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Compulsão alimentar nas mulheres é verdade ou mito? Médico explica

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Diversos estudos tentam decifrar como ocorre o fenômeno da compulsão alimentar. Ela é muito comum, principalmente, entre as mulheres que afirmam ter uma “dependência alimentar” ou serem “viciadas” em certos alimentos. Atualmente, há muita controvérsia na comunidade científica sobre quais são os mecanismos relacionados com a dependência alimentar e como ela poderia contribuir para o sobrepeso e para a obesidade. Em contraste, o vício em comida é amplamente discutido na mídia e o apoio público para sua existência parece ser muito forte. De fato, o estudo de Lee e colaboradores de 2013 mostra que mais de 85% das australianas e americanas acreditam que certos alimentos têm potencial viciante, e 72% acreditam que o vício em comida é responsável por alguns casos de obesidade. Mais impressionante é o estudo de Meadwos & Higgs, de 2013, que mostra que 52% das mulheres inglesas classificam-se como viciadas em alimentos. E como será que é no Brasil?

A compulsão alimentar é um problema de saúde pública e, pior, é subdiagnosticada pelos
médicos. O estudo Kessler e colaboradores publicado em 2013 pelo Instituto Nacional de Saúde  dos EUA (NIH) mostra que a compulsão alimentar representa um problema de saúde pública,
pelo menos, igual a bulimia nervosa. Eles ainda ressaltam a importância clínica de questionar os pacientes sobre problemas alimentares, mesmo quando esses não estão incluídos entre as  queixas apresentadas ao médico em consultas.

Segundo o médico Higor Caldato, psiquiatra com formação em transtornos alimentares pela
UFRJ, um episódio de compulsão alimentar acontece quando uma pessoa ingere uma quantidade de comida muito maior do que a maioria das pessoas comeriam em um mesmo intervalo de tempo, e acontece com uma sensação de descontrole, sem conseguir evitar comer ou para de comer. Além disso, segundo o psiquiatra a pessoa pode comer muito mais rapidamente que o habitual, sentir-se desconfortavelmente cheia, ingerir alimentos sem sentir de fato fome.

O psiquiatra ainda esclarece que: “frequentemente estes episódios são seguidos por sofrimento,  depressão ou culpa. As pessoas que apresentam transtorno de compulsão alimentar geralmente  sentem vergonha de seus problemas alimentares e tentam ocultar os sintomas”. Assim, a doença acaba ocorrendo em segredo ou o mais discretamente possível, atrasando muitas vezes, a busca pelo adequado tratamento. Sem o devido tratamento, os pacientes continuam a sofrer calados.

COMO A CIÊNCIA EXPLICA A COMPULSÃO ALIMENTAR?

A compulsão alimentar é uma condição multifatorial estando envolvida com fatores
socioculturais, psicológicos e, até, familiares. No entanto, atualmente existem explicações
biológicas e estudos recentes mostram que, para algumas pessoas, os mesmos centros de
recompensa e prazer do cérebro que são acionados por drogas que causam dependência, como
cocaína e heroína por exemplo, são também ativadas por alimentos, especialmente aqueles
altamente palatáveis como o açúcar e o sal.

Como as drogas que causam dependência, os alimentos altamente palatáveis parecem
desencadear a liberação de substâncias químicas, em especial a dopamina, no cérebro. Uma vez que as pessoas experimentam o prazer de comer certos alimentos ocorre o aumento da
transmissão de dopamina e serotonina na via de recompensa no cérebro, assim elas rapidamente sentem a necessidade de comer novamente para sentir o mesmo prazer.

É o que evidencia o estudo de Wang e colaboradores onde a disponibilidade do receptor de
dopamina (D2) está diminuída em indivíduos obesos. A dopamina modula circuitos de motivação e recompensa e, portanto, a deficiência de dopamina em indivíduos obesos pode perpetuar a
compulsão alimentar como um meio para compensar a diminuição da ativação desses circuitos.

QUAIS O SINAIS DA COMPULSÃO ALIMENTAR?

