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ARTIGO : Importância do ‘propósito’ na empresa familiar

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Definir um propósito é saber dizer com clareza por que a sua empresa está fazendo o que faz e como ela quer impactar o mundo. Em outras palavras, é a sua razão de existir. Você tem essa resposta na ponta da língua?

Se não tem, é hora de ter! Na empresa familiar o processo de amadurecimento do propósito passa pelos valores. Estes são transferidos da família para a empresa, permeando todas as relações internas ou externas. Inclusive a família também tem um propósito, que vai além do negócio.

Durante o processo de sucessão, é fundamental que esse legado seja observado como um aliado nos processos de mudança. Porque a primeira coisa que a família empresária deve entender é que está tratando da sua identidade, dos conhecimentos e competências acumulados ao longo das gerações.

Obviamente é preciso saber como adaptar tudo isso ao mundo atual e encontrar um meio de agregar as tecnologias disponíveis à maneira como se faz negócios. Por isso, quanto mais a empresa conhece sua identidade e as suas competências, mais fácil é o processo de reinvenção e menores os riscos.

Você sabia que é possível inovar e manter o DNA da família empresária? Existem diferentes formas de se incrementar mudanças. Por isso é importante saber qual o ‘propósito’ da sua empresa, para entender até onde poderá ir. Ou seja, expandir fronteiras carregando tudo que foi construído e valorizado ao longo da trajetória.

Um exemplo muito positivo na governança familiar é o Grupo Stefani, que foi fundado em 1954 com o nome do seu criador, e atualmente está na sua terceira geração. Mesmo reunindo várias empresas dos setores de transporte rodoviário de cargas líquidas, comercialização e distribuição de combustíveis, o grupo que possui 620 colaboradores e sede em Canoas (RS), se mantém coeso, próspero e sólido.

Então, você me pergunta, como? Por meio do processo de governança familiar! Desde 2005 o grupo aderiu à gestão profissional da empresa para evitar que assuntos da família interferissem de modo inadequado sobre os negócios.

Com sede em Joinville, Santa Catarina, a NeoGrid Participações S.A., que está na sua segunda geração, passou por um caminho similar. Por ser uma empresa que atua no segmento de tecnologia global, com presença em cinco continentes, só conseguiu expandir mantendo seu legado, devido a um trabalho contínuo de governança familiar.

Por causa da grande diferença de idade entre o fundador e seus herdeiros, uma das alternativas foi investir numa forte formalização de processos e no desenvolvimento de um ambiente de confiança e transparência. Foram esses componentes, acompanhados de investimentos no desenvolvimento e retenção de seus ‘profissionais-chave’, que levaram a empresa a andar com as próprias pernas.

Um ponto em comum aos dois casos estão os benefícios e resultados positivos proporcionados pela adoção de boas práticas de governança em empresas de capital fechado, que passaram por um intenso processo de profissionalização e organização.

Neste mês de dezembro, comemorou-se 40 anos do modelo dos três círculos, desenvolvido na Universidade de Harvard, em 1978, pelo Prof. Renato Tagiuri (falecido em 2011, aos 91 anos) e o estudante de doutorado John Davis para explicar as dinâmicas, distintas funções e potenciais tensões nos sistemas de empresas familiares.

Esse modelo é conceitual, simples e belo; mas apresenta os sistemas presentes na ambiência da família empresária: propriedade, família e gestão. É fundamental criar unidade entre eles, e o propósito pode ser um excelente combustível para a família crescer e progredir.

Com início de 2019 e a chegada de um novo ciclo, somos convidados à renovação, por isso, que tal nos conectar ao propósito da nossa família e da nossa empresa?

 

Cristhiane Brandão, administradora pela UFMT, especialista em Dinâmica dos Grupos pela SBDG, 20 anos de experiência em Gestão e Estratégia para empresas familiares e sócia proprietária da Nunes Brandão Consultoria Empresarial & Empresas Familiares, crisbran@nunesbrandao.com.br.

