroviário é de mão dupla, por ele, em atividade ambientalmente sustentável e custo viável, podem sair e chegar produtos como alimentos, fertilizantes,

máquinas, peças, bens de consumo e outros produtos Industrializado, esta é a realidade, e Mato Grosso não pode prescindir deste modal, mais uma vez nos reportamos ao “Album Graphico de Matto Grosso”, e, também à “História da Navegação em Mato Grosso”, do Professor Jesus Brandão, que contam os fatos em detalhes, números e imagens de uma época em que não dispúnhamos de rodovias, hoje as temos, porém precárias e não atendem à demanda;

Portanto, a navegação potencializa muitas variáveis para o crescimento social, e tudo com respeito ao meio ambiente, hoje temos muito mais conhecimento e ferramentas para que tudo seja realizado em harmonia.

Finalizando, temos vários estudos acadêmicos recentes, que dissecam o tema sob várias óticas, isto é salutar porque extrapola falas meramente políticas e não raras vezes oportunistas. As articulações têm que ser técnica e politicamente sustentadas e defendidas, assim todos saem ganhando, ambiental e socialmente.

Até a próxima…

OPINIÃO (Abril de 2019)

Eng. Adilson Reis

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