Veja se algumas dessas perguntas se aplicam a você?

– Você come mais do que o previsto quando começa a comer certos alimentos?
– Você come certos alimentos mesmo quando não está mais com fome?
– Você come algum alimento em excesso a ponto de sentir-se mal?
– Você se preocupa em não comer certos tipos de alimentos?
– Quando certos alimentos não estão disponíveis você sai de casa para obtê-los?
– Você evita situações profissionais ou sociais onde certos alimentos estão disponíveis por
causa do medo de comer demais?
– Você tem problemas no seu trabalho ou escola por causa de comida?
– Comer alguns alimentos provocam problemas como depressão, ansiedade ou culpa?
– Você precisa comer mais e mais alimentos para reduzir as emoções negativas ou aumentar o prazer?
– Comer a mesma quantidade de alimentos não reduz as emoções negativas ou aumenta o
prazer da maneira que costumava?

COMO TRATAR A COMPULSÃO ALIMENTAR?

O acompanhamento médico é indispensável para o diagnóstico e o tratamento da compulsão
alimentar. Como normalmente esses indivíduos estão com sobrepeso ou são obesos o tratamento multidisciplinar é fundamental. Uma equipe formada por um psiquiatra, psicólogo, endocrinologista e o nutricionista pode trazer um resultado muito mais favorável para o paciente a longo prazo.

O tratamento passa por medidas farmacológicas específicas com o objetivo de reduzir os
episódios de compulsão alimentar e o peso corporal (quando associado a sobrepeso ou
obesidade). E medidas não farmacológicas como o acompanhamento nutricional para a
melhora do comportamento alimentar inadequado e de psicoterapias, principalmente o cognitivo comportamental, que tem mostrado resultados significativos no tratamento da compulsão alimentar. Por isso, tenha equilíbrio nas suas escolhas e cuide-se sempre, nunca negligencie os sinais do seu organismo.

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A luta de uma categoria

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O ano era 1993. Chegava finalmente o dia da divulgação da lista de aprovados no concurso público da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso. Foi uma alegria imensa ver que meu nome constava lá e isso era o resultado de todo o estudo e esforço a que eu tinha me dedicado. Ainda hoje esse é um sonho para muitas pessoas que almejam seguir a carreira pública. É uma dedicação de vida e com a qual esperamos ser reconhecidos profissionalmente.

Foi assim comigo e com os 385 colegas que tomaram posse em 1994 como Agentes de Administração Fazendária do Estado de Mato Grosso (AAF’s). Mas, nesses 27 anos, além de exercer nossas funções, também foi preciso empreender uma enorme luta para ver nossos direitos reconhecidos. Uma determinação por justiça que até hoje nos move e que não ousamos desistir. Atualmente, somos em 165 AAF’s ainda na ativa e 77 aposentados, e a nossa categoria é incansável. Se você não consegue entender as nossas reivindicações, vou tentar ser o mais sucinto possível para explicar.

Quando foi criada a carreira de Agente de Administração Fazendária, ela foi constituída com atribuições plenas para atuar no controle dos sistemas de fiscalização, arrecadação e informações econômico-fiscais de Mato Grosso. Sempre trabalhamos na ponta, atendendo os contribuintes nas Agências Fazendárias.

Em 1996, o Estado concedeu aumento às outras categorias da administração tributária, esquecendo a nossa. Foi interposta uma ação judicial (30.884/1996) que reconheceu a similitude das atribuições dos AAF’s com os integrantes do Grupo TAF – que são todos os servidores que atuam nas áreas de tributação, arrecadação e fiscalização – e com isso o nosso direito de receber o aumento foi concedido.

Em 2008, depois de muitas batalhas na justiça, o Estado implantou uma isonomia funcional e salarial com as demais carreiras do Grupo TAF. Acreditamos que esse acordo colocaria um fim na longa luta judicial dos AAF’s, no entanto, mais uma vez fomos sorrateiramente injustiçados. Além de não honrar o compromisso firmado, o Governo não regulamentou a isonomia funcional e os aumentos salariais concedidos aos servidores do Grupo TAF, a partir do acordo, não contemplaram os AAF’s.

