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Cáceres, Quarta-Feira, 17 de Dezembro de 2014
       

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Clarice Navarro Diório é é jornalista em Cáceres/MT

Cocaína e furundú

Cáceres na mídia nacional. Médico Manoel Francisco de Campos Neto, ortopedista e perito, entrevistado no Jô Soares. É claro que o assunto foi a cocaína. Só assim aparecemos, certo? Errado. Dr. Manoel teve a sensibilidade de conduzir a entrevista –sim, foi ele que a conduziu, e sua franqueza e domínio do assunto em pauta lhe renderam vários minutos extras. Através da cocaína, ele expôs Cáceres ao Brasil como uma cidade que, apesar do problema crônico do narcotráfico, é bonita, exuberante, tem o rio Paraguai, tem trânsito tranqüilo. “Durmo uma hora após o almoço”-disse ele, “e não invejo o trânsito de Sâo Paulo”. Carioca, há 30 anos atrás, se pendurava em seis empregos no Rio. Trocou a cidade grande por uma Cáceres que quase nada tinha de estrutura médica. Ele e outros profissionais gabaritados formam hoje um corpo médico de qualidade na cidade. Tanto que, indagado pelo Jô, que pareceu não gostar muito da crítica ao trânsito, sobre o que poderia ser feito se ele (dr. Manoel) tivesse um infarto em Cáceres, teve a resposta pronta: “meu plano médico tem cobertura de UTI aérea e tenho colegas muito bem preparados, na cidade mesmo”.
Pau rodado como eu, está aqui há 30 anos. Estou há 23. Quando viajo, sinto saudade. Aqui nasceram minhas filhas, meu filho veio pequeno. Aqui abri meu espaço profissional, sempre tendo em mente a pauta principal: o respeito ao próximo.
Tocante ver na entrevista do dr. Manoel a preocupação com a vida das pessoas que se submetem ao “trabalho” de mulas humanas. Num trabalho de formiguinha, ano após ano, ele pesquisou o assunto, que virou livro, cujo lançamento virou matéria, e foi ele, com muito pouca ajuda, que abriu caminho para a divulgação de sua obra. É uma obra científica, que estuda as formas e o material que são usados no preparo das cápsulas de cocaína ingeridas pelas mulas. O título mostra bem o quanto o assunto é sério: Mulas Humanas no narcotráfico internacional Bolívia/Brasil–suicidas em potencial.
Ele narrou a um Jô Soares surpreso o caso do rompimento de uma cápsula e um óbito em segundos por overdose, assim como uma cirurgia emergencial para a retirada das cápsulas do estômago de uma pessoa. São miseráveis, e a opção em usar o corpo para o transporte de drogas nada mais é que necessidade.
Também narrou a falta de estrutura para policiar a fronteira, e a precariedade do IML para a realização de necropsias. Tem-se apenas o básico. Ainda bem que, de quebra, há ótimos profissionais na Polícia Técnica.
Mas ele contou também que Cáceres é uma cidade histórica cortada por um rio maravilhoso, de gente hospitaleira, e levou o furundú, o tradicional doce de mamão com rapadura. Apesar da pauta da entrevista ser, mais uma vez, a cocaína, o perito, com perícia, deixou muita gente com vontade de conhecer Cáceres. E emocionou a todos com sua emoção, sem ter vergonha de expor o que sentia. Ele trabalhou duro no livro. É passada a hora de colher os frutos da colheita.
*Clarice Navarro Diório é jornalista em Cáceres/MT

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