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Impactos das atualizações tributárias no agro

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Com as esperadas mudanças socioeconômicas no Brasil, há expectativas sobre a melhora do cenário econômico em 2019, especialmente em relação ao agronegócio. Por isso, espera-se que uma política fiscal direcionada ao setor estimule ainda mais o crescimento desse mercado, um dos grandes responsáveis pelos índices positivos do PIB brasileiro nos últimos anos.

O ano começou em meio a novidades acerca do “Funrural”–contribuição do empregador rural à Seguridade Social. Depois de controvérsias que se estendem há décadas, foram adotados direcionamentos favoráveis ao setor agrícola, como a redução integral de multas e juros e outras vantagens, incluindo o parcelamento da dívida em até 15 anos e a utilização de créditos de prejuízos fiscais acumulados.

Ainda foi oferecida uma nova alternativa: desde janeiro deste ano, os empresários rurais têm a possibilidade de escolher se farão o pagamento do Funrural baseado na receita bruta da empresa (com redução da alíquota) ou se optam por fazer o recolhimento com base no salário dos empregados. Em geral, a segunda opção é a mais vantajosa, por conta do aumento expressivo da tecnologia na produção rural. Essas alterações são aplicáveis somente aos produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, não se estendendo para as agroindústrias.

Além do Funrural, outras atualizações tributárias devem impactar o agronegócio brasileiro em 2019, nesse caso especialmente as empresas agroindustriais, como frigoríficos e esmagadoras de soja. Uma delas decorre da interpretação que tem sido dado pelos Tribunais Superiores sobre o conceito de essencialidade do bem e materiais intermediários para fins de creditamento de PIS, Cofins e ICMS. Frente a essa mudança, é recomendado que as empresas revisitem as apurações dos últimos anos e verifiquem se, de fato, os créditos apurados estão alinhados com o conceito da melhor interpretação trazida pelos Tribunais. Em geral, depois da revisão é comum serem identificados valores relevantes passíveis de utilização pelas empresas.

Outra questão é a tributação dos incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais de ICMS. Para incentivar a instalação de empresas em regiões específicas do país, como o Centro-Oeste, o Estado oferece diversos incentivos tributários. Até o final de 2017, esses incentivos ora eram caracterizados como subvenções de investimento ora como subvenção de custeio, sendo que esses últimos eram contabilizados como receita das empresas, sendo tributados pelo Imposto de Renda, contribuição social sobre o lucro, pelo PIS e pela Cofins.

No entanto, a legislação, por meio da Lei Complementar nº 160, reconheceu a desobrigação do pagamento desses tributos por equivaler a subvenção de investimento todos os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais. Desde então há um movimento intenso de organizações que têm se isentado de tributar os incentivos recebidos. Alguns contribuintes buscam refazer inclusive a apuração fiscal dos últimos cinco anos, com o objetivo de potencializar o benefício. Destaca-se aqui a necessidade de observar todas as obrigações contábeis e fiscais para que seja garantida a não tributação.

A partir das mudanças tributárias ocorridas nos últimos anos e das perspectivas positivas para a economia nacional, espera-se que 2019 seja um ano de crescimento para a indústria do agronegócio.

Para aproveitar, de fato, esse novo cenário, é importante que produtores rurais revisitem seus modelos de negócio. Nesse sentido, a avaliação da migração do sistema de pessoa física para pessoa jurídica tem sido um importante combustível para fomentar o segmento. Isso porque a formalização proporciona maior governança e transparência, facilitando a concessão de empréstimos e ampliando a exposição a investidores estrangeiros, além de viabilizar regras que protegerá a perpetuação do negócio em casos de abertura de sucessão.

* Ricardo Varrichio é sócio da PwC Brasil

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Como se separar saudavelmente

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Dulce Figueiredo

O casamento está apoiado em algumas premissas para pode dar certo, entre elas, estão equilíbrio nas trocas emocionais, acolhimento dos valores familiares do companheiro, que exige tolerância e aceitação, e no amor propriamente, que inclui demonstrações afetivas e respeito.

Mesmo jurando amor eterno, está cada vez mais comum os casais não conseguirem avançar além do 10º ano juntos. Na prática, um a cada três casamentos termina em divórcio no Brasil. Só em 2016, foram 344 mil separações, de acordo com o último censo do IBGE.

Então, para obter sucesso na relação conjugal é necessário ter maturidade para lidar com uma série de questões, por isso, ainda que haja problemas, como profissional da área, eu acredito que é possível evitar a ruptura. Mas, para isso, o casal em comum acordo deve querer olhar para o relacionamento e lidar com os conflitos e crises.

Quando não há outro jeito e a separação passa a ser a melhor solução, ela deve ser encarada e construída de forma madura, principalmente se houver filhos da relação. Ou seja, estar casado ou sair do casamento exige uma nova postura do homem e da mulher, devemos refletir sobre isso.

O principal beneficiado dessa esforço em ‘crescer’ emocionalmente é o próprio casal, que terá muito mais chance de obter sucesso na próxima relação afetiva. Além disso, se houver filhos, o sucesso deles também depende de como vai ser o enfrentamento a este momento difícil para todos.

Conscientize que a separação é uma escolha de gente grande, porque exige, por exemplo, saber separar o papel de pai e de mãe do papel de cônjuge. Cabe aos pais (no plural) manterem o vínculo com os filhos para o resto da vida. Nisso não se mexe, disso não se abre mão. E é esta atitude assertiva que mantém a saúde mental de crianças e jovens para entrarem na vida adulta.

É importante frisar que muitos jovens buscam nas drogas ou mesmo outras situações perigosas e autodestrutivas para tentarem o preenchimento do vazio deixado por um dos pais ou de ambos após a separação. A depressão também pode ser experimentada como a dor desse vazio.

Claro que não é fácil lidar com o turbilhão de acontecimentos dentro e fora que vem junto da separação. No entanto, pelo bem dos filhos, é muito importante não levar informações detalhadas ou de desentendimentos entre as partes a eles. Também não se deve fazer críticas ou desqualificar o outro, o que na prática pode se configurar como alienação parental, que hoje é crime passível de punição.

Outro ponto importante que pode servir de estímulo na busca da assertividade: a próxima relação só tem chances de sucesso se houver respeito pelo ex-parceiro. Independente dos problemas, é fundamental ser grato ao outro pelos bons momentos e sempre falar apenas das características boas aos filhos. Em um ambiente de respeito, todos ficam livres para amar e olhar para o futuro.

Pode parecer impossível no início construir algo desse nível, porque, normalmente, o término acontece em momentos diferentes para os envolvidos. Salvo exceções, a ruptura costuma ter a iniciativa de um dos dois, por isso, é preciso paciência com aquele que não está aceitando enfrentar o processo de luto, que envolve tristeza e raiva.

De todo modo, as responsabilidades devem ser compartilhadas, porque em uma relação adulta, como deve ser de um casal, não há lugar para vítima. Se acabou, houve dificuldade em ambas as partes.

Para ajudar nesse processo, a psicoterapia é uma importante ferramenta para o casal e os filhos, porque contribui na resolução de conflitos e harmonia familiar. O casamento acabou, mas o amor pode sim ser mantido, por meio de uma separação saudável e com respeito mútuo em que todos são beneficiados.

Dulce Figueiredo, psicóloga com 24 anos de experiência e pedagoga pela UFRJ, especialização em terapia de família sistêmica, MBA Gestão de Recursos Humanos, @psicologadulcefigueiredo, dulcefig@gmail.com

Rose Domingues Reis
Jornalista – (65) 99955-3978
Cuiabá (MT)/Brasil

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