Entre os anos de 2009 e 2014 fomos responsáveis por cerca de 120 mil atendimentos por mês nas agências fazendárias e 90% dos processos na Sefaz eram feitos por nós. Os AAF’s resolveram, nesse período, aproximadamente 1 milhão de processos. Vale ressaltar que nunca deixamos de nos atualizar e mais de 70% da categoria hoje têm pós-graduação, a maioria na área tributária.

Em 2014, uma nota técnica nos retirou da análise de processos. Para piorar, a descaracterização das Agências Fazendárias, que foram transformadas em call center, foram ações que não prejudicaram apenas a nossa categoria, mas todos os contribuintes que precisam dos serviços tributários executados na ponta.

São milhares de processos que hoje estão sem tramitação na Sefaz-MT, prejudicando quem depende da análise para dar encaminhamento aos seus negócios. Tentamos sensibilizar o governo do prejuízo para o Estado e desde 2014 tentamos reaver nossos direitos funcionais.

Agora tomamos mais um golpe. O governo determinou a extinção dos Agentes de Tributos Estaduais (ATE’s) e o aproveitamento na carreira de Fiscais de Tributos Estaduais (FTE’s). Nessa unificação de carreiras, excluiu do decreto os AAF’s, os Agentes de Fiscalização e Arrecadação de Tributos Estaduais (AFATE’s) e os Agentes Arrecadadores de Tributos Estaduais (AATE’s). Mais uma vez não se cumpre o nosso direito adquirido e já garantido pela justiça em termos de isonomia.

O Estado insiste em não reconhecer uma decisão judicial, não nos permite atuar de acordo com as atribuições originárias do cargo para o qual prestamos concurso público e ignora nossos direitos adquiridos ao longo de mais de duas décadas como servidores.

Buscamos reconhecimento, melhores condições de trabalho e vamos continuar lutando pela reestruturação da carreira. É nosso direito.

Nosso dever como Agentes de Administração Fazendária é atender a sociedade e promover justiça fiscal aos contribuintes e cidadãos mato-grossenses. Nada vai nos demover de fazer nosso trabalho da melhor maneira possível.

Só vamos parar de lutar no dia que conseguirmos ver oficializadas as nossas reivindicações. Esse dia será tão feliz quando aquele em que recebemos o resultado do concurso.

*Manoel de Jesus Sombra Teixeira é presidente do no Sindicato dos Agentes de Administração Fazendária do Estado de Mato Grosso

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A principal falha do seu relacionamento Por Marina Stech

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“Faz o que você quiser!” (com aquela entonação indiferente). Quantas vezes você já falou isso pra ele? “É melhor eu ir escondido no futebol do que avisar a minha mulher”. Quantas vezes você homem já teve esse pensamento? A falta de diálogo é o principal problema de casais hoje em dia e uma das principais queixas em consultório psicológico.

 

Atualmente, muitas pessoas parecem não saber mais conversar, tudo é cobrado ou reclamado e a vontade de não querer ouvir o outro predomina. Inclusive, um dos erros mais cometidos é achar possível que o outro adivinhe o que queremos sem dizermos nada.

 

A falta de comunicação nos relacionamentos, geralmente, acontece pela pouca liberdade que um tem com o outro, gerando brigas e desentendimentos. Com o tempo, achamos que o outro já nos conhece o suficiente, e sendo assim, não precisamos mais verbalizar nossos gostos, vontades, incômodos, inseguranças, sentimentos… relacionando ao exemplo clássico do dia dos namorados, em que a comemoração não é tão relevante pra alguns, mas fundamental para outros. “Eu não vou lembrar ele sobre o dia dos namorados e nem dizer que desejo uma comemoração, ele tem que se lembrar!” dessa forma, acabamos não falando, nos frustrando ou até mesmo dizendo a mais algumas coisas, em outros momentos, que não precisariam ser ditas, nos comunicando de forma não assertiva.

