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Comissão Especial da ALMT vai acompanhar efetivação de resultados de CPI

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Foto: FABLICIO RODRIGUES / ALMT

Mato Grosso perde mais de R$ 614 milhões por ano em decorrência da sonegação de impostos no segmento de combustíveis, dinheiro que faz muita falta na saúde, na educação, na infra-estrutura e na melhoria da qualidade de vida da população. Além dos recursos desviados via sonegação, estimados em R$ 398 milhões/ano, a inadimplência gerada por demandas judiciais retira outros R$ 216 milhões dos cofres públicos.

Para reverter este quadro, o sub-relator do segmento de combustíveis da CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal, deputado Carlos Avallone (PSDB) apresentou hoje (10) seu relatório final com um diagnóstico completo do setor, as causas da sonegação e a sistemática das fraudes nos combustíveis. O documento também traz diversas recomendações aos gestores públicos e órgãos de controle, e propostas de novas legislações para inibir estes crimes contra o Estado e o cidadão.

Para evitar que as investigações da CPI não gerem resultados concretos, frustrando a população – o que geralmente ocorre por omissão do Executivo e dos órgãos de controle – a CPI introduziu uma inovação importante: a Assembleia Legislativa criará uma Comissão Especial Temporária, com funcionamento de 180 dias, para acompanhar a efetivação de todas as recomendações da Comissão.   

O segmento de combustíveis é um dos mais importantes da economia estadual, pois responde por 26% da receita do ICMS (R$ 2,7 bilhões em 2018), e 68% da arrecadação do FETHAB. Em 2018, o faturamento do setor foi estimado pela SEFAZ em R$ 20,4 bilhões, ou 14% do PIB de MT. O segmento responde isoladamente com 16% (cerca de R$ R$ 20,4 bilhões) do faturamento tributável total (R$ 127,4 bilhões).

Investigação profunda

Após seis meses de trabalho investigativo através de audiências públicas, tomadas de depoimentos e coleta de informações, a CPI apresentou seu primeiro resultado concreto, um amplo diagnóstico das causas da sonegação fiscal e fraudes nos combustíveis em Mato Grosso. Segundo o sub-relator Carlos Avallone, a principal causa dos problemas no setor é a própria questão tributária, seja em função das elevadas alíquotas, seja por causa da complexa legislação com diferentes alíquotas cobradas de estado para estado. No setor de combustíveis, o campeão em arrecadação de ICMS, os impostos estaduais e federais correspondem a 40% do preço da gasolina, a 25% do preço do diesel e a 17% do preço do etanol. 

A CPI identificou também o outro grande desafio que é o combate a fraudes e adulterações, que não são tipificados adequadamente como crime passível de sanção penal. A sonegação e a judicialização também impressionam: a eficácia tributária é de 81,4%, representando uma perda de cerca de R$ 614 milhões, segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda.

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Irregularidades detectadas

Adulteração de combustíveis, através da mistura de etanol anidro na gasolina, acima dos 27% permitidos por lei, e uso de solvente na gasolina e metanol vendido como etanol hidratado ou adicionado à gasolina.

Descaminho dos produtos, nas operações interestaduais ou vendas fictícias. Como os combustíveis são tributados no estado de destino, a alíquota desse estado determina a carga tributária. A diferença entre as alíquotas interestaduais torna o descaminho lucrativo. Por exemplo, entre MS (12% de imposto) e MT (17%), a fraude acontece dentro de MT, através da emissão de nota destinada a MS para produto que vai ser consumido aqui.

Vendas sem Nota fiscal, ou a chamada “meia nota”, cancelamentos de Nfs, e falsa exportação para Bolívia (que não é taxada), além da inadimplência via judicialização. E os chamados devedores contumazes (frequentes), que são punidos mas trocam de CNPJ e de razão social, usando laranjas para continuar atuando.

O deputado Carlos Avallone destacou que as investigações deflagradas pela CPI já tiveram como resultado imediato a aprovação pela Assembleia Legislativa da Lei 10.978, de autoria do Executivo, tratando da tipificação e sanção do devedor contumaz, que será submetido a sistema especial de controle e fiscalização.

Fraudes Operacionais

A CPI identificou várias modalidades de fraudes com a chamada Bomba Baixa, onde a quantidade de combustível no visor da bomba não corresponde ao volume entregue no tanque do cliente. Outra fraude é a chamada Turbina, a introdução de um gerador de pulsos adicionais que falsifica a leitura da quantidade de litros, conforme atestou o IPEM – Instituto de Pesos e Medidas de MT. A infração por vício de quantidade em MT é a terceira maior do país, perdendo apenas para Alagoas e Amapá.

Postos Clones: postos que usam características de uma marca ou bandeira consolidada no mercado, nas cores e fachada, mas não comercializam produto da marca, induzindo o consumidor a erro.

“Álcool Molhado”: para sonegar tributos, a hidratação do etanol, que sai da usina como álcool anidro – de tributação menor – recebe a adição de água e é vendido como álcool hidratado. Registrou-se em Mato Grosso uma queda no consumo de gasolina, e aumento na comercialização do álcool anidro.

Empresas de pequeno porte com ascensão exagerada em curto espaço de tempo, operam adulteração de combustíveis, vendem notas fiscais para fraudadores e uma série de outras irregularidades. E ainda as transportadoras cujos veículos fazem até quatro viagens levando combustível para outros estados, no tempo em que poderiam fazer apenas uma no trajeto.

Recomendações e nova legislação

Para assegurar que a CPI produza efeitos concretos, Carlos Avallone apresentou uma série de recomendações aos órgãos públicos e de controle, relativamente à normatização, regulação e fiscalização. Entre as mudanças na legislação, está a obrigatoriedade dos postos revendedores disponibilizarem o nome do revendedor, número de postos e marcas associadas, para que o consumidor faça uma escolha mercadológica consciente.

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Outro projeto de Lei torna obrigatória a informação dos valores cobrados pelo litro de combustível aditivado pelos postos, o que hoje não acontece no caso do etanol. Também será obrigatório o Relatório de Inspeção Anual de Impacto no Meio Ambiente do Sistema de Armazenamento de Combustíveis, para evitar contaminação e/ou adulteração nos tanques.

Recomendações ao Governo

O relatório propõe que o governo crie a Delegacia de Combate aos Crimes de Sonegação e Fraudes nos Combustíveis e um Núcleo de Inteligência Integrado de Fiscalização e Controle do mercado de combustíveis na SEFAZ. A CPI recomenda ainda que os órgãos estaduais de defesa do consumidor (Procons), o Ministério Público, GAECO, DECON, IPEM, SEFAZ, integrem os seus dados cadastrais e de fiscalização, bem como tenham um Plano Estratégico de Ação Integrada.

A CPI também cobrará do governo estadual a sanção da lei do ex-deputado Guilherme Maluf que propõe a cassação da inscrição no cadastro de contribuintes por fraude na revenda de combustíveis. Esta legislação deverá ser ampliada, proibindo o proprietário de exercer no local o mesmo ramo de atividade por 5 anos.

O Governo também será estimulado a encaminhar um pacto regional pela equalização das regras e da alíquota de ICMS que incide sobre o diesel. Outra proposta é que o governo revise o “Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final” dos combustíveis, para sanar distorções.

Recomendações à ANP

Além de encaminhar seu relatório sobre o segmento de combustíveis, a CPI vai propor à Agência Nacional do Petróleo o restabelecimento do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis em Mato Grosso, com o recredenciamento da Central Analítica de Combustíveis da UFMT. O contrato entre a ANP e UFMT foi rompido anos atrás e hoje MT não tem laboratório credenciado para o monitoramento da qualidade dos combustíveis. Também não é monitorada a qualidade do biodiesel produzido e disponibilizado para adição ao óleo diesel.

A CPI também propõe a realização de uma Força-Tarefa de fiscalização a fim de verificar se a Portaria 1109 – Portaria do Benzeno – do Ministério do Trabalho Emprego está sendo cumprida. O objetivo é a preservação da saúde do trabalhador, em virtude da exposição ao benzeno, presente na gasolina, considerado cancerígeno.

Aos distribuidores e revendedores e órgãos de defesa do consumidor, a CPI sugere a elaboração de campanhas publicitárias e cartilhas sobre a legislação pertinente e contra fraudes. Também foi recomendada a criação de aplicativos para denúncias sobre fraudes e adulterações de combustíveis e APP de fiscalização de preços dos combustíveis nas revendedoras e postos.

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Reck Júnior diz que pretende conversar com Francis sobre a retomada das atividades do porto

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A parte da estrutura física do porto deverá estar concluída em 90 dias o que deve demorar um pouco mais são as questões burocráticas relacionadas às portarias e licenças ambientais para que o complexo portuário tenha o recomeço das operações. A afirmação é do presidente da Associação Pró – Hidrovia do Rio Paraguai, Vanderlei Reck Júnior. Citado de não possuir expertise para a atividade pelo prefeito Francis Maris Cruz, Reck diz que Francis é uma “boa pessoa” e que pretende conversar com ele sobre projeto.

“Desde o embargo jurídico da hidrovia do Rio Paraguai, em 2004, estamos trabalhando. Houve um período em 2014 que paralisaram as dragagens e articulamos para que fossem retomadas. O nosso trabalho não é político. Não ficamos noticiando tudo o que fazemos” disse. Francis afirmar que desde que o presidente da APH, assinou o Acordo de Cooperação nº 001/2016, no dia 25 de outubro de 2016, junto ao governo do Estado, nada, aparentemente, teria sido feito no terminal.

A retomada da navegação comercial pela hidrovia Paraguai-Paraná foi prometida pelo governador Mauro Mendes no final do ano passado.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, em que aparece ao lado do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat) Adriano Silva, Mendes disse que “fechamos um planejamento de trabalho com a associação dos produtores e, no máximo em seis meses, queremos o porto de Cáceres funcionando”, disse acrescentando que “temos um compromisso formado e vamos cobrar muito. Eu tenho plena convicção de que em 2020 estará funcionando a navegação no rio Paraguai”.

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Em contato com a reportagem do Jornal Expressão, Reck Júnior afirmou que a APH dispõe de recursos necessários para fazer o projeto caminhar. “100% dos investimentos aportados na recuperação do porto para a retomada das atividades serão aportados pela APH” diz informando que a previsão é de que serão absorvidos recursos na ordem de R$ 1,5 milhões nas obras físicas do terminal. E, que a APH dispõe de capacidade técnica e administrativa para execução do projeto.

Reck Júnior se diz “impressionado” com o número de empresas que tem procurado a direção da APH no sentido de ajudar no projeto. Salientou que já realizou várias contratações, outras empresas estão fazendo orçamento e acredita que o porto retome as atividades, no período de seis meses, conforme a previsão do governador.

Enfatizou que pretende conversar com o prefeito Francis para que possam entender melhor o projeto. “Até onde sei o Francis e uma pessoa boa. Devo fazer uma visita à ele nos próximos dias. Temos que conversar para entender o projeto. Cáceres é uma cidade abençoada por ter essa hidrovia. Esse projeto irá beneficiar não apenas a cidade e a região, mas todo Estado. Temos que estar de mãos dadas nesse grande empreendimento da região”.

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Novo acordo

A assinatura do novo Acordo de Cooperação entre a APH e o governo do Estado, através da Metamat, para a retomada das atividades do Porto Fluvial de Cáceres, ocorreu na terça-feira (14.01).  “É uma vontade antiga de todos que trabalham na região, que se possa voltar a usar o transporte aquaviário para escoamento da produção. Esta cooperação garante que cada etapa do cronograma seja cumprida com apoio e fiscalização do governo”, afirma o presidente da Metamat, Juliano Jorge Boraczynski.

Reck Junior assinalou que porto está há praticamente 10 anos sem funcionamento, já que desde 2009 o fluxo diminuiu drasticamente, até a paralização completa, em 2012. E reiterou a importância do escoamento da produção, e da possibilidade de facilitar a exportação, e a importação, para os produtores da região. “Estamos bastante confiantes nesse novo momento. Por parte da Associação, não estamos medindo esforços para colocar o porto em operação dentro dos seis meses”, afirma.

O porto

O Porto Fluvial de Cáceres é delegado pela União para a administração pela Metamat desde 1998. Por meio da hidrovia Paraguai-Paraná, o porto beneficiará municípios das regiões oeste e sudoeste do estado. Dos 3.442 quilômetros da rota aquaviária, 890 quilômetros ficam dentro do Brasil, passando por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A hidrovia passa ainda pela Bolívia, Paraguai, e Argentina.

Editoria – Sinézio Alcântara

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Adriano será candidato do Democratas à sucessão em Cáceres, diz Fábio Garcia

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Dois nomes já estão definidos como pré-candidatos à sucessão do prefeito Francis Maris Cruz (PSDB) em Cáceres: o da vice-prefeita Eliene Liberato Dias (PTB) e do professor Adriano Silva (DEM). A pré-candidatura da vice-prefeita Eliene Dias já é conhecida desde o ano passado. A de Adriano Silva foi confirmada, com exclusividade, ao Jornal Expressão, pelo presidente do diretório estadual do Democratas, deputado Fábio Garcia.

Presidente da legenda, Garcia entrou em contato com a redação do Jornal Expressão para “esclarecer” a informação da matéria veiculada, na edição do último domingo, intitulada: “Nome do candidato do grupo do governador à sucessão em Cáceres deverá sair de pesquisa”.

“Em realidade, na última reunião da executiva do partido, realizada no mês de dezembro, definimos alguns projetos prioritários para o Democratas para este ano. Dentre eles, está o das eleições municipais em Cáceres, onde teremos candidatura própria e seremos representados no pleito pelo ex-deputado Adriano Silva” diz Garcia acrescentando que “esta é uma decisão já tomada pelo partido. E, portanto, o Adriano tem todo apoio e respaldo na construção desse projeto”.

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A confirmação de Adriano Silva, como pré-candidato do DEM do governador Mauro Mendes, contraria as informações de que o candidato do grupo sairia de uma pesquisa de opinião pública e joga um balde de água fria, na intenção dos demais partidos, principalmente, PV e PMDB que alimentam a possibilidade do lançamento das pré-candidaturas do ex-prefeito Túlio Fontes e do ex-vereador Marcinho Lacerda, respectivamente, a sucessão municipal.

A decisão deve atingir, principalmente, o ex-prefeito Túlio Fontes, ligado a família Campos – Júlio e Jayme Campos-.  Fontes era muito confiante no lançamento de sua pré-candidatura pela aproximação com os Campos Além disso, a confirmação do nome do presidente da Fapemat, como pré-candidato do DEM à sucessão municipal, pode proporcionar um “racha” no grupo e beneficiar diretamente, a pré-candidata do PTB, Eliene Liberato Dias.

Editoria – Sinézio Alcântara

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