Os agentes penitenciários de Mato Grosso decidiram paralisar parte das atividades nesta quinta e sexta-feira (10 e 11) em protesto contra a falta de investimento no sistema penitenciário e na carreira de agente. Ao todo, 2,4 mil servidores aderiram ao movimento, que funciona com o remanejamento dos profissionais para promover a segurança das unidades, de acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado de Mato Grosso (Sindspen), João Batista Pereira de Souza.

Ele explica que 100% do efetivo está atuando, porém, alocados na mesma função. Com isso, o serviço de escolta de presos e o trabalho com os presos realizado dentro das penitenciárias, como acompanhar o trabalho dos detentos, está prejudicado.

Segundo João Batista, a paralisação é motivada pelo baixo efetivo de servidores, pela falta de investimento no setor e pelo descumprimento de uma serie de acordo firmados com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

“Todo o efetivo está distribuído nas nossas 55 unidades e outros postos. Estamos negligenciando a segurança para atender o Estado, mas eles não estão olhando por nós, então resolvemos voltar os olhos para segurança e paralisar outros setores”, disse.

O maior problema, segundo João Batista, é a falta de efetivo. Seriam necessários mais 800 servidores para o sistema penitenciário. Ele lembra ainda que uma opção é a aplicação do programa Jornada Voluntária de modo a atender a demanda, já que os agentes poderiam trabalhar nos horários de folgas.

Outra reclamação é quanto a progressões de carreira dos agentes, travada desde janeiro. Na ocasião, o Estado determinou que ocorressem mudanças na progressão, porém, o assunto foi encaminhado à discussão na Procuradoria Geral do Estado (PGE).

“Tem 60 dias que esse assunto está na PGE e até agora nada. Eles determinaram mudanças, mas não sabem aplicar, enquanto isso ficamos esperando e nada. Reeleição tem sido prioridade do Estado e o sistema penitenciário não dá voto. Estamos com a linha de negociação aberta, mas até agora não há solução para estes pontos elencados”, afirmou.

O movimento esta previsto para se encerrar na sexta-feira (11) quando será realizada uma assembleia onde os servidores irão decidir o futuro da paralisação: se encerram ou continuam com a paralisação. “Não descartamos também a greve, mas isso só se houver deliberação da categoria”, encerrou.

Karine Miranda, repórter do GD

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