 

Normalmente, as pessoas escolhem se comunicar de forma passiva, quando pensam “Prefiro me calar senão vamos discutir, quero evitar conflitos.” Ou de forma agressiva, quando escolhem verbalizar palavras ao parceiro em momentos de raiva, se arrependendo depois. Diante dos tipos de comunicação existentes, a comunicação assertiva é a mais eficaz, mesmo assim, poucas pessoas são capazes de colocá-la em prática, principalmente quando inserida nas relações amorosas. Como podemos utilizá-la e qual o papel que você tem na sua convivência enquanto casal?

 

É importante começar com comportamentos como:

Expressar o que pensamos e sentimos: pode parecer simples, mas nos relacionamentos amorosos, raramente esses sentimentos são expressos, quando por exemplo, uma atitude incomoda o parceiro, este prefere se calar para fugir de atritos. É melhor não se calar e respeitosamente pedir para que o outro escute sua queixa, como uma oportunidade de amadurecer a comunicação entre vocês.

 

Passar um tempo de qualidade com o outro: quantas horas no mês você passa assistindo TV ou maratonando a sua série favorita? Qual a proporção disso comparado ao tempo que você tem investido na sua relação, como chegar após um dia de trabalho e perguntar ao seu companheiro “Tá tudo bem com você? Como foi seu dia?” buscando saber o que ele tem passado, o que tem pensado… como as suas emoções estão.

 

Aprender a falar por nós mesmos: geralmente escolhemos culpar o outro quando discutimos com alguém ao invés de falar na primeira pessoa e admitir o que sentimos. Isso é um erro, aprender a falar na primeira pessoa nos ajuda a assumir a responsabilidade pelas nossas emoções e verbalizá-las de forma objetiva. Pode começar usando frases como “eu sinto…” ou “eu percebi…”.

 

Antes de agredir é melhor perguntar: quando recebemos uma crítica de quem amamos, podemos ficar tão chateados, reagindo com rispidez ou até mesmo agressividade. Ao invés de sermos tão reativos, poderíamos perguntar “Certo, como posso fazer diferente?” ou “Como isso poderia ser melhor?”. Pontuações como essas fazem parte da convivência entre duas pessoas com criações de vida diferentes.

 

Pensar na mensagem que quer dizer: e também na forma, sentir-se magoado ou agredido pode nos fazer querer revidar e magoar de volta o companheiro, por isso respire, se acalme e pense antes de falar. Não é preciso ter pressa. Frases como “Me sinto com a cabeça quente agora, podemos conversar sobre isso mais tarde ou amanhã?” são úteis para este momento.

 

Não acumular reclamações: faz parte da comunicação assertiva expressar o que nos incomoda no momento em que sentimos ou que ele acontecer e não em uma conversa em que o contexto seja outro. Civilizadamente, procure dizer “Sabe, eu não me senti bem hoje quando você fez/falou isso… eu me senti…” descreva e estará treinando sua comunicação, dando a oportunidade para que o outro treine também. Podendo assim, crescer e amadurecer juntos.

 

Você tem liberdade pra falar aquilo que você quer, pensa e sente ao seu parceiro? Se sente amado? Acha que tem a atenção que merece? Se não, é uma boa oportunidade para trabalhar a comunicação assertiva e o tempo de qualidade na sua relação, os benefícios são claros: mais intimidade, confiança e cumplicidade para qualquer casal.

 

Em um relacionamento, muitas vezes, o que morre não é o amor, mas a vontade e o interesse de se esforçar para amar o outro.

 

Marina Stech é psicóloga (CRP 18/05593) em Cuiabá/MT. Pós-graduanda em Terapia Cognitiva, atua com a abordagem Terapia Cognitivo-Comportamental e auxilia pessoas através de sua página profissional no Instagram. (Terapeuta para adolescentes, adultos e casais).

Instagram: @psicologia_sensata

E-mail: psimarinastech@gmail